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[Quinta-feira, Janeiro 31, 2008]
 Foto: Derinha RochaTRANSCEDÊNCIA ( Para Ari Lins Pedrosa) Luiz Alberto MachadoO habitual de João Pessoa Fisga o céu de Maceió Onde o sol vai dormir no mar Dormir no mar E as jangadas de papel Carregadas de sonho Pro encontro do farol Caminhou para onde Enfiado na carne o horizonte E abriu ferrolhos atrativos Da imagem transcendental. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992. VEJA MAIS: PRIMEIRA REUNIÃOBIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 6:21 AM
[Quarta-feira, Janeiro 30, 2008]
ETHEL FELDMANBOM BOM DIA- Respira antes que tropeces na palavra. .. - hmfffffffffffff - Agora inspira. Nesta pausa reflecte. Encontra um sinónimo - Mas e o... aquele... sabes? O, o ... gaita! Estou tão esquecida! - Com pressa apressas a conversa. Atropelas o acto de estar. Inspiro. Respiro. Antes de expirar - a pausa pedida. Por fim largo: - Quando sugeres presente, cantas assim: pre, pre pre-sente! Será que é mesmo assim? Um milésimo antes de sentir? Inspira e canta-me outra … -*- Faz de conta que a verdade não é senão a verdade – sem tempo Faz de conta que o desejo não é senão o desejo – sem dor Faz de conta que o principio se confude com o fim – no vazio Faz de conta que o tempo não é tempo - espaço Ali mesmo onde o branco inventa a cor do teu sentimento -*- Sou Maria Madalena Mais Madalena que Maria no corpo protegido a vontade de amar - E Maria? - Ressuscita feito Jesus - Transformista? - Como tu quando te descobres a poente Me invento Madalena enquanto vou sendo Maria assim sendo vou-me inventando -*- essas mãos que são por ora quatro tão insanas se tornam duas tão doidas se confundem numa tão. . por dentro de ti somos nenhum Espera amor deixa que o sol pouse sem pressa pelo tempo que prometemos existir -*- toada artodoada a arte da nota sem tom no baile no tango me embalo na língua a minha o som deste som sem tom A poeta paulista ETHEL FELDMAN reside em Lisboa, Portugal. Ela realiza um trabalho poético digno de aplausos, apesar de até agora inédita, coisas da vida. Reúne seus trabalhos poéticos no seu blog Paladar da loucura. VEJA MAIS: ETHEL FELDMANGUIA DE POESIAPESQUISA & CIA BIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 4:30 AM
[Terça-feira, Janeiro 29, 2008]
 A revista Veredas foi criada em 1998 com o intuito de incentivar a leitura e a escrita e hoje é uma revista dedicada à publicação de minicontos, micronarrativas e discussões acerca deste tema, editada por Ana Mello e Marcelo Spalding. Além da proposta editorial, estão disponíveis artigos e uma mini-livraria. Confira. VEJA MAIS: REVISTAS ELETRÔNICASBIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 3:58 AM
[Segunda-feira, Janeiro 28, 2008]
VALDEREZ DE BARROSACALANTOBuscarei um recanto Onde chorarei meu pranto, Onde entoarei um canto Triste, no entanto, Será como um acalanto, Que suavizará, como um manto, O frio do meu desencanto... -*- DÁ-MEDá-me a luz do teu olhar, Que minh'alma ilumina...! A melodia da tua voz, Que aos meus ouvidos soa divina...! Dá-me a paz do teu sorriso, Que me contamina e acalma...! O aconchego dos teus braços, Onde me sinto segura e amada...! Dá-me o sabor da tua boca, Que adoça o meu viver...! A suavidade das tuas carícias, Que me incendeiam, me dão prazer...! Dá-me o fogo da tua paixão, Que acelera o meu coração...! Do teu corpo quero o calor... Dá-me o teu amor...! -*- À DERIVASou tripulante De um barco Levado pelo mar, À deriva, Sem âncora, Sem bússola, Sem rota, Sem rumo, Perdido, Sem esperança De encontrar Um porto seguro... -*- DESVARIONo silêncio do meu quarto, Sozinha na cama, Por debaixo do lençol, Meu corpo queima e arde De desejo de você...! E me abraço, me acaricio, Pensando serem suas mãos a me acariciar...! O desejo vem mais forte ainda...! Mas, num lampejo da razão, Volto a mim, desse desvario... Percebo amargamente Como dói a solidão, Como sinto sua falta, Como queria que você estivesse Sempre ao lado meu... Como eu lhe amaria...! Perdidamente lhe abraçaria! Ardentemente lhe beijaria! No seu corpo iria me perder De tanto amor e prazer...! Ah, se um dia eu lhe encontrasse...! Se você também me amasse...! Nos seus braços, feliz, eu cairia E chorando, a Deus agradeceria, A graça do seu amor ser meu... -*- NINHO DE AMORNa minha fantasia, Construi uma casinha, Onde fiz o nosso Aconchegante Ninho de amor; Com cortinas nas janelas, Ao redor um lindo jardim, Onde flores de várias cores, misturam seus Deliciosos odores... Na varanda, Uma rede azul, Onde nos deitamos, Nos beijamos E fazemos amor, Sentindo em nós O clarão da lua, Que com sua magia, Lá do alto nos vigia, Um pouco enciumada... Mas, carinhosamente Ela nos contempla E, com suavidade, Sorri deslumbrada Com a nossa felicidade... -*- EM MIM REPOUSAS…Um dia eu te amei E a esse amor Dei tudo de mim... Um dia te beijei Suavemente, ou Com um arrebatamento, Que jamais sonhei sentir... Um dia contigo fiz amor Com intensidade, Com ardor, numa entrega total, num frenesi absoluto, Corpos e almas unidos Na mesma plenitude De emoções, de sentimentos... Um dia te dei meu amor, Que era maior Que o infinito... Maior do que O meu coração Podia suportar E se derramava em ti... Hoje, em mim repousas, Na minha saudade Mais doce, mais querida, Na minha lembrança Mais dolorida... VALDEREZ DE BARROS é formada em Educação Artística pelo CESMAC, com especialização em Música. Além de poeta é professora aposentada, foi incluída na antologia “ Poesias de Alagoas”, organizada por Carlito Lima e Edilma Acioli, pelas Edições Bagaço/2007. Reúne seus trabalhos no Recanto das Letras e no seu lindo blog Gritos da Minha Alma. VEJA MAIS: POETAS ALAGOANOSGUIA DE POESIABIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 5:00 AM
[Sexta-feira, Janeiro 25, 2008]
MACEIÓ, UMA ELEGIA PARA OS QUE OUSAM SONHARLuiz Alberto MachadoA cidade emerge no meu riso matinal e o sol faz paradeiro na minha alma desafortunada. Os meus passos reviram ruas redimindo meus pesares, remorsos e alucinações nessa paradisíaca paragem. É tudo muito lindo premiando o meu devaneio. E eu recito loas pelas beiradas da idéia, pelas abissais paralelas do meu exílio atrevido, de minha presença castigada. Nesse cenário eu vou de corpo e alma. Vou pelas transversais, avenidas, perpendiculares, a reconhecer a punição da vida no que de vário se faz real pelo esplendor do mar e onde se lavam culpas no negrume do asfalto, onde se pezunham esperanças na imensidão do espaço, onde se constroem todas as avenças e desavenças de nada. É outro dia sempre e a gente a sonhar com o estrondo da felicidade mesmo que tudo seja apenas feito de partidas e chegadas no desencontro dos anseios. É outro dia sempre e a gente com o plano de vôo circunscrito na incerteza, como se a regra desse jogo fosse sempre o confronto da distância entre começar e acabar, sem ter prorrogação na morte súbita indesejada. É outro dia e sempre a cidade emerge na minha finitude atlântica que bordeja pelas apaziguadoras ruas breves da Mangabeiras e se arrasta na expectativa da Jatiúca, aderna pelo emaranhado da Ponta Verde, singra pela beira-mar da Pajuçara e dá nos cotovelos rentes com a fabularia do Jaraguá. É lá onde me eternizo nas cinzas. Adiante está a lama do Salgadinho empestando a Avenida onde uma guerra oculta cospe mulheres paridas e deserdadas dos arredores do Tabuleiro do Martins e homens ciclópicos que ululam desmemoriados de tudo sem nada, oriundos do longe mais distante das bandas de lá além do Mundaú e que povoam a superfície perversa da exclusão. E me refaço porque é outro dia e sempre me esforço subindo a rodoviária até o Farol onde contemplo de tudo: a fantástica panorâmica, o silêncio dos roncos cansados, a espera dos madrugadores por condução, a perspectiva que bate as botas em Cruz das Almas e o meu desejo que escorre descendo o Riacho Doce e se esquece dos pleitos que se tornaram causas inúteis revogadas previamente pelos tribunais de então. Mas é outro dia sempre e as crianças no meio fio da madrugada com seu cobertor de mar e de noite com sonhos incertos no barulho do trânsito indômito. É outro dia e um punhado de adultos amontoam o teatro cristão com o berreiro dos desentoados em preces devotadas com seus sotaques e timbres nas rezas por seus dissabores, por remoetas embaçadas, por sacrifícios ostentatórios, pela salvação das almas da ignomínia. E tudo parece um abstrato aceno de paradoxais festeiros na celebração da tragédia pelas mesquinharias políticas, pela soberba nos limites onde o canavial impera ao lado dos alguns poucos privilégios de gados e miséria nos pastos de outro tabuleiro, onde amadurece a desimportância da oportunidade e todos são escravos do passado mesmo que se achem senhores de si e do futuro, mesmo que a vida seja um lapso de tempo nas causas perdidas. Mesmo assim a cidade emerge e meu coração se avexa com o tumulto do dia e se esboroa pela tarde e faz aconchego na noite que anuncia outro dia para um mais que desejoso amanhã. Amanhã que já será hoje, hoje que será ontem e tudo que esquecerá. E esquecendo não veja criança estendida na calçada da manhã, nem pedinte mendigando no semáforo, nem velho xingado nas filas, nem violência como efeito da desigualdade, porque os adultos precisam acordar ciosos de si a vingarem o humano à revelia dos mandos no sonho de todos os sonhos. A verdade é que a cidade emerge nos meus olhos e já é outro dia. Mesmo assim continuo atrevido e teimoso de sonhos, enquanto o meu coração bate buliçoso e atônito pelas ruas de Maceió, entoando uma elegia para os que ainda ousam sonhar. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992. Poema incluído na antologia “ Poesia de Alagoas”. Recife: Bagaço, 2007. VEJA MAIS: PRIMEIRA REUNIÃOBIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 3:46 AM
[Quinta-feira, Janeiro 24, 2008]
POETRIX DE ANA MELLO PROSÓDIAem versos de suave melopéia remo contra a corrente SECRETA PAIXÃOminha sombra segue a tua beija o vento, lambe a rua NA AREIAamor e maresia ele deseja em prosa ela desfila em poesia MORFOLOGIA E SINTAXEamor gramatical ele interrogação ela ponto final NA OBRApedreiro e poeta vira na massa vida e suor, prédio pronto - poesia concreta SEIOdo filho que mama a inveja do outro pela mulher que ama RELAÇÕESna cama nosso amar corre riscos, ao ser discutido no jantar LÚDICOamor faz-de-conta ela urdi ele apronta SONHOainda casulo, imagina borboleta em primavera ANA MELLO – Ana Maria de Souza Mello, nascida em São Leopoldo, Ana Mello é licenciada em Ciências e Matemática pela Unisinos. Atua profissionalmente como téc. Química. Iniciou suas publicações em 2002 quando foi uma das classificadas no concurso da Carris, Relatos da História e outras Memórias, tendo conto publicado em livro com esse título. Participou de várias Antologias da Editora Litteris e CBJE. Publica em diversos sites na internet e é colunista do site SORTIMENTOS.COM desde 2003. Escreve poesias, contos e crônicas. É coordenadora do Movimento Poetrix no Rio Grande do Sul. Apaixonada por minicontos ministrou em 2007 quatro oficinas inseridas no Projeto Vamos Ler, em Cachoeirinha. O projeto é coordenado pela jornalista Sônia Zanchetta e tem como parceiros o Diário de Cachoeirinha, a Câmara Rio-Grandense do Livro, Secretaria Municipal de Educação e Pesquisa e Clube Literário de Cachoeirinha. Tem poema selecionado no Concurso Poemas no Ônibus e Trem - 2006. VEJA MAIS: ANA MELLOSORTIMENTOSPERFIL/APPERJABRACADABRABIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 4:01 AM
[Quarta-feira, Janeiro 23, 2008]
ANO NOVOSom de flauta, Não emudecei! Noite e dia, As aves se delitam. O rouxinol, pelos campos, E, no céu, o beija-flor, Saúdam o Ano que chega. Meninos contentes. Meninas doces e pequenas. O galo canta, E o acompanhais, Vozes felizes, Sussurro de criança, Alegremente, Saúdam o Ano que chega. Cordeirinho, aqui estou! Vem me lamber, Deixa-me puxar Tua lã macia. Deixa-me beijar Tua face meiga, Pois, alegremente, Saudamos o Ano que chegou. -*- A VOZ DO POETAEscutai a voz do poeta! Ele vê o presente, o passado E o futuro. Os ouvidos seus Ouviram de Deus, que, através Do pomar, por ele o chamava: Cego de lágrimas, no orvalho, Pra que a fria chama da razão Podando, ao amor retornasse. As alturas por ti esperam; As névoas do mal se foram, E, sobre o sono benigno Da manhã, se ergue o brilho. Companheiro, não te percas; O domo radiante dos astros, O espelho d´água a refleti-los De luz em luz são tua presença. -*- O MENINO TRISTEZAChorava meu pai, minha mãe gemia, Quando ao perigo do mundo saltei, Sem ajuda, gritando alto e despido, Como pobre jogado a seu destino. Nas mãos de meu pai lutando, Em pano envolto me debatendo Pensei que bem melhor seria Continuar na mãe que me paria. -*- A MENINA PERDIDAJovens do tempo futuro, Ao lerdes esta canção, Ficai sabendo: outrora Do amor foi dito imoral. Durante o vosso tempo, Nus e banhados ao sol, Brilhem, à luz eterna, A juventude e a pureza. Certo dia, dois amantes, Se encontraram num pomar, Onde a claridade removera Da noite a cortina escura. Por sobre a relva giravam, Os pais ao largo se fizeram, Estranhos não se achegavam, E seus temores ela esquecia. Ao pai a bela se dirige, Mas seu olhar reprovador Abalou, qual vendaval, Tudo o que nela era puro. “Ó sinistro cuidado que fazeis esvoaçar as flores de meu cabelo!” pálida e abatida brada. -*- O COMANDO DOS POETASVinde! Que toda a malícia, Guerra e desconfiança Do coração desistiram. A estupidez foi labirinto Infindável, com lianas ao longo. E tão-somente pra tombar, Por ali se adentraram Os que tropeçavam toda a noite Sobre os ossos dos mortos, Desejando o que ignoravam, E pensando nos comandar Quando deviam nos seguir. -*- A REAL IMAGEM DO HOMEMTem coração humano a maldade, E o ciúme rouba-lhe a face. O terror possui forma de gente, E a morte, trajes de homem. As vestimentas humanas são de ferro, E, em forja, manufaturada sua forma. A face humana, uma fornalha fechada, E o coração, a sua garganta faminta. BLAKE, William. Canções da inocência e da experiência. Tradução de Antonio de Campos. Palmares: Bagaço/Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, 1987. William Blake (1757-1827) foi poeta, pintor, músico, místico e revolucionário inglês, precursor de Marx, Freud, Einstein e Marcuse, entre outros, defensor do amor livre, inimigo do preconceito de cor, autodidata. Ao morrer, foi enterrado numa cova não assinalada no cemitério de Bunhill Fields, Londres. Sobre esta tradução de Antonio de Campos, diz o crítico inglês, John Dewhurst: “(...) Visionário possuidor de pensamento com envergadura imorredora, admirável paradoxo de cristão, democrata das esperanças sociais, William Blake, no canto novo e na voz do poeta Antonio de Campos, nos convida à re-invenção de nossa própria humanidade”. O tradutor Antonio de Campos assim se expressa: “(...) O anjo se manifestou através do balido do cordeiro e do bramido do tigre do mesmo modo que outrora falara pela boca da jumenta de Balaão. Deus, ao longo da História, tem escolhido animais e homens mais nobres para entregar a sua mensagem. William Blake foi um deles. Vamos ouvi-lo”. VEJA MAIS: WILLIAM BLAKEGUIA DE POESIAFORUM DO GUIA DE POESIAPESQUISA & CIABIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁCULTURA BRASILEIRA NA EUROPA E VIA INTERNET
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às 5:54 AM
[Terça-feira, Janeiro 22, 2008]
ARI LINS PEDROSACONFRONTO Nos alfarrábios do céu, o deserto é o tapete das sábias discussões. As estrelas: São taças brindando os trabalhos. A lua: musa dos olhares confrontados, iluminando mil dúvidas. Mercenários sentados sobre a verdade fazem mil caras. Cenário armado debate titânico. Do lado: o poderoso amanhã iluminado pelo sol do novo. Do outro: a realidade da noite com seus mistérios Ambos querem o sabor da vitória (embora seja para poucos). Que venha o veredito da sombra, detonando aqueles impedidores da verdadeira luz. -*- HAINETO NÚMERO 07Mordaça corta a palavra que ameaça, Excêntrico pensamento versa Cada ponto da conversa.
O verdugo da palavra pisa, Aliança nunca, só resta esperança, Sem acreditar em cara-lisa.
Malícia é trunfo na mesa, Agoniza a palavra presa, A justiça é cega e voa da cobiça.-*- O PESCADOR DE SONHOSInspiração só Não basta, É isca Do poeta Para pescar Palavras.-*- EPIGRAMA ECONÔMICOInflação zero, nem na ilha de Thomas Moore.-*- SONHOS AFLITIVOSPesadelo: Sonhos perdidos Durante o dia, Buscando retorno Nas noites longas.-*- EPIGRAMA GRAMATICALVírgula: muleta da frase.Ari Lins Pedrosa é poeta, escritor e editor alagoano, autor de vários livros de poesia, crônica, contos e literatura infantil. Edita o alternativo Notas Literárias há 12 anos, resultando na publicação do livro “ O colecionador de sonhos” com entrevistas com nomes representativos da literatura brasileira. Os poemas selecionados são do livro “ O pescador de sonhos” São Paulo: João Scortecci, 1992. VEJA MAIS: ARI LINS PEDROSABIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATA
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às 5:01 AM
[Segunda-feira, Janeiro 21, 2008]
 Maravilhoso sítio desta artista fantástica, Vera Barbosa, reunindo seu trabalho nas áreas de teatro, televisão, cinema, música, além de uma galeria especial e o seu magnífico blog. Imperdível. VEJA MAIS: VERA BARBOSACAROLA TRIMANOFÓRUM DO GUIA DE POESIABIG SHIT BÔBRASFOLIA TATARITARITATÁ
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às 5:03 AM
[Sexta-feira, Janeiro 18, 2008]
MARCYA HARCOLuiz Alberto MachadoAmar-se e ia arco onde o ar nos olhos são luas, sóis e laços dos palhaços que amo em você a ver no poema que clamo e é feito em ser o seu jeito lindo de luz a valer de si e seduz o amor e só e tudo que há de bom e do melhor. Amar-se ar como a pele do amor o calor do granito no forno onde o grito é brasa que morno queimando já somos o que for em flor no rito do amor. Ah, mar se ar, como eu venero e padeço e faço quarteto de lá em Cy se havia amar era florar no ermo sem fim como até viver a sonhar de mim para ser só para você e amar, amar você. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992. VEJA MAIS: PRIMEIRA REUNIÃOMARCYA HARCOARTE FINLANDESA NO MUBECRÔNICA DE AMOR POR ELAMÚSICA, TEATRO & CIAPESQUISA & CIABRINCARTEBLOGAGENDAFOLIA TATARITARITATÁ
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às 7:52 AM
[Quinta-feira, Janeiro 17, 2008]
 Foto: Catálogo Joana Maria de Alessandra LevtchenkoAlessandra Levtchenko iniciou sua carreira em 1994, optando pela fotografia de teatro nas peças de Patrício Bisso e Oswaldo Montenegro. Tendo como influências Herb Ritts e Bruce Weber, seu olhar a levou rapidamente para a fotografia de Moda, Música e Arte. Em 1998, no Rio de Janeiro, participou do Projeto “A imagem do Som”, uma exposição com 80 composições de Caetano Veloso, interpretadas por 80 fotógrafos contemporâneos com os patrocínios Petrobrás, Philips e o Globo nas Artes Visuais. Em 1999, com o apoio do Banco do Brasil e o Globo na Literatura, participou da exposição “Retratos Falados” composta por 12 personagens da literatura brasileira interpretados por escritores, artistas visuais e fotógrafos, no Centro Cultural Banco do Brasil. Realiza vários trabalhos, abrangendo os mercado de moda, fonográfico, e publicitário. Para clientes como Trip, Oi, Playboy, VW, Sony-BMG, Trama, Saldiva, A1 Brasil entre outros. Recentemente trabalhou no projeto “ Amazônia Caruana”, longa da cineasta Tizuca Yamazaki, fotografando as locações e os personagens, em várias regiões da Amazônia. No site dele você encontrará moda, musica, porfolio, publicidade e exposição. Ela será a responsável por workshop voltado para fotografia de nú editorial. O workshop prevê uma carga de 15 horas dividas igualmente entre teoria e prática. Na aula teórica serão dadas noções de iluminação e direção de modelos, elementos de maquiagem e dicas de produção de figurino, além de uma análise do mercado da fotografia de nú. O segundo dia é totalmente dedicado à atividade prática: em duplas, os alunos irão fotografar em tempo integral uma modelo com o auxílio de uma equipe de produção que inclui maquiador e produtor profissionais, simulando a realização de um editorial em locação. O workshop termina com uma aula de avaliação das imagens produzidas. Conteúdo programático do Curso: Linguagem e mercado profissional (como fotografar e para quem) Iluminação (jogo de luz e sombra e temperatura de cor para ambientalização) Fotografia em locação (equilíbrio de luzes e cenário) Direção (como trabalhar a direção para o melhor desenvolvimento do ensaio) Maquiagem e efeitos (como maquiagem pode ajudar a fotografia) Produção de figurino FICHA TÉCNICA Carga horária: 15h/aula. Dias 26- 27 e 29 de janeiro sábado (14:00-18:00h); domingo (9:00-18:00h) e terça (20:00-22:30H) Valor: R$ 900,00 ou 2 x R$ 470,00 Pré-requisitos: ser fotógrafo profissional ou amador com prática e ter os seguintes conhecimentos: exposição, temperatura de cor e latitutde de exposição. A fotógrafa não ensinará o básico, e sim como aperfeiçoar as ferramentas já utilizadas. Material necessário: Câmera fotográfica reflex, analógica, três filmes tipo slide; ou câmera reflex digital, e adaptador universal para cabo de sincronismo. Informações pelo tel. (11) 3021 3335/ (11) 30215631 ou cursos@danilorusso.com.br VEJA MAIS: ALESSANDRA LEVTCHENKOEXPOSIÇÕES PRIMEIRO DE MAIO FUTEBOL CLUBE 2008I CONGRESSO DE DECLAMADORESWORKSHOP DE FOTOGRAFIA
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às 4:24 AM
[Quarta-feira, Janeiro 16, 2008]
AMERICANTO AMAR AMÉRICAAmérica Mulher de carnes cruas Pregadas no meu peito Como colunas de ventos colossais Meus gritos são alegria de tambores & montanhas de plástico são doces campos de açúcar & rios de sangue cheios de troncos negros queimados na dança dos teus cabelos que a noite estupra gargalhando América Eu me dou com este corpo de criança Que a tua febre come e joga Para os céus dos chacais Meu corpo virgem nas estradas Que a tua volúpia rodopia Além onde estão todas as promessas Para que o meu gozo encha os mares E enterre todas as florestas Com tempestades de espermatozóides América Tua alegria me embebeda eu sou teu Deus poeta incandescido no teu ventre Teus olhos brilham poemas terríveis Gaivotas criminosas de Ginsberg & me enfeitam & me enfeitam arco-iris de luas gigantescas empoeiradas nos ruídos das motocicletas & há tanta doçura na gasolina matando a sede na minha garganta & alucinógenos & lírios & violetas & roseiras & porres de cocaína & rolos de maconha América América Tua cabeça vomita jovens famélicas Ninfomaníacas crianças sensuais & doces meninas brigando sexualmente pela minha carne espalhada em todos os lugares em todos os bares em todas as praias em todos os cinemas em todos os caminhos que vão & voltam em todos os espetáculos em todas as feiras em todas as casas minha carne ardente espalhada sobre as estrelas & a gosma & os satélites & o câncer & os automóveis luxuosos & a carniça & os prazeres financiados & a merda dos estados unidos América Eu bebo no teu suor correntes De petróleo & ouro & loucura Eu sou um doido & belo êxtase de tua boca Licores estranhos & luxuriantes escorrem & umedecem-me a pele coberta de ilhas dos Andes crispada teu abraço carregadoesmagadormúltiplo como avalanches multi modas coloridas vermelho azul tuas pernas monstruosas rasgam os panos de nuvens de galáxias & me esmagam com todos os desejos com toda a energia dos teus músculos de ferro com toda a fúria das tuas células famintas milhões de balas e besouros guerrilheiros tupamaros estalando nos varais da república desvairada & pombas brancas carregadas de dinamites para festas nas selvas & nos pântanos urbanos América Tuas velas correm lavras vulcânica No meu corpo todo possuído & pelos meus poros estraçalhados entram bandos de sóis argentinos explosivos como noites espanholas & eu me desespero poeta errante & louco sambando & cantando loas africanas nas dunas dos teus seios impetuosos & voo com os meus pés alados na planície arenosa de púrpura & sal para não descansar jamais América América Teus gritos metem jovens nos meus ouvidos De todas as cores & raças mesclados Irmãos nas ruas largas cantando canções Me arrastam alegorias & paises fantásticos de painéis armadilhas de anúncios luminosos & cavalos voadores & dragões & poetas que alimentam-se de bombas atômicas & ventres duros de fome & choros de crianças guitarras & mundos inteiros ansiando a hora em que o fogo da minha carne destrua os lobos & abutres & porcos comedores de cabeças América América doce América Meu corpo te pertence flamejante & duro Nas tuas entranhas me divido Pasto para as tuas carnes vermelhas Minhas caricias são mágicos jardins edênicos & brasílica brisa incendiada teu ventre se abre chão partido & me engole assim com a cólera de séculos pauliceias suicidam-se angustiadas nos escritórios & nas ruas com as cordas dos próprios músculos antes do carnaval & vitimas habituais ferem as suas dores no mesmo lugar agreste de águas América América doce América Arvores & bichos pregados nos meus cabelos Como poros sexuais multiplicam-se Eu sou tua alegria teu corpo teu deus & tu me amas orgasmos de esperanças luzes tontas na intima Amazônia como os trovões da minhas voz & os ardentes sonhos paradisíacos & teu cansaço febril na minha boca América América doce América -*- ORAÇÃO DE NARCISO& se lambeu as mãos se bebeu nos braços se amassou no tórax se fundiu no ventre se partiu carícias se sorveu sussurro se escondeu escama do corpo dentro de si. & se ergueu do chão se apartou dos laços, se estendeu, um touro se abriu em dentes se sortiu de notícias da carne errando urros do corpo cheio de si. & se escorreu então se acendeu mormaço se apossou no clímax se partiu demente se somou lascívias do amor que ateia chamas do corpo mesmo por si -*- PONTE SOBRE ÁGUAS TURVASSe teu sorriso Não movesse o rio Contra as correntes do leito Onde escorre Eu poderia sim eu poderia Cair nesta noite Sem esperança de te encontrar Minha canção é tão pouca Minha canção chove E me faz um homem débil Tua lembrança joga no meu rosto Teus braços cheios De plantas e odores Teus peitos macios de tremores E de nuvens encharcadas Cigarros sapatos cuspo pedaços De árvores e de pássaros E tuas palavras algumas, que eu misturo Com seixos assovios e a melodia Que você gostava de ouvir na minha boca Agora também o céu é feio e não tem graça Tua lembrança me entristece E me enterra Nestes espelhos -*- PARÁFRASE A MAIACOVSKINos demais - isto se sabe naturalmente e mesmo com certa vulgaridade – o sexo está plantado (entre as pernas) num altar sob o ventre, em mim a anatomia bemlouqueceu: sou todo sexo -*- CANÇÃO DE QUEM SE FAZ AMANTEDe que me serve este amor Como uma chaga aberto? Na cidade de criaturas vazias Perdi a noção de mim Enegreci o cheiro do meu calor Enterrei o meu sexo Num buraco de excrementos sem raízes. De que me serve tudo isto & a beleza que eu carrego & as minhas palavras sinceras & a luxuria dos meus gestos expostos? Caminho apenas Para evitar esses desencontros que se forjam A minha espera em cada esquina & se metem casa a dentro pregados na minha roupa & pulando rutilantes na máquina. JUAREIZ CORREYA é poeta, escritor, editor e gestor cultural pernambucano, criador e ex-presidente da Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho. Diretor editorial da Panamérica Nordestal Editora, do Recife (PE). Publicou, entre outros livros: POETAS DOS PALMARES, organização(1973/1987/2002); AMERICANTO AMAR AMÉRICA (1975/1982/1993); POESIA VIVA DO RECIFE, organização (1996); CORAÇÃO PORTÁTIL (1984/1989); POESIA DO MESMO SANGUE,em parceria com José Terra (2007); ARRAES NA BOCA DO POVO - Cordéis & Repentes -,organização (2007). Os poemas aqui transcritos são do livro “ Americanto amar América”. Recife: Nordestal, 1982. VEJA MAIS: JUAREIZ CORREYAPONTE SOBRE ÁGUAS TURVASPOETAS DOS PALMARESPROJETO LITERÁRIO DELICATA
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às 4:54 AM
[Terça-feira, Janeiro 15, 2008]
 Imagem: do artista palmarense Darel Valença Lins. ALOISIO FRAGAEU STOU AQUIEu estou aqui! Na relva que brota de mim mesmo... Na árvore amiga que lhe dá a sombra.... No galho seco de um arbusto morto! Eu estou aqui! Nas lágrimas que jorram dessa fonte Eternizando minha grande dor. E na rocha muda eu já tenho vida. ... e o homem passa sem querer me ver! Eu estou aqui! Ofertando a vida, a mais pura vida E o homem insiste em não querer me ver! Eu estou aqui! Eu estou aqui! Palpitando vida, verdadeira vida, No sopro amigo de uma aragem fresca, Sintetizando, assim, a própria vida.... E o homem foge sem querer me ver! Eu estou aqui! Eu estou aqui! Eu estou aqui!ALOISIO FRAGA nasceu em Palmares, em fevereiro de 1919. escreve há muitos anos, mas em completo ineditismo. Vive em São Paulo, onde se dedica ao comércio. Está preparando um livro de poemas para publicação. In: Poetas de Palmares. Recife:Fundarpe/Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, 1987. VEJA MAIS: POETAS DOS PALMARESELTÂNIA ANDRÉFOLIA TATARITARITATÁ
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Luiz Alberto Machado,
às 4:15 AM
[Segunda-feira, Janeiro 14, 2008]
Ana Rüsche, paulistana, advogada, foi presidente da Academia de Letras da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo no ano 2000, cursa o 3° ano da Faculdade de Letras da FFLCH-USP, pesquisadora integrante do Grupo SADI (Semiótica e Análise do Discurso), membro do Clube Pan. Está lançando o livro Acordados. Veja detalhe no Fórum do Guia de Poesia. VEJA MAIS: FOLIA TATARITARITATÁCRÔNICA DE AMOR POR ELAMÚSICA, TEATRO & CIAPESQUISA & CIABRINCARTEBLOGAGENDA
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Luiz Alberto Machado,
às 5:24 AM
[Sexta-feira, Janeiro 11, 2008]
 Imagem: Ana Pana. TOADALuiz Alberto MachadoCanto a ti o meu sonho E no sonho a minha vida - é só o que disponho E a razão da cantiga. Canto a ti a toada Porque nosso é o destino Que canto desde menino Porque minha é a tua estrada. © Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira Reunião. Recife: Bagaço, 1992. VEJA MAIS: PRIMEIRA REUNIÃOMÚSICAMÚSICA, TEATRO & CIACRÔNICA DE AMOR POR ELABRINCARTEPESQUISA & CIABLOGAGENDA
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Luiz Alberto Machado,
às 4:26 AM
TODA POESIA – excelente blog da poeta, escritora, desenhista e professora Simone Aver. Ela é formada em Letras e é professora de séries iniciais do Ensino Fundamental, em Bento Gonçalves - RS. Na sua página do Recanto das Letras ela reúne toda a sua produção literária. VEJA MAIS: BLOGS POÉTICOSCRÔNICA DE AMOR POR ELAGUIA DE POESIAFÓRUM DO GUIA DE POESIA
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Luiz Alberto Machado,
às 4:22 AM
[Quinta-feira, Janeiro 10, 2008]
O JOGO DA PACIÊNCIAI Deixaste como herança o jogo da paciência Vermelho e negro e no vermelho e negro O sexo e a solidão tua fúria e tristeza Organizadas sobre a mesa Organizado sobre a cama o corpo De pulsação particular teu rosto Faminto quente a tua boca densa Ensinando à minha boca o jogo da veemência Vermelho e negro e no vermelho e negro O sexo e a solidão tua altivez de chama Acesa sobre a cama Paciência paciência inútil jogo De incompleta beleza um pouco de óleo Para o ungido do peito e semente do solo Que quando pus as cartas (uma e outra) Com minha própria mão armei dois polos.-*- O TRATOEra assim meu afeto E assim é que o conservo; Maduro na lembrança E secreto e severo. Não o pus (minha boca Altiva) em gesto ou voz; Meu sol no entanto era Muito mais sol. Não o soubeste, e agora Se sabes, não te dói. Se sabes, não te move, Dizes, e em ti não passou. Não importa; do trato Não fui eu quem faltou. Meu caminho foi feito; Guai de quem não amou.-*- SURREALISTAEm tua boca não há palavras para mim Não obstante o teu amor (e nele creio). Vives um mundo exato; e eu tropeço Nos dias e nos medos. Vou me virar pra dentro, como um fruto Depois da flor; e me como a mim mesma. Vou subir pelo tronco, parasita, Vou cair no poema. Vou voar pelas asas marinheiras De mil e uma, mil e duas borboletas. Ah, vou emudecer solenemente e em verso, Ah, vou me suicidar como Santos Dumont. Quando me procurares, meu amor, Verás no meu lugar a casaca da libélula E um fio de cabelo “ton sur ton”.-*- DECLARAÇÃO DE ÚLTIMA VONTADEQuando eu estiver pra morrer Levem-me depressa a Madrid, Avisem Juan Carlos e Sofia E preparem o Teatro Real. Flores vermelhas e amarelas, Tapetes pendurados nas janelas E os reis – tão acertados, tão repousantes. Tanto, a essa altura, já será vitoriosa A revolução socialista... Por que não posso morrer monárquica? Por que não posso me enterrar antiga? É um velho desejo, um conflito insopitado. Levem-me para a Praça Isabel Segunda (antes, Praça da Ópera) e deixem que o povo venha vender castanhas no meu enterro - esse povo, para sempre dividido entre a revolta e o amor ibérico às bandeiras. Mas se alguém me quiser ainda viva Pra responder por malfeitos Ou retribuir um beijo Bastará que ordene à banda para atacar “La Revoltosa”. Em dez segundo estarei de pé Com um cravo na orelha E um touro vivo no coração.-*- POÉTICA PARA O POVOEu me proponho escrever o Poema Eu te convoco e peço uma pena Prometo dar o sangue Se deres a palavra Prometo dar à luz Se me deres a alma Prometo dar um grito Se me ferires a faca De tudo isso há de sair o Poema Palavra, sangue e faca Um riso na garganta, uma exigência De espaço.A poeta, escritora, dramaturga, ensaísta e tradutora paulista, Renata Pallottini fez Filosofia na PUC e Direito na USP, estudos de teatro na Sorbonne Nouvelle e na Escola de Arte Dramática – EAD, se doutorando pela Escola de Comunicações e Artes – ECA/ISP. Ela é autora, dentre outras peças, de Pedro Pedreiro que tem música de Chico Buarque. Apesar de intensa atividade no teatro, na TV, como professora e em atividades administrativas ou políticas, é na poesia que Renata Pallottini encontra seu chão mais rico e fecundo. Os poemas aqui selecionados fazem parte do seu livro “ Noite Afora”. PALLOTTINI, Renata. Noite afora. São Paulo: Brasiliense, 1978. VEJA MAIS: RENATA PALLOTTINIEXPOSIÇÃO FOTOGRAFIA DO CARIRI - SESC JUAZEIROBLOG PONTOS DE CULTURACARNAVAL FOLIA TATARITARITATÁ
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Luiz Alberto Machado,
às 6:09 AM
[Quarta-feira, Janeiro 09, 2008]
MIA COUTOCOMPANHEIROSQuero escrever-me de homens quero calçar-me de terra quero ser a estrada marinha que prossegue depois do último caminho e quando ficar sem mim não terei escrito senão por vós irmãos de um sonho
por vós que não sereis derrotados deixo a paciência dos rios a idade dos livros mas não lego mapa nem bússola porque andei sempre sobre meus pés e doeu-me às vezes viver hei-de inventar um verso que vos faça justiça por ora basta-me o arco-íris em que vos sonho basta-te saber que morreis demasiado por viverdes de menos mas que permaneceis sem preço companheiros-*- A FABULA DO MACACO E DO PEIXEUm macaco passeava-se à beira de um rio, quando viu um peixe dentro de água. Como não conhecia aquele animal, pensou que estava a afogar-se. Conseguiu apanhá-lo e ficou muito contente quando o viu aos pulos, preso nos seus dedos, achando que aqueles saltos eram sinais de uma grande alegria por ter sido salvo. Pouco depois, quando o peixe parou de se mexer e o macaco percebeu que estava morto, comentou - que pena eu não ter chegado mais cedo.-*- POEMA MESTIÇOescrevo mediterrâneo na serena voz do Índico sangro norte em coração do sul na praia do oriente sou areia náufraga de nenhum mundo hei-de começar mais tarde por ora sou a pegada do passo por acontecer-*- Mia Couto nasceu na cidade de Beira, Moçambique, em 1955. Licenciado em Biologia pela Universidade Eduardo Mondiane. Dirigiu a Agência de Informação de Moçambique, a revista Tempo e o jornal Notícias de Maputo. É membro da Organização Nacional de jornalistas e da Associação de Escritores Moçambicanos. É um dos escritores moçambicanos mais conhecidos internacionalmente. Estreou com o livro de poesia Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Outras obras: CONTOS: Vozes Anoitecidas (1986), Cada Homem é uma Raça (1990), Estórias Abensonhadas (1994), Contos do Nascer da Terra (1997), Na Berma de Nenhuma Estrada (1999) e O Fio das Missangas (2003). ROMANCES: Terra Sonâmbula (1992), A Varanda do Frangipani (1996), Mar Me Quer (1998), Vinte e Zinco (1999), dentre outros. Em 1999 recebeu o Prêmio Vergilio Ferreira pelo conjunto de sua obra. Em 2007 recebeu o Prêmio União Latina de Literaturas Românticas e foi vencedor do prêmio Zaffari & Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura. VEJA MAIS: POETAS MOÇAMBICANOSARTISTAS MOÇAMBICANOSI BIENAL INTERNACIONAL DA POESIA DE BRASILIASAMPOEMAS III – CASA DAS ROSASFREUD E LACAN - falados 1, de Miguel Oscar MenassaPALESTRA: CORDEL E XILOGRAVURA POPULAR NORDESTINABRINCARTEE PARTICIPE DO CARNAVAL FOLIA TATARITARITATÁ!!!
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Luiz Alberto Machado,
às 3:37 AM
[Terça-feira, Janeiro 08, 2008]
Rubens da Cunha acaba de lançar o livro “Aço e Nada” que é uma seleção das crônicas publicadas no Anexo do jornal A Notícia entre fevereiro de 2004 e março de 2007. Ele escreve para o Jornal desde 2004 todas as quartas feiras. O livro foi um dos vencedores do Edital de Apoio à Cultura promovido pelo Governo Municipal de Joinville. As crônicas foram agrupadas em quatro grandes temas: 1 - Os animais dentro - crônicas com personagens, de cunho mais existencialista 2 - O olho vigiador - são olhares sobre a cidade, o urbano 3 - O corpo da gratidão - crônicas poéticas, odes e cantos a assuntos diversos 4 - O morador das palavras - Crônicas que divagam sobre o ato de escrever, poesia, palavras... Trata-se do seu terceiro livro publicado. Os outros dois são 'Casa de Paragens' pels EDUFSC e 'Campo Avesso' pela Ed. Letra D'água. O 'Aço e Nada' saiu pela Design Editora. VEJA MAIS: ASSOCIAÇÃO POETAS NA PRAÇACRÔNICA DE AMOR POR ELAe MÚSICA.
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Luiz Alberto Machado,
às 3:48 AM
[Segunda-feira, Janeiro 07, 2008]
 Foto: E o vento se fez carne, de Tchelo d´Barros. A palavra fotografia, segundo enciclopédias consultadas, é oriunda, inicialmente, da palavra heliographic, criada em 1810 pelo físico francês Joseph Nicéphore Niepce (1765-1833). Posteriormente, veio a palavra photogenic, em 1839, criada pelo físico inglês William Henry Fox Talbot (1800-1877). E, finalmente, da palavra photographic citada em 1839, pelo astrônomo inglês Sir John Frederick William Hershel (1792-1871). Sua definição nos dicionários leva a generalização diversa, sendo compreendida como a arte e processos de fixar, pela ação da luz, a imagem de objetos sobre uma superfície sensível e, por extensão, a reprodução da imagem assim obtida. Tal definição é inclusiva, porque pode ser estendida a técnicas de reprodução de imagens que têm denominações específicas e distintivas. A sua história tem início em 1822, quando o francês Joseph Nicéphore Niepce colocou dentro de uma câmara primitiva uma folha de papel quimicamente sensibilizado e apontando essa câmara a uma mesa posta em seu jardim, conseguindo fixar no papel, após uma exposição de várias horas, uma tênue imagem da realidade. Essa fotografia seria a primeira conseguida no mundo. A teoria por detrás da experiência de Niepce, no entanto, remonta à Renascença, pois foi Leonardo da Vinci quem primeiro descreveu o método e os efeitos da câmara escura. Da Renascença até o séc. XIX, vários pintores e desenhistas se utilizaram desse fenômeno físico para melhor reproduzirem a realidade, lançando mão de caixas de madeira pintadas de preto, chamadas, portanto, câmaras escuras. Foi aí que Niepce interessou-se pela litografia, quando esse processo reprodutivo foi aperfeiçoado. Na mesma época, outro francês, o pintor e cenógrafo Louis Jacques Mande Daguerre (1787-1851) criou em 1837 o daguierreótipo. Daí a França divulgou o processo ao mundo inteiro. Por volta de 1840, o físico inglês William Henry Fox Talbot patenteia sua criação usando um sistema de negativo-positivo, apontando para o desenvolvimento técnico do futuro. Os talbótipos copiavam quantos positivos o fotógrafo quisesse. Em 1851 a chapa molhada substituía o daguerreótipo e o calótipo, aperfeiçoada pelo pintor inglês Frederick Scott Archer. Finalmente surgiram em 1880 as chapas secas quando a partir disso a fotografia passa a ser quase a mesma dos dias atuais, pois foi o norte-americano George Eastman (1854-1932) que em 1878 que dá o passo decisivo para a fotografia moderna. A arte fotográfica ganha impulso com Alfred Stieglitz (1864-1946) e, posteriormente, o jornalismo que terminou por fazer da fotografia moderna uma mensagem presente em qualquer lar. No Brasil a fotografia chegou no Rio de Janeiro, via daguerreótipo, em 1840, hoje consagrada pela arte de Sebastião Salgado, Miguel Rio Branco, Vick Muniz, Mario Cravo Neto, dentre outros. O dia 8 de janeiro é consagrado à fotografia e ao fotógrafo. Em razão disso, fotógrafos natalenses organizam exposição fotográfica e caminhada ecológica para celebrar a data. A Associação Potiguar de Fotografia – Aphoto, preparou uma programação para celebrar o Dia Nacional da Fotografia, 8 de janeiro, com seus associados e fotógrafos. As atividades culturais da Aphoto têm o propósito de agregar a fotografia como lazer e intercâmbio entre fotógrafos amadores e profissionais. Neste dia, a partir das 14h, sob o comando do fotógrafo Canindé Soares e com o apoio da Associação Potiguar de Fotografia, haverá um varal fotográfico na comunidade do Maruim, onde foram registradas cenas da própria comunidade por membros da Aphoto, no ano passado. Na ocasião, acontecerá distribuição de brinquedos, balas e doces para a criançada que mora no Maruim, além da entrega das próprias fotos do varal para as pessoas da comunidade que serviram de modelos para as fotos expostas. Ainda no Dia Nacional da Fotografia, 8 de janeiro, a partir das 18h, o salão nobre do Restaurante Galileu abrigará a exposição fotográfica coletiva “Foco Potiguar”, apresentando 40 imagens do Rio Grande do Norte clicadas pelos membros da Associação Potiguar de Fotografia. A exposição “Foco Potiguar” ficará em cartaz até o carnaval. SERVIÇO: Varal Fotográfico no Maruim Onde: Comunidade do Maruim Quando: 08 de janeiro Horário: 14h00. Local de Encontro: Mercado do Peixe (praça de Alimentação) Exposição Fotográfica “Foco Potiguar” Onde: Restaurante Galileu (av. Prudente de Morais) Quando: a partir do dia 8 de janeiro. Horário: 18:00. APHOTO http://www.flickr.com/photos/apofoto/ Informações: 8817-3359 ou alex-gurgel@oi.com.br Também a equipe da Eco Jornada estará realizando a Mostra Fotográfica "ECO JORNADA". Local: Café Matisse - (CIC) Centro Integrado de Cultura. Data: de 08 à 28 de Janeiro de 2008. Endereço: Av. Irineu Bornhausen 5600 – Florianópolis/SC. Vernissage dia 08 de Janeiro de 2008 as 20h com Show do Mustache Maia Trio. Info: www.ecojornada.com.br Germano Preichardt manoge@gmail.com Tel: (51)8403.8093/ 3213.3464 Presidente do Paralelo 30 Fotoclube www.confoto.art.br/paralelo/ http://paralelo30fotoclube.blogspot.com/ Veja mais: JOMARD MUNIZ DE BRITTORUBENIO MARCELOe PREMIO LITERARIO LIVRAIRA ASABEÇA
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Luiz Alberto Machado,
às 6:26 AM
[Sexta-feira, Janeiro 04, 2008]
ELITA DE ARNALDOLuiz Alberto MachadoEnquanto eu brincava no tempo e na terra, ela me deu seu sorriso de sempre menina sapeca do Galozé, o valente. Vinha da rua da calçada alta de nossas meninices, com seu jeito e farda do Ginário, bumbos pela Cumade Fulosiinha, rio Una, Curupira e Trombetas de nossa fantasia. A gente misturava bagaço no peito e na raça até chorar com meu filho na U.T.I. E ríamos muito, até na canção de Clarinha por Arnaldo, que eu nunca mais entoeei. Hoje eu cantei Clarinha porque nunca tive mais que a minha dor num verso solidário. Hoje ela beija minha manhã com seu riso de sol. In: Elita Ferreira: homenagem da Família Bagaço à Elita Ferreira, por ocaisão do IV Festival Recifense de Literatura A Letra e a Voz, em agosto de 2006. Recife: Bagaço, 2006. Veja mais Elita Afonso Ferreira e Primeira Reunião. Não deixe de ver as previsões do Doro para 2008. E vem aí o Carnaval Folia Tataritaritatá!
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Luiz Alberto Machado,
às 5:12 AM
[Quinta-feira, Janeiro 03, 2008]
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