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sábado, setembro 19, 2026

WYNA & GABRIELE SAPIO – UMA ENTREVISTA

 

 

GABRIELE SAPIO – É italiano radicado no Brasil, graduado em Direito pela UFPI, mestre em Direito Constitucional pela UFC e doutor em Ciências Jurídicas y Sociales (UMSA), Buenos Aires, Argentina (2015). É também professor Efetivo do Curso de Direito na Universidade Estadual do Piaui (UESPI) e Tradutor Público Juramentado na Língua Italiana na Junta Comercial do Estado do Ceará (JUCEC).

 


WYNA, DAQUI A TRÊS ESTRELAS – Gabriele Sapio é autor da obra Wyna, daqui a três estrelas (Dialética, 2023), na qual explora as fronteiras entre o conhecimento científico e a espiritualidade, com uma escrita que privilegia a sensibilidade e a profundidade dos sentimentos humanos frente ao desconhecido, utilizando a ficção científica como veículo para transmitir mensagens de esperança e evolução. Sua abordagem sobre a “mente cósmica” reflete uma visão de mundo onde a humanidade está integrada a uma comunidade galáctica muito mais vasta e evoluída. RESUMO DO LIVRO - A estória narrada trata acerca de uma sucessão notável e singular de belíssimas e sublimes experiências oníricas vividas e experimentadas no decorrer da vida por um terráqueo, que foi escolhido e preparado por seres muito evoluídos espiritualmente dos mais altos planos cósmicos, em virtude de suas qualidades especiais e pelo fato de possuir uma mente cósmica, para o contato com uma belíssima, encantadora, magnética e fascinante mulher alienígena, cujo planeta natal se encontra no sistema estelar de Antares, e que se chama Wyna. No decorrer da trama o terráqueo é preparado e treinado de forma gradual e cada vez mais intensa para o contato com a Wyna, com o fim último de ambos realizarem ação conjunta de grande importância para a garantia da ocorrência da linha do tempo do futuro positivo e brilhante da Humanidade terrestre.

 

ENTREVISTA

 

LAM – Prezado Gabriele Sapio, vamos iniciar com a pergunta de praxe: como e quando se deu seu encontro com a Literatura?

 

R- Tudo começou com uma intensificação notável e cada vez mais acentuada de sonhos lúcidos sobre ETs, mulheres alienígenas, época da Atlântida e seres estranhos que tem me acompanhado desde a minha primeira infância. No entanto, tudo começou mesmo há uns 23 ou 22 anos atrás, quando sonhei que tinha me casado com a Wyna no planeta natal dela, ou seja, no sistema estelar de Antares. Foi um sonho tão deslumbrante, fantástico e inesquecível que me marcou e me impressionou de tal forma, que foi justamente a partir daí que surgiu a ideia de escrever um livro sobre a Wyna, o que de fato acabou acontecendo.

 

LAM – Quais influências da infância e adolescência foram predominantes para sua incursão pela Literatura?

 

R- Em termos pessoais foi a grande e profunda inspiração resultante de todos estes sonhos lúcidos que me acompanharam desde a minha infância. Já em termos mais especificamente literários, para ser honesto, não posso afirmar que tive uma influência ou influências deste ou daquele outro autor, mas sim da minha própria imaginação.

 

LAM – Você atua como professor, advogado e tradutor, agora também como escritor. Fala um pouco dessa trajetória na área acadêmica e a contribuição do Direito, da prática pedagógica e da tradução para a formação do escritor.

 

R- Sim, claro. Em primeiro lugar, eu me formei em Direito na Universidade Federal do Piauí -UFPI em 1992, posteriormente me tornei mestre em Direito Constitucional pela Universidade Federal do Ceará - UFC em 2005 e, mais recentemente, ainda me tornei Doutor em Ciências Jurídicas y Sociales pela Universidad del Museo Social Argentino - UMSA , de Buenos Aires na Argentina, em 2015. Sou Professor de Direito na Universidade Estadual do Piauí -UESPI, desde o ano de 2001 e também sou Tradutor Público na Língua Italiana, junto a Junta Comercial do Estado do Ceará – JUCEC, desde o ano de 2011.E finalmente, sou escritor desde setembro de 2023 quando finalmente foi publicado o meu livro sobre a Wyna, cujo respectivo título é: WYNA DAQUI A TRÊS ESTRELAS.

 

LAM – Você lançou em 2023, pela Dialética, o seu primeiro livro ficcional: “Wyna, daqui a três estrelas”. Como foi a experiência da ideia até bater o centro no desenvolvimento desse projeto editorial?

 

R- Foi um grande sonho realizado, no qual tudo evoluiu e se concretizou a partir de sonhos lúcidos durante toda a minha existência e acabou se concretizando de fato. E se tornou finalmente uma realidade concreta graças a uma proposta editorial da Editora Dialética que na época considerei como sendo a melhor e mais vantajosa e o sonho se tornou finalmente realidade.

 

LAM – Qual o mote que revela a proposta deste livro: “Wyna, daqui a três estrelas”?

 

R- Na verdade, o título do livro é um incentivo bem como um poderoso estímulo para que os eventuais e futuros leitores do meu livro sejam estimulados a irem até às estrelas, se for preciso, para realizarem todos os seus sonhos. Pois para todos aqueles que têm coragem de irem até às estrelas, para irem atrás dos seus sonhos, nada é capaz de fazê-los desistir. É, portanto, uma mensagem indireta e subentendida de motivação e também de estímulo aos meus leitores para nunca desistirem dos seus sonhos. Além disso, este foi e é o título que mais eficaz e fielmente reflete o verdadeiro teor e espírito do enredo da estória aqui narrada, pois melhor reflete uma estória fantástica que transpõe e transcende as dimensões do tempo e do espaço.

 

LAM – Por que a ficção científica?

 

R- Porquê desde os meus primeiros anos de vida sempre me senti atraído por tudo que esteja direta e indiretamente relacionado ao mistério, só espaço, aos outros mundos, aos extraterrestres, ao futuro da humanidade e, logicamente, também ao gênero da ficção científica, que sempre tem me fascinado, atraído e entusiasmado, sendo o meu gênero literário preferido até os dias atuais.

 

LAM – Quais são as suas perspectivas diante deste momento pós-pandêmico, em que se visualiza um cenário sombrio assentado na supremacia da guerra, do ódio, da autodestruição e da intolerância ?

 

R- Na verdade tudo isso que está acontecendo atualmente no mundo já foi previsto, profetizado e esperado há muito mas há muito tempo mesmo ou seja desde os primórdios da civilização humana. E tudo isso é necessário para que a humanidade terrestre finalmente se conscientize e adquira a sua verdadeira maioridade como espécie e como coletivo, para que finalmente amadureça e definitivamente, de uma vez por todas, possa finalmente fazer a escolha certa. Ou seja, a de enveredar pelo caminho da espiritualidade, da busca interior, do fim do egoísmo, do materialismo, da cobiça, da indiferença e da insensibilidade frente ao sofrimento dos outros e, finalmente, opte pela senda da Nova Era Dourada da Humanidade e de sua definitiva integração à Comunidade Galáctica das civilizações mais avançadas do Universo.

 

LAM – Que projetos futuros você tem por perspectiva de realização na área literária e acadêmica?

 

R- Tenho grande interesse e pretendo publicar futuramente outros livros do gênero da ficção científica, inclusive a continuação desta primeira estória narrada neste livro. Também acredito que talvez publicarei algum livro futuramente na área do Direito.

 

Veja mais aqui.

 



sábado, julho 11, 2026

A FILHA INJUSTIÇADA, STELLA MARIS REZENDE & ENTREVISTA

 

 

STELLA MARIS REZENDE – É uma escritora mineira de Dores do Indaiá, premiada autora com dezenas de livros publicados, tanto para o público adulto, como o infantojuvenil. Ela é mestre em Literatura Brasileira pela Universidade de Brasília, participa de feiras literárias e ministra a oficina Letras Mágicas. É atriz e interpretou a Fada Estrelazul do programa Carrossel na TV Manchete e a tia Stella na TV Record. Já ganhou 4 Jabutis, entre eles o Jabuti de Melhor Livro de Ficção do Ano e o de Melhor Livro Juvenil para A mocinha do Mercado Central (2012), 3 Prêmios João-de-Barro (1986, 2002 e 2008), Prêmio APCA/Associação Paulista de Críticos de Arte (2013), Prêmio Brasília (2014), Barco a Vapor (2010), Bienal Nestlé (1988), Prêmio Seleção Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio, e dezenas de selos de Altamente Recomendável da FNLIJ/Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Em 2022, recebeu o Prêmio Hors Concours da Cátedra Unesco de Leitura da PUC-Rio por Alegria Pura em reedição.

Recentemente ela lançou o elogiado romance A filha injustiçada (Faria e Silva, 2026), ocasião em que nos concede esta entrevista.

Com vocês, Stella Maris Rezende

 

LAM - Você é autora de dezenas de livros (um total de 40, acredito), tem experiências como atriz e é apaixonada pelo teatro e o cinema. Vamos então para a pergunta de praxe: como e quando se deu seu encontro com a arte?

 

A partir do segundo semestre de 2026, serão 60 livros publicados. Sempre fui apaixonada por contar histórias, e desde pequenininha, gostava de reunir meus irmãos mais novos e vizinhos, para inventar uma história na hora. Eu fazia questão de não saber o que iria contar, era uma grande alegria dar conta de inventar no instante em que olhava para a plateia! Fazia pausas. Olhava atentamente para cada pessoa. E as palavras iam chegando, o enredo se apresentava, a plateia se entusiasmava quando eu fazia uma pausa demorada, antes de contar o final da trama. Aos 8 anos, a professora pediu que escrevêssemos uma composição durante a aula. Naquele tempo se dizia composição, palavra que considero mais bonita que redação. Desembestei a escrever e a história atingiu quase 20 páginas! Ao devolver as composições, dona Marlene fez vários comentários. Para um dos colegas ela disse que ele havia repetido umas palavras que não soaram bem, criaram um som desagradável – aprendi depois que se tratava de um cacófato -, e esse detalhe da sonoridade me tocou fundo, pois eu já sentia que um bom texto tem ritmo, som e musicalidade emocionantes. Ao devolver a minha composição, dona Marlene, sempre séria e sisuda, disse: Você vai ser escritora. Falou de um jeito tão dramático que eu pensei que ser escritora seria uma coisa horrível. Dona Marlene virava outra pessoa, uma espécie de fada com um livro na mão, quando lia em voz alta para nós. Era uma leitura encantadora. Isso também me tocou profundamente.

 

LAM – Quais influências da infância e adolescência foram marcantes para a sua formação como escritora e apaixonada pelas artes?

 

Além de dona Marlene, houve dois professores do Ensino Médio que me influenciaram muito, ao me emprestar ou indicar livros, ao me chamar de poeta ou filósofa: Professor Bento (que depois se misturou ao Bentinho de Dom Casmurro, que maravilha!), dona Nívea (que dizia ser importante aprender a norma culta, a gramática, para depois desobedecê-las com arte). Minha avó paterna, dona Chiquinha, inventava palavras e isso me atiçou a inventar também. Para ela, a avenida Afonso Pena em Belo Horizonte era a avenida Sanfona Pena. Minha mãe era uma contadora de histórias adorável, atiçava a minha imaginação, além de desenhar na primeira página dos meus cadernos, cantar maviosamente, bordar, tricotar, costurar e cozinhar, tudo com arte caprichada, e tudo isso se coaduna com o meu projeto estético.

 

LAM – Quem veio primeiro: a escritora ou a atriz?

 

Vieram juntas, mas a escritora sempre esteve e continua estando em primeiro lugar.

 


LAM – Você é detentora de vários prêmios literários, incluindo o Jabuti, pela obra A mocinha do Mercado Central, que, inclusive, foi tema de duas dissertações de mestrado, Pelas veredas de Stella Maris Rezende: um olhar para A mocinha do Mercado Central (UERJ, 2023), pesquisa da Sol Marins Cortez de Mendonça, e o Espaço e identidade: em a Mocinha do Mercado Central de Stella Maris Rezende, (UFG, 2015), pesquisa de Lilian Rosa Aires Carneiro, afora o artigo A representação feminina na literatura juvenil contemporânea: voz e protagonismo em A mocinha do Mercado Central, publicado na Seção Tema Livre da Revista de Estudos Brasileiros Contemporâneos (2025), escrito por Angelita Cristina de Moraes e Ana Paula Franco Nobile Brandileone. Conta pra gente sobre essa obra, o prêmio e das pesquisas realizadas.

 

Como sempre, não planejo o que vou contar. Jogo uma frase ou outra e a história vem vindo aos poucos. Escrevi e reescrevi A Mocinha do Mercado Central por volta de 8 anos, me divertindo demais com os rumos que o enredo ia tomando. A protagonista gostava de mudar de nomes, viajava para diversas cidades do Brasil e assumia em cada cidade um nome diferente, agia e reagia de acordo com o significado do nome e isso era uma aventura que eu vivia, escrever é se aventurar e viajar. Enquanto escrevo, faço questão de me sentir leitora. O livro foi publicado em 2011, mas já em 2008 havia recebido o Prêmio João de Barro para textos inéditos. Em 2012, recebeu o Prêmio Jabuti de Melhor Livro para Jovens e o Jabuti de Melhor Livro de Ficção do Ano. Foi a primeira vez que um romance juvenil ganhou o Jabuti de Melhor Livro de Ficção do Ano. Além disso, eu estava com outro livro classificado entre os 10 finalistas, A guardiã dos segredos de família, que ganhou o segundo lugar do Jabuti na categoria de Melhor Livro para Jovens. Ou seja, numa mesma noite, ganhei 3 Jabutis! No processo de escrita de A Mocinha do Mercado Central, pesquisei sobre significados de nomes, e Maria Campos, a personagem principal, é apaixonada por teatro. Como disse Graciliano Ramos, “as nossas personagens são pedaços de nós mesmos”.

 


LAM - A sua trilogia para adolescentes que inclui a já mencionada A mocinha do Mercado Central (2011) e mais A sobrinha do poeta (2012) e As gêmeas da família (2013), que foram tratadas na dissertação de mestrado sob a temática A casa e a biblioteca: espaços afetivos regidos pela mulher em obras de Stella Maris Rezende (UEG, 2020), de Julya Costa Siqueira. Qual a proposta dessa trilogia?

 

Não planejei a trilogia. Ela se consolidou à medida em que eu escrevia, e a presença de uma biblioteca nos três enredos acabou se tornando um fio condutor relevante. Não houve uma proposta premeditada. Aconteceu, certamente devido à paixão por bibliotecas. As histórias desses três livros possuem personagens envolvidas com livros e aventuras emocionantes.

 


LAM – Entre as suas obras, uma outra foi alvo de pesquisa: Primeira leitura do evangelho de Stella Maris Rezende aos jovens brasileiros: análise inicial do livro Justamente porque sonhávamos (Revista Temática, 2019), derivada de artigo apresentado como Trabalho de Conclusão de Curso ao Curso de Pós-Graduação (lato sensu) em Linguística e Formação de Leitores da Faculdade de Tecnologia Álvares de Azevedo (FAATESP), de João Paulo Hergesel. Fala pra gente como foi o processo de criação e as expectativas com essa obra.

 

Eu não sabia dessa pesquisa! Obrigada por me contar.

Justamente porque sonhávamos é um longo romance em que há um grande mistério numa pequena cidade de Minas. Lá o tempo parou. Todos vivem como se o Brasil ainda estivesse sob a ditadura militar instaurada na década de 1960. Também não foi planejado, como todos os meus livros. O mais interessante neste é que de certa forma ele retrata os tempos atuais em que há no mundo inteiro uma tendência ao retrocesso, a uma negação da História e da Ciência, além de perseguição aos que defendem os direitos humanos e lutam por mais igualdade social. É um romance que por meio de uma prosa poética e muitas aventuras juvenis, provoca reflexões sobre política, machismo, feminismo, prisões, liberdade, medo e coragem.  

 


LAM – O que é a Fada da Palavra e qual a proposta da Oficina Letras Mágicas?

 

Quando participei do programa Carrossel na antiga TV Manchete em Brasília, interpretei a Fada Estrelazul que lia histórias para crianças e jovens. Eu mesma propus a personagem à produção do programa. Disse que ele era bom, divertia o público, mas que faltava um quadro que incentivasse a leitura literária. Argumentei bastante e fui convidada a criar a personagem. Fada Estrelazul se tornou famosa no programa, ao ter livros nas mãos e ler histórias diante das câmeras. Muitos anos se passaram e a publicação de livros se tornou prioritária. Com o advento de novas realidades tecnológicas, criei a Fada das Palavras, um canal no Youtube em que leio trechos de minha autoria e de várias escritoras e escritores que admiro, indico livros, converso com profissionais da educação, ou seja, exercito a minha paixão pelas palavras e as entrelinhas diante de uma câmera.

A Oficina Letras Mágicas incentiva a leitura literária e a escrita criativa em feiras de livros, congressos e encontros literários.

 

Confira a Fada das Palavras e a Oficina Letras Mágicas aqui.

 

LAM – Fala um pouco sobre sua experiência como atriz e da sua paixão pelo teatro e o cinema.

 

Desde pequenininha, tenho paixão pelo palco e pela interpretação de personagens. Gosto de me sentir outra pessoa, brinco, modulo frases, entonações, crio espaços, tudo com a intenção de emocionar, encantar e provocar perguntas. Para mim, as dúvidas e as perguntas são os elementos principais para a conscientização de que a condição humana é extremamente complexa. “A arte existe porque a vida não basta”, disse o poeta Ferreira Gullar. A arte é libertadora e transformadora. O cinema trabalha com imagens que também emocionam e atiçam indagações. O autor da orelha de A Mocinha do Mercado Central escreveu que o livro é praticamente um roteiro pronto para o cinema. O grande ator e diretor de cinema Selton Mello escreveu um lindo prefácio, depois de ler os originais. Disse que o romance daria um bom filme. Alguns dos meus livros já viraram peças de teatro e atualmente um deles está sendo adaptado para um curta metragem em que serei a narradora.  

 


LAM – Você lançou recentemente A filha injustiçada (Farias & Silva, 2026). Fala pra gente do que trata este seu novo trabalho e quais as suas expectativas a respeito.

 

A filha injustiçada tem como voz narradora uma mulher que foi submissa ao marido durante um longo tempo. Ela é a mãe de Maria da Soledade, jovem de 15 anos, que foi levada à força para o Hospital Colônia de Barbacena em Minas Gerais. A história se passa no início da década de 1970, em plena ditadura militar, quando os horrores do hospital psiquiátrico, fundado em 1903, se tornaram ainda mais desumanos e aniquiladores. Me inspirei numa fala da minha tia Jovelina, que contava sobre uma menina de Dores do Indaiá – minha terra - que foi levada à força para o Hospital Colônia de Barbacena. Trata-se de uma ficção que tem como base uma realidade cruel. O Hospital Colônia foi finalmente fechado neste ano em que lanço o livro, mas infelizmente ainda existem mulheres que são levadas à força para clínicas psiquiátricas, simplesmente por serem mulheres, mulheres que não desistem de sonhar, questionar e viver uma vida mais livre e mais feliz. Meu grande sonho atual é que esse livro seja lido por jovens, mulheres e homens, para provocar reflexões sobre feminicídio, racismo, hipocrisia, machismo, falta de consciência política, egoísmo e desumanização.  

 

LAM – Desde a publicação do seu primeiro livro Dentro das lamparinas (Horizonte, 1979), lá se vão quase 50 anos de trajetória. Quais projetos você tem por perspectiva de realizar?

 

Tenho 4 livros que serão lançados ainda em 2026 e início de 2027. Meus projetos continuam sendo o de ler muito e escrever muito, viajar para outras cidades e outros países, propor que os meus livros estejam em mais e mais livrarias, casas, bibliotecas e escolas. Participar de feiras literárias e encontros com leitores de quaisquer idades. Em primeiro lugar, trabalhar com as palavras e os silêncios, sempre em busca de boa qualidade literária. Fazer arte.

 

Confira o sítio da autora aqui. E mais dela aqui, aqui & aqui.

 

Confira aqui.

 


segunda-feira, junho 08, 2026

A ARTE DE RICARDO AIDAR

 

 

RICARDO AIDAR - Ricardo Bertacin Aidar é engenheiro civil formado pela FAAP, em 1973, frequentou aulas de desenho e pintura em tela com a artista plástica Tereza Nazar, no período de 1962/65. Entre 1969/71 cursou fotografia na Enfoco. De 1978/81 e 2007/2011 fez cursos de joalheria no Ateliê Renato Camargo. Participou em 2022 do curso Encontro com a Arte, na USP, quando passou a integrar o Gentamiga Ateliê (SP). Ele participou com suas obras da publicação Dareladas (CriaArt, 2024), tem trabalhos publicados no zineblog Tataritaritatá e participa da plataforma Ubqub (SP).

 


LAM - Ricardo, vamos pra pergunta de praxe: quando e como se deu seu encontro com a arte?

 

Foi na 2ª Bienal de São Paulo, 1953 – 1954, eu tinha 5 anos e fui com meus pais visitar a exposição! Já fiquei impressionado pela estrutura externa e interna do prédio, espetacular! Mas o maior impacto foi quando fiquei em frente ao quadro genial, Guernica, de Pablo Picasso, neste momento a arte entranhou-se na minha vida para sempre e assim continuarei.

 


LAM - Quais as influências marcantes da infância e adolescência definiram sua formação para as artes?

 

Minha mãe sempre me incentivou a desenhar, desde que aprendi a segurar um lápis não parei mais de desenhar, ensinando também cerâmica pintura em porcelana, decoração de interiores, arranjos florais e estética.

Dos 11 aos 13 anos, fiz um curso no ateliê da artista argentina, Tereza Nazar e do escultor grego Nicolas Vlavianos, aprimorando pintura a óleo em várias técnicas.

 

LAM - Você também é engenheiro civil. Conta pra gente como se deu a sua formação para atuar nessa área.

 

Por influência de pai engenheiro civil e avô materno engenheiro elétrico, e pelo fato de a profissão me agradar, fiz engenharia civil, formado pela FAAP em 1973.

Como me atraia muito a Arquitetura, virei um arquiteto pelo convívio com um grupo de amigos formados em 1974 pela USP.

 


LAM - Você fez diversos cursos na área artística, incluindo cursos de Fotografia, Joalharia, entre outros. Como você avalia a experiência de realização desses cursos para sua formação profissional?

 

Sim, a fotografia já era uma constante e por sugestão do fotógrafo Hilton Ribeiro, irmão de minha mulher, fiz o curso de fotografia na escola ENFOCO, fazendo em casa um laboratório para revelação de fotos.

 

LAM - Quais as contribuições advindas dos cursos de desenho e pintura para a sua formação profissional?

 

Foram decisivas para que atualmente eu tenha segurança, e felicidade de ter atingido, seguido a rota que me leva a meta que desejo atingir.

 


LAM - Como foi a sua experiência no curso Conversa de Artes da USP?

 

Foi decisiva, pois além do curso ser excelente, conheci e fiz amizade com artistas durante a pandemia todas as semanas, trocando ideias e produzindo muito e de ter o prazer de trabalharmos juntos, sempre aprendendo e nos divertindo muito e prazeroso.

 

LAM - Você integra o grupo Atelier Gentamiga. Como você avalia as experiências realizadas neste grupo?

 

Nos encontros semanais continuamos juntos, desde o final do Curso da USP, isto me alegra profundamente, pois trocamos ideias, técnicas e muita produção e nos divertimos muito!

 


LAM - Você participou com suas obras da publicação Dareladas. Como foi participar deste projeto e a experiência com a obra de Darel Valença Lins?

 

Foi excelente, um artista que eu pouco conhecia, e com a contribuição do famoso integrante Luiz Alberto Machado, o LAM, tivemos a oportunidade de fazer um ótimo trabalho conjunto.

 


LAM - Você realizou recentemente uma exposição de suas obras no Espaço RGAOBE - Arte Ofício e Bem Estar, em São Paulo. Conta pra gente como se deu esta experiência.

 

Fiquei muito feliz por saber que causou um impacto positivo e perceber que sendo a primeira vez que exponho meus trabalhos, estou no rumo certo.

 

LAM - Quais as suas perspectivas com relação a realização de projeto artísticos pro futuro?

 

Sendo já aposentado na engenharia e com 77 anos, o que desejo é continuar e aprimorar o trabalho artístico.

 


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