Cibele Sarkis Carneiro é artista visual de Ribeiro Preto (SP) e atua como professora de Artes
em diversas escolas da rede pública e privada. É graduada em Educação Artística
pela Unaerp (1983) e em Biblioteconomia e Ciência da Informação pela USP (2021).
É pós-graduada em Artes pela Unesp (2012). É integrante do Gentamiga Ateliê
(SP) e participa da plataforma Ubqub (SP). Sua arte transita pela gravura em
metal, fotografia, restauração e conservação. Ela participou com seus trabalhos
da publicação Dareladas (CriaArt, 2024) e tem trabalhos publicados no zineblog
Tataritaritatá.
LAM - Cibele, vamos pra pergunta de praxe: quando e como se deu seu encontro
com a arte?
Eu não encontrei a
arte — ela já estava em mim.
LAM - Quais
influências marcantes da infância e adolescência definiram sua formação para as
artes?
Tive influências
de várias pessoas: uma prima, minha professora, minha mãe e também do meu
próprio jeito de ser. Desde cedo, eu não me contentava com o comum, sempre
buscava ir além.
LAM - Você também
é professora. Conta pra gente como se deu a sua formação e atividades
pedagógicas na área de Educação Artística?
Dos quatro filhos
dos meus pais, eu era a única que sabia exatamente o que queria: ser artista.
Fui fazer o curso de Arte em uma faculdade em Ribeirão Preto. No primeiro ano,
levei tudo de forma mais leve, até que, com um incentivo mais firme da minha
mãe, entrei nos trilhos. Levei comigo uma frase de um amigo: “na faculdade,
você aprende nos corredores”. Isso me fez perceber que, para desenvolver
atividades pedagógicas, era essencial estar atenta ao entorno, às propostas da
escola e, principalmente, aos alunos. Tanto que uma mesma proposta, aplicada na
mesma série, sempre gerava resultados diferentes — e isso é o mais rico do
processo.
4. Como você
avalia o ensino de Artes na educação formal brasileira?
Infelizmente, não
vejo com bons olhos. Muitos educadores ainda não permitem que os alunos fluam
com suas ideias. Sei que não é fácil — salas lotadas, falta de material,
ausência de espaços adequados — mas ainda existe a visão equivocada de que a
arte serve apenas para “decorar a escola” em datas comemorativas.
5. Você cursou
Biblioteconomia. Conta pra gente como se deu essa escolha e a importância dos
livros e da biblioteca na formação humana.
Foi uma escolha
depois da minha aposentadoria. Eu não queria ficar parada em casa — era a “avó
da turma”, mas fui mesmo assim. Foi um curso desafiador, porque, como artista
(ou “arteira”), não sou muito organizada, e a Biblioteconomia é bastante
estruturada. Ainda assim, fiquei fascinada. Passei a enxergar os livros e as
bibliotecas com outros olhos, percebendo a profundidade da área e as diversas
possibilidades profissionais. Embora eu não tenha atuado na área, o ambiente
que mais me encantou foi o museu.
6. Você também
cursou Fotografia. Relate suas experiências nessa área.
Uma professora de
música da faculdade ficou encantada com minhas fotos, e foi a partir disso que
comecei a valorizar mais meu olhar fotográfico. Enquadramento, luz, formas,
paisagens e pessoas sempre marcaram — e ainda marcam — meus cliques. Captar um
momento, deixá-lo estático e, ao mesmo tempo, provocar o observador a dar
movimento a ele… isso é fascinante.
7. Como foi sua
experiência no curso Conversa de Artes da USP?
Marcante.
8. Você integra o
grupo Atelier Gentamiga. Como avalia essa experiência?
Somos um grupo
leve, de bem com a vida. Cada um trabalha no seu ritmo, sem cobranças. Cada
artista tem sua forma de expressão, e o respeito entre nós é o que sustenta
tudo.
9. Você participou
com suas obras da publicação Dareladas. Como foi essa experiência e o contato
com a obra de Darel Valença Lins?
Darel apareceu na
minha vida por sua causa. Ao conhecer sua trajetória, fiquei muito tocada.
Participar do projeto foi especial — em alguns momentos, me senti um pouco
Darel.
10. Quais são suas
perspectivas para projetos artísticos futuros?
Nenhuma
específica. Eu deixo a vida me levar.

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