sexta-feira, junho 05, 2009

O TRÂMITE DA SOLIDÃO



Imagem: foto de Derinha Rocha.

O FERVOR DA INSÔNIA

Luiz Alberto Machado

Quero apenas um copo d’água!
Um copo d´água apenas e suas mãos.

Apesar de saudável
Serei examinado e a minha doença me condenará
E eu serei declarado imundo
E me lançarão por fim
Fora do arraial.

Condenado fui,
Açoitado por todos.
Estrangeiro eu sou.

E me levaram o futuro
E me roubaram o sono
E previ a insônia.

Pudera.
Tenho a casa e a glória no vento
Meus bolsos estão todos vazios

Fui até o fundo do inferno
E estou armado de luz

Anjo nenhum me avisou
E me acrescenta o que perco
Quixote dos meus ideais

A solidão me eletrocuta
Sou estrangeiro aqui

Por vontade própria optei pela solidão

Vou só
O coração a bombordo
Lutando contra meus próprios moinhos de vento

Na minha morte me recusarão o chão
Não terei nada e serei feliz.

Deixo o mundo com seu caleidoscópio
E todas as lembranças dos sonhos
A coroar meu encontro comigo mesmo nos jardins do Éden

Enquanto isso eu vou só
Desfiando meu rosário e confessando que sou estrangeiro aqui

Não estou arrependido e nem quero ser perdoado
Nenhum céu me salvará
Só a solidão.

Veja mais: O TRÂMITE DA SOLIDÃO



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quinta-feira, junho 04, 2009

FLIP, TCHELLO D´BARROS, DOMINGOS PELLEGRINNI & TATARITARITATÁ!!!




FLIP – FESTA LITERARIA INTERNACIONAL DE PARATY – A FLIP se consolida no calendário mundial e reúne 34 autores de nove nacionalidades fazendo homenagem a Manuel Bandeira. Entre os dias 1 e 5 de julho de 2009, estarão em Paraty 34 autores, reunidos em 18 mesas que vão abordar de poesia a ciência, do jornalismo literário à crítica musical, da literatura portuguesa à história, do conto e dos quadrinhos à arte contemporânea. O escritor português António Lobo Antunes é um dos destaques da ficção na FLIP deste ano. Vencedor do Prêmio Camões em 2007, é considerado um dos maiores prosadores lusitanos depois de Eça de Queirós. Autor de clássicos como As naus, Os cus de Judas e Meu nome é legião (seu livro mais recente publicado aqui), o autor não vem ao Brasil desde 1983 e já deixou claro que sua verve polemista não passará em branco durante a estada em Paraty. O jornalista americano Gay Talese, que na FLIP conversa com o jornalista brasileiro Mario Sergio Conti, é um dos criadores do chamado jornalismo literário. Talese participa da festa depois de quarenta anos de carreira, ao longo dos quais escreveu clássicos do jornalismo mundial como o perfil “Frank Sinatra está resfriado”, do livro Fama e anonimato. Não é pequena a expectativa em torno de sua presença, como já deixaram claros os depoimentos, resenhas, entrevistas e reportagens a seu respeito publicados recentemente na imprensa brasileira. O biólogo inglês Richard Dawkins, seguidor de Charles Darwin e autor de Deus, um delírio, é um dos principais evolucionistas em atividade no mundo. Em 2009, quando se comemoram o segundo centenário de nascimento de Darwin e os 150 anos da publicação de A origem das espécies, Dawkins está entre os intelectuais mais solicitados do mundo para participar de debates e conferências. Que tenha aceitado o convite da FLIP num momento tão atribulado é indício claro da importância adquirida pela Festa Literária. Parceiros em diversos festivais literários internacionais, a irlandesa Anne Enright, ganhadora do Booker Prize de 2007, e o americano Tobias Wolff, um dos principais contistas da atualidade, discutem o tema da crise da estrutura familiar em suas obras. A irlandesa Edna O’Brien tem um estatuto parecido com o de Wolff no Brasil: autora que figura entre os nomes de maior destaque em seu país de origem, ainda não teve aqui a atenção que merece. Sua mesa na FLIP pretende alterar esse panorama. E a partir de um tema quente: ela teve exemplares de seu romance de estreia, Country Girls, queimados pela comunidade religiosa local na década de 1960, devido à crueza com que descrevia a vida sexual de suas personagens. Edna O’Brien fala dos sentidos da transgressão na atualidade ao lado da francesa Catherine Millet, autora do autobiográfico e não menos escandaloso A vida sexual de Catherine M. A literatura chinesa estreia na FLIP com o escritor Ma Jian e a jornalista Xinran, ambos radicados na Inglaterra, cujos livros fazem retratos críticos de uma China pouco condizente com a imagem de liderança global a que o país aspira. No momento em que se completam vinte anos do massacre da Praça da Paz Celestial, tema do livro de Ma Jian, a mesa tem o objetivo de contribuir para uma reavaliação do autoritarismo na China. Tudo isso e muito mais. A 7a. FLIP também trará novamente Chico Buarque, que volta para falar de Leite derramado, romance recém-lançado. Ele participa de mesa com o romancista Milton Hatoum, autor dos premiados Dois irmãos e Cinzas do Norte, que também volta à FLIP depois de memorável participação em 2003. Além da Conferência de Abertura, que será proferida pelo crítico Davi Arrigucci Jr., Manuel Bandeira é assunto de duas outras mesas. Representantes de destaque da nova poesia brasileira, Heitor Ferraz, Eucanaã Ferraz e Angélica Freitas discutem a atualidade da obra do poeta pernambucano. O professor e pesquisador Edson Nery da Fonseca e o jornalista Zuenir Ventura compartilham suas memórias e impressões do escritor modernista, que foi amigo de Fonseca e professor de literatura de Zuenir. Além disso tudo tem muito mais, confira no site da FLIP que é uma realização da Associação Casa Azul, presidida por Mauro Munhoz. A Casa Azul desenvolve trabalhos de revitalização em Paraty e mantém um programa educativo continuado na região, com o objetivo de transformar a cidade histórica fluminense em modelo de turismo cultural e em uma cidade de leitores.



Foto: Gian Gadotti.

TCHELLO D´BARROS - Tchello d’Barros - Maceió/AL - participa com gravura inédita na megaexposição Doce-de-Santo, em Salvador/BA. O artista visual Tchello d’Barros volta a expor na capital soteropolitana, após apresentar em Maceió sua terceira exposição consecutiva, no período de um mês – “Graphos & Chromos” no Mandala Cultural; “Semblanteria Pop” no projeto Fashion 20Vinte | Iguatemi; e “Transfigurações” no Teatro Linda Mascarenhas | IZP, no projeto Música e Artes. No paralelo participou em maio, com gravura, poema e texto em prosa, da mostra “Panorama: A Vida Não Tem Ensaio”, no ICBA | Instituto Goethe, de Salvador/BA, um projeto do internacional Gil Bastos Vieira. O convite foi decorrência de sua primeira exposição em terras baianas, a individual “Labiríntimos” (2006) ocorrida na EBEC – Galeria de Artes, com curadoria da histórica Matilde Mattos, da ABCA - Associação Brasileira de Críticos de Artes. Na condição de artista-convidado, Tchello retorna agora com a gravura Dual, produzida especialmente para o projeto Doce-de-Santo – coordenado pelos premiados artistas Luís Cláudio Campos e José Henrique Barreto - que apresentará na Galeria ACBEU as imagens produzidas por 365 artistas brasileiros, número referenciado pelo mito de que na Bahia há uma igreja para cada dia do ano. SERVIÇO QUEM: Tchello d’Barros (Maceió/AL) + 364 artistas do Brasil Curadoria de Luís Cláudio Campos e José Henrique Barreto ONDE: Galeria ACBEU | Instituto ACBEU Av. Sete de Setembro, 1883, Corredor da Vitória Salvador – Bahia – Brasil Fone: 71 – 3444-4449 QUANDO: Abertura 05 de junho 2009 – 19h Visitação: 06 à 20 de junho Mais informações:Tchello d’Barros 82 – 8857.1967 www.tchello.art.br

LITERA-PE: OS CEM POETAS SEM LIVROS - O Movimento pela Edição, Divulgação/Distribuição e Consumo de Livros Pernambucanos, o Litera PE, lança a antológica coletânea Cem poetas Sem livros – Inéditos, reunindo 100 poemas da autoria de igual número de poetas e poetisas. O recital poético e coquetel de lançamento acontece no Instituto Maximiano Campos (IMC), na rua do Chacon, 335, Casa Forte. A cerimônia inicia às 19h da quinta-feira (09.07) e promete varar a noite com sarau poético participativo. A edição do livro é assinada pelo jornalista e poeta Cristiano Jerônimo (que acumula a coordenação, edição, designer, diagramação e produção ao lado da jornalista Meri Rezende). A impressão é um incentivo da CCS Gráfica e Editora, sensibilizada com a natureza do projeto. Tem o apoio cultural da Fundaj (Diretoria de Cultura) e co-patrocínio do Instituto Maximiano Campos (IMC). Mais de 120 autores(as) se inscreveram, com cinco poemas cada um, para participar da antologia. O Conselho Editorial – formado por Cida Pedrosa, poetisa e editora do www.interpoetica.com; a psicóloga, poetisa e jornalista Lourdes Coelho; o radialista e escritor Fernando Farias; e o jornalista e poeta Cristiano Jerônimo – ficou a cargo de selecionar os 100 participantes. O acadêmico pernambucano e advogado Antônio Campos, através do IMC, apadrinhou o projeto num gesto de compromisso também com a nova produção literária. SERVIÇO: O quê? Lançamento oficial da coletânea Cem poetas Sem livros Quando? Às 19h da quinta-feira (09.07) e promete varar a noite com sarau poético participativo Onde? Na rua do Chacon, 335, Casa Forte. Entre a Praça de Casa Forte e a Praça Flor de Santana, em frente ao CPOR, é na rua onde Dr. Miguel Arraes e Ariano Suassuna moraram recentemente.



DOMINGOS PELLEGRINI – Nesta sexta, dia 5 de junho, às 19hs, no Espaço Plaenge, Av. Madre Leônia Milito 1700, Domingos Pellegrini lançará o seu romance Bendito Assalto. O premidadíssimo escritor, jornalista, publicitário e poeta paranaense Domingos Pellegrini é autor dos livros Terra Vermelha, O Caso da Chácara Chão e O Homem Vermelho, dentre outras obras. tendo por estas duas últimas obras ganho o Prêmio Jabuti 2001 com o romance "O caso da chácara chão", Editora Record. Veja mais aqui no Varejo Sortido.

COORDENAÇÃO DE ASSUNTOS CULTURAIS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS – CAC-UFAL – Blog universitário que busca um dialogo com a sociedade alagoana a respeito da cultura no Estado de Alagoas, contendo ainda eventos, editais e noticias. Confira.



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A partir de segunda, 08/06, o Sarau dos Namorados no blog Crônica de amor por ela.

quarta-feira, junho 03, 2009

VITOR CESAR & DICAS TATARITARITATÁ!!!!



VITOR CESAR – Artista, público e esfera pública. Esses três conceitos – próximos e imbricados, cada vez mais atuais na arte contemporânea – são o ponto de partida para a discussão que o artista Vitor César intenta através da exposição “Sobrepostas, permeáveis e intercambiáveis”, a ser aberta nesta quinta-feira, 4 de junho, às 19h, no Centro Cultural Banco do Nordeste-Fortaleza (rua Floriano Peixoto, 941 – Centro – fone: (85) 3464.3108). Gratuita ao público, a mostra individual de Vitor César ficará em cartaz até 31 de julho (horários de visitação: terça-feira a sábado, de 10h às 20h; domingo, de 10h às 18h). A exposição apresenta – formalmente – a figura do curador, o também artista Jorge Menna Barreto. Curador quase entre aspas: a relação que se procura aqui é de horizontalidade. “O Jorge é um interlocutor com quem eu discuti essas questões a partir do trabalho”, explica Vitor. Os dois são orientandos da mesma professora, Ana Maria Tavares, na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (USP). Vitor no mestrado e Jorge no doutorado. As afinidades intelectuais aproximaram os dois, e a troca de ideias ficou cada vez mais profunda, até chegar aqui. Vitor aponta outra característica da exposição. Mais que uma mostra de obras de arte, o artista apresenta trabalhos que discutem, sob o viés da arte contemporânea, o conceito de esfera pública. “A ideia de esfera pública que tem me interessado no momento é a de um lugar que se cria – independente do assunto – para se discutir e definir posições políticas em relação ao mundo”. Arte como postura política. Os trabalhos refletem essa escolha. O primeiro deles está posto do lado de fora do CCBNB e piscam em neon: Centro (é) Cultural. “Esse tem diferentes camadas para se pensar. Eu sou artista; ele é, portanto, um trabalho de arte, mas o espectador não precisa olhar como se fosse um trabalho de arte”. Dentro das salas, outros trabalhos acompanham não essa camada, mas outras, no intuito de dar amplitude ao debate: “Artista é público”, “Hoje grátis fotocópias com a palavra público” e “Vocabulário de artista”. Vitor César é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Ceará-UFC (2003). Atualmente realiza pesquisa de mestrado em Poéticas Visuais na ECA/USP, onde investiga diferentes noções de público em práticas artísticas, sob orientação de Ana Maria Tavares. Membro da Transição Listrada, desenvolve em colaboração com diferentes artistas o projeto BASEmóvel (desde 2002). Co-organizou com Graziela Kunsch o projeto Arte e Esfera Pública – http://vitorcesar.arte-esferapublica.org/, por meio do Edital Conexão Artes Visuais da Funarte, São Paulo (2008). Realizou uma oficina no Museu de Arte da Pampulha para os seus artistas-bolsistas sobre site-specificity e esfera pública em parceria com Jorge Menna Barreto (2008). Selecionado no Rumos Artes Visuais 2008/2009 do Itaú Cultural, realizou mostras individuais no Centro Cultural Banco do Nordeste, em Fortaleza (2005), Centro Cultural São Paulo (2004) e Fundação Joaquim Nabuco, em Recife (2003). Dentre as mostras coletivas que participou, destacam-se: Da rua: que pintura é essa?, Funarte, São Paulo (2009); Cartas/Trajetos, Centro Cultural Energisa, João Pessoa (2009); Campo Coletivo, Centro Cultural Maria Antonia, São Paulo (2008); Not Sheep – New Urban enclosures and commons, ArtSpeak gallery, Vancouver, Canadá (2006); e Bienal Ceará América - De ponta cabeça, Fortaleza (2002). Foi artista residente do MuseumsQuartier em Viena, Áustria (2006) e do Branco do Olho, em Recife (2009). Participou do Taller de Proyectos com Antoni Muntadas na Fundação Marcelino Botín em Santander, Espanha (2008) e do In Between Zone Workshop. Impex: Contemporary Art Provider, Budapeste (2007). Tem realizado projetos gráficos colaborativos com diferentes parceiros como o Centro Cultural São Paulo, Centro Cultural da Espanha em São Paulo e a Revista Ars (Pós-graduação ECA/USP) e Revista Urbânia. Jorge Menna Barreto é formado em Artes Plásticas pela UFRGS e mestre em Poéticas Visuais pela USP. Atualmente cursa o doutorado na mesma instituição, sob orientação de Ana Maria Tavares. Tem investigado, como artista e pesquisador, sobre a relação do trabalho de arte com o seu contexto e os possíveis desdobramentos da prática do site-specific na atualidade, além da utilização e absorção acrítica deste termo e conceito no contexto brasileiro. Publica regularmente artigos e dá palestras e cursos a este respeito. Práticas visuais e discursivas se mesclam em sua trajetória, seja como professor, artista, educador ou crítico. Coordenou o educativo do Paço das Artes [SP], criando o Grupo de Educação Colaborativa [2007]. Entre suas exposições coletivas estão a Bienal de Havana [2000], a Bienal do Mercosul [2001] e o Projeto Rumos Itaú Cultural [2002]. Entre as exposições individuais, destacam-se a intervenção no Torreão em Porto Alegre [2000], na Artspot Gallery em Atlanta, EUA [2003] e no Paço das Artes [2007]. É membro do Linha Imaginária e dos coletivos Laranjas e Rejeitados. Também faz parte do grupo de críticos do Centro Cultural São Paulo, exercendo curadoria e crítica. Exposição individual de Vitor César discute o conceito de esfera pública em práticas artísticas Sobrepostas, permeáveis e intercambiáveis, exposição de Vitor César, com curadoria de Jorge Menna Barreto, entra em cartaz no Centro Cultural BNB-Fortaleza, nesta quinta-feira, 4 de junho, às 19 horas ENTREVISTAS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS: Luciano Sá (assessor de imprensa do Centro Cultural Banco do Nordeste) – (85) 3464.3196 / 8736.9232 – lucianoms@bnb.gov.br

I ENCONTRO ALAGOANO DE FOTOJORNALISMO - O I Encontro Alagoano de Fotojornalismo, acontece no dia 03 de junho, no auditório da Biblioteca Central da UFAL, das 16h00 às 20h30 horas. As inscrições podem ser realizadas no Diretório Acadêmico do Curso de Comunicação Social, no horário das 15h00 às 21h00 horas, no valor é de R$ 5,00. Contato: encontrofotojornali smo@hotmail. com Vagas limitadas!

ARTE CONTEMPORÂNEA - Saccharum BA: uma mostra que aborda o açúcar no seu contexto sócio-cultural entra em cartaz, dia 15 de junho, no Museu de Arte Moderna de Salvador. A exposição coletiva traz artistas brasileiros e estrangeiros reconhecidos internacionalmente, a exemplo dos baianos Marepe e Ayrson Heraclito, do alemão Jonathan Meese, da canadense Shelley Miller e do africano Meschac Gaba. A iniciativa é uma parceria entre o MAM, o Goethe-Institut (ICBA) e a Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (UFBA). A curadoria da mostra é da professora da EBA, Alejandra Muñoz. O MAM fica na Avenida Contomo, s/nº, Solar do Unhão. A exposição se encerra no dia 19 de julho. Outras Informações: (71) 3117-6139 ou mam@mam.ba.gov.br/.

CURSOS - TRADUÇÃO LITERÁRIA E POÉTICA: PROCEDIMENTOS, organizado pela Casa Guilherme de Almeida, que abordará a tradução de poesia antiga. Ministradas pelo professor João Ângelo de Oliva Neto, doutor em Letras Clássicas pela Universidade de São Paulo e professor de Língua e Literatura Latina na mesma universidade, as aulas acontecem nos dias 2 e 9 de junho, das 19h30 às 21h30 na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura. O taxa de inscrição é de R$ 10,00. Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura AV. Paulista, 37 Tel: 11 3285-6986 www.poiesis.org.br

PROJETOS CULTURAIS - Oficinas para elaboração de projetos culturais, com intuito de capacitar o setor , serão oferecidas nesta quarta, quinta e sexta-feira (3, 4 e 5), em Maceió, Campestre e Santana do Ipanema. A iniciativa é do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), por meio do Programa BNB de Cultura/AL. As inscrições, para os editais do BNB, serão abertas a partir de 29/06 e seguem até 24/07. Serão contemplados, neste edital, projetos nas áreas de Música, Artes Cênicas, Artes Visuais, Artes Integradas, Audiovisual e Literatura. O Programa é uma parceria do BNB com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Oficina de Maceió acontece no auditório da Superintendência Estadual do BNB, a partir das 14h (Rua da Alegria, 407, Centro). Outras informações: (85) 3464.3109 ou 3464.3196.Entre no site: (www.bnb.gov.br).

SEMINÁRIO NA PARAÍBA - Sousa, na Paraíba, foi a cidade escolhida para sediar o Seminário Nordestino da Identidade e Diversidade Cultural 2009. O encontro, que acontece de 6 a 8 de agosto, irá instaurar o debate sobre a gestão das políticas culturais na região nordeste e faz parte do Calendário de discussões do Plano Nacional de Cultura. Estarão reunidos no evento cerca de 200 gestores públicos de vários municípios nordestinos, além de representantes de entidades da sociedade civil. Mais informações: decompmsousa@gmail.com/

FOTOGRAFIA EM LIVRO - Fotografias que revelam o contexto cultural envolvido no bairro mais antigo da capital paraibana. Na busca por registrar esse conteúdo Gustavo Moura e Wênio Pinheiro lançam o livro e a exposição fotográfica: Nação Jaguaribe, nesta quinta-feira (04), às 20h, no Casarão 34. A proposta do livro é ser um registro do bairro que é considerado o berço cultural de João Pessoa. Por lá, viveram grandes nomes da cultura paraibana, como o poeta Lúcio Lins. As fotos serão apresentadas em preto e branco. O livro buscou, também, contrapor o velho e o novo, mesclando a modernidade com a arquitetura antiga do bairro. O evento acontece na Rua Visconde de Pelotas, 34, Praça Dom Adauto, Centro. Outras informações: (83) 3218-9708 ou 8863-0835.



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terça-feira, junho 02, 2009

CORDEL TATARITARITATÁ



TATARITARITATÁ

Luiz Alberto Machado

Quando abri a porteira deste mundo
que eu nasci da vontade dos meus pais
eu trelei de menino até rapaz
um bruguelo reinava vagabundo.
Pelejei nos pinotes mais profundos
pulei cerca e cruzeta até demais
muita bronha na inheta e coisa e tais
se espremendo na volta da compressa
vamos logo aprumar essa conversa
apois é tataritaritatá.

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POETAS DE SÃO PAULO



CLAUDIA BRINO

Apressei meus olhos em busca do real
E a verdade não veio
Escrevi a história de minhas digitais
No seu sexo
E não houve nenhum gozo
Senti quando do céu
A dor caiu
E se alojou na coluna vertebral da terra
Pedi para afastar essa luz velha e gentil
Da minha face
Mas não me entenderam
E para todo o sempre
A terra será o subterrâneo do céu.

Não prometa o dia de amanhã
Porque a ferrugem me corroi
Pois sou a própria mentira
Que inventaste
Hoje estou lúcida
Não sai catando migalhas de mim
Em meu delírio pergunto:
A alma da lâmpada é a luz?
Eu sei da verdade
De sermos pântano na verdade alheia
Quis escrever um poema no teu lábio
E
Por isso
Beijei-te.

O amanhã é a única família que temos
E o dia verdadeiro começa
Na entranha do desejo
E o amanhã já chove
No dia de hoje
Chove horas
Desesperadas e invisíveis.

Uma gota de desejo
Feito perfume
Desliza em sua pele jasmim
E a carne
Toda nua
Toda pura
Toda Eros
É uma ilha de fantasia
Eu mordo avidamente
Seu pensamento
E seu lábio me sorri
Não quero ressuscitar a dor do peixe
Mas preciso dizer:
Hoje a solidão de ontem
É algo inevitável.

Amarei o silencio
O silencio que meu coração
Cala
O silencio que minha alma
Revela
O silencio que toda carne
Clama
O silencio que toda vitima
Espera
O silencio que toda palavra
Ignora
O silencio da mosca
No prato
O silencio
Do meu rastro
O silencio
Do meu mistério

Sua mão cheia de malicia
Marca meu sexo
Sua mão em minha boca
Retira o beijo de ontem
Há entre nós a desilusão
Visceral de todo gozo
Há entre minhas pernas
Um mistério de mulher
Virgem e inacabada
Há entre minhas pernas
Um lugar que você pode
Chamar de lar
Fale comigo
Como se a palavra
Em crisálida
Estivesse em sua garganta.

Tenho em minhas mãos a ilusão obtusa
Que você deixou de presente
Desejo retirar da pele essa chuva
Desejo retirar da carne esse nada
Voce é apenas um pecado
A mais no meu diário
Às vezes
Sinto meu coração como
O infinito desperdiçado do mundo
Quero agora
Silenciar meu abandono
E repartir consigo
O segredo de ontem
Em sua pupila meu rosto é um pingo
No pensamento.

Dentro das horas
O som de delírio
Almas carnívoras
Invadem nossas bocas
E rugem no inferno
Fará alguma diferença
Se minha ausência
Habitar seu coração?
Meu olhar pecaminoso
Finge colher estrelas.

Quando a saudade chega
Não me entrego facilmente
Continuo almoçando
E jantando pesadelos
Quando a saudade chega
Como um eco
Cria em mim
Palavras mil
E de solidão em solidão
Fico surda
Cega
Muda
Mesmo assim
Não perco o rumo
Não tenho tempo
Para chorar ninharias
Quero o mundo inteiro
E um pouco mais

Houve um dia em que o pecado
Olhou-me e soltou sua gargalhada colorida
Minha cólera branca
Ficou nítida em toda sombra
E contemplei a ferida que se
Estendeu sobre minha memória
Sorvi gritos
Para manter a carne em vigília
Desejos solitários
Embalsamados na alma
Eram o cotidiano
De dias mal fadados.

Linguas alucinadas na boca
E alheia a tudo
Lanço confetes e serpentinas na transparência da lágrima
Somente assim eu sei
Que o carnaval é um apelo
Somente assim sinto
A fuga da esperança
Que de mãos dadas
Caminha no abismo
E crê no vazio do próprio eco.

As palavras saiam de sua boca
Como kamikazes.
Enquanto isso
Minhas mãos afagavam a eternidade.
Meu desejo mimava seu sonho
Minha vida é um cisco
No seu pensamento
Pássaros cantavam o apocalipse
De nosso amor
Não sabias mais das promessas
Feitas. Nosso encanto tornou-se
Desencontro no buquê de beijos antigos
Somente nossa sombra enluarada
Era testemunha da chuva
Que caira sobre o silencio.

CLAUDIA BRINO – a poeta e editora santista, Claudia Brino, é editora da revista poética e cultural “Cabeça Ativa”, do blog “Clique poético” do Clube de Poetas do Litoral – CPL e da revista Mirante – 27 anos o ícone da literatura santista. É autora dos livros “Zona 2000” publicado pela Scarpitta, em 1995 e Almas com fome, pelas Edições Costelas Felinas, em 2009. Dela diz Vieira Vivo: “Cláudia Brino em sua constante, profícua e incansável lide poética nos oferece, em Almas com Fome, a plasticidade da palavra enquanto tela para desnudar o âmago de situações onde o texto submerge de um emaranhado cataclísmico interior. A atmosfera extremamente densa e convulsa faz com que caminhemos através da leitura absorvendo seiva e sumo a cada imagem no sentido de adentrarmos aos nossos próprios labirintos emocionais. Dela diz Vieira Vivo: Os versos nos apresentam um eficaz, insistente e revelador diálogo onde a obscuridade insípida do cotidiano revela-se desnuda e indefesa ante a constatação concreta da passagem das horas em um ambiente envolto em reticências, omissões e silêncios. Por outro lado, o brado intrínseco na resolução poética, ao final do espasmo, revela-nos um súbito e surpreendente sentido direcional para onde a poeta conduz o desfecho sobrepondo-se à imagem gerada no espelho de seu próprio íntimo. A imagística de Cláudia Brino vem sendo destacada e analisada por literatos que a admiram com entusiástico e grato respeito. Narciso de Andrade escreveu em artigo publicado no jornal A Tribuna, de Santos: "Sabe dos caminhos ardentes do território poético onde vive em constante estado de choque. Sempre pronta para receber o mistério, transformá-lo e distribuí-lo em forma de poemas." O poeta Ernani Fraga revela, em extensa tese analítica, o fascínio que nutre sobre sua obra, onde ressalta: "Seus poemas são verdadeiros quadros abstratos de grande força e beleza, palpáveis com impressionante força interior". Há ainda, a ressaltar, o ofício da lapidação dos versos. Um labor meticuloso de artesã a enaltecer a coloração propícia de cada fonema no intuito de torná-lo, dentro da rítmica poética e do bailado das palavras, o condutor que desvendará aos leitores os mistérios interiores de seu ímpar universo”.

FONTE:
BRINO, Claudia. Almas com fome. São Paulo: Costelas Delinas, 2009.



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