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sábado, março 28, 2026

MANTO MULHER, DE CARMEN CAMUSO

 

 

MANTO

 

O que pode um manto?

À serventia de um corpo

Vai cumprindo sua missão

Adere à pele

Toma-se de significados

 

Quando visível

Esconde mistérios

Revela poderes

Destaca o sagrado

 

Quando invisível

Quem o carrega

Carrega também o peso

De duras construções

 

O que pode um manto?

Assim, criado

Protege ou mantém

Lugares de opressão?

 

ÚTERO

 

Invólucro sagrado

Gerador de vidas

Umas ansiadas

Outras aturdidas

Signatário do materno

Símbolo mulher

Ora falho

Ora belo

Bem ou malmequer

 

De ciclos em ciclos

Sangra pra gerar

Gera pra parir

Pílulas

Ligadura

Histerectomia

Pura ironia

Controle do mundo

Cortando a raiz…

 

CASA

 

Arrumou a casa

Sendo a que habita

Mobília lustrada se via

Arejadas áreas e alma

Em tranças de energia

 

Arrumou a casa

Sendo o teu corpo

Pele banhada sentia

Dedos, cheiros e toques

Energia que arrepia

 

Arrumou a casa

Sendo o teu mundo

Natureza em harmonia

Misturando os elementos

Reciclando alegria

 

Mas…

Nem sempre arrumou

Nem sempre lustrou

Nem sempre banhou

Nem sempre tocou

Nem sempre harmonizou

Porque…

Nem sempre morou

Nem sempre se olhou

Nem sempre se achou

Nem sempre sorriu

Às vezes chorou

 

MANTO MULHER

 

Recebi alguns mantos da vida

Que se incumbiram de me fazer mulher

Uns, enlaçados em fios de proteção

Outros, treliçados, amarrando minhas mãos

Mãos desatadas no desejo revelado

Desnudam-me lentamente

A pele sensível não mente

Ao retirar cada manto

Encontrei minha originalidade escondida

A espontaneidade pra vida

Agora, embalada pelo canto

Pássaros livres que se alimentam em meu ombro…

 

NEM PESOS, NEM MEDIDAS

 

Não quero mais nada pesando em meus ombros

Não quero ter que me comportar

Não quero ter que me calar

Não quero ter que me responsabilizar

Não quero ter que cuidar

Não quero pesos

Nem medidas

Nem explicações desconexas

Quero chuva em meus cabelos

Cara lavada e boca destravada

Ombros desnudos como asas

Horizonte como destino

E na estrada

Pés descalços para me lembrar:

Sempre há pedras ao caminhar

 

DEVASTAÇÃO

 

Corre ligeira

Nem sempre faceira

Mas com ar de feiticeira

Que tem sempre um jeito a dar

 

Corre cantos

Chora prantos

Estoura feridas

Prestes a curar

 

Corre doida

De alma doída

Fama de mulher

Jeito de menina

 

Corre a mão

Esconde a devastação

Segue o dia

E não disse não

 

MEU ESCUDO

 

Chego devagarinho

Cheiro de encantamento

Pisando faço caminho

Silêncio é ensinamento

 

No jogo sagrado

Revelações de mim

Nada ao acaso

Dores fincadas no sim

 

Na voz do mestre xará

Pela primeira vez escuto

Omolu é meu orixá

Palhas fazendo escudo

 

Em face de jovem

Já corpo de velha

Sob manto sagrado

Guardiã de mistérios

 

EU TÔ BEM

 

Dizer que tá bem sem tá

É moer a própria carne

Para alimentar em si

O desconforto de tolher

Dentre tantas coisas

Aquelas indizíveis

 

Dizer que tá bem sem tá

É contrariar a própria natureza

Que anseia por fluir

Entre caminhos livres

Mas que se esbarra

Em pau, pedra ou fim do caminho

 

Dizer que tá bem sem tá

É reter o que se extravia

No esforço de blindar a dor

Deve haver um jeito

De seguir sem medo

Ou apenas dizendo: não tô!

 

MANSIDÃO E ABRASIVA

 

Fui chão, abrigo e calor

Mar aberto e amargor

Guerrilheira em fogo cruzado

Contradição amor

 

Atleta inerte do tempo

Dignidade ao vento

Confundida com trabalho

Luta e movimento

 

Me trancei em fantasias

Lançada em alegrias

Olhos brilhos margeados

Corpóreas agonias

 

Querendo ser brisa

Memórias alusivas

Um sentir disparatado

Mansidão e abrasiva

 

FEITO PIPOCA

 

Se as dores que me fazem quem sou

Pudessem pular feito pipoca

Não esperaria anoitecer

E enfeitava minha “paioça”

Bordaria um manto de palha

Só para fiar minhas manhas

E de manhã, cedinho

Passado o efeito do vinho

Meu corpo desnudo marcado

Comemoraria sem devoção

Das feridas à renovação

 

MANTO MULHER – Manto Mulher é um livro da poeta Carmen Camuso, que reúne 48 poemas agrupados em dois capítulos: “O Manto” e “As Palhas”. No primeiro capítulo, os poemas expressam a relação mulher-mundo a partir das vivências da autora em seus diversos papéis sob o manto do gênero. No segundo capítulo, o que aparece é a relação mulher-outro que, sob palhas, simboliza o que dói ou cura. A proposta é de versos livres, com temáticas que aludem o cotidiano, revelando a escrita como lugar de expressão e travessia. A autora é mãe, avó, feminista, psicóloga, mestre em Ciências da Saúde e servidora pública do Estado da Bahia. Na pandemia da Covid-19, mediou um grupo de escrita terapêutica. Hoje, integra o Movimento Cultural Alvorecer, atuando como agente cultural na produção de eventos e na organização de antologias poéticas, como a Antologia Alvorecer Pétalas e Lâminas. Veja mais aqui.


 


domingo, novembro 27, 2011

PALAVRA MÍNIMA: LUIZ ALBERTO MACHADO & FATIMA MAIA



PALAVRA MÍNIMA - O projeto Palavra Mínima traz a música de Luiz Alberto Machado e a poesia de Fátima Maia, no dia 02 de dezembro, a partir das 20hs, no Teatro Linda Mascarenhas.

LUIZ ALBERTO MACHADO – O escritor, compositor e radialista Luiz Alberto Machado é editor do Guia de Poesia do Projeto SobreSites do Rio de Janeiro, membro da Cooperativa da Música Alagoana (Comusa) e cônsul em Alagoas do Poetas del Mundo. É autor de 6 livros de poesias, 8 infantis, 2 de crônicas e de diversas músicas gravadas por novos nomes da música brasileira, inclusive foi premiado com sua música Desejo no FEMI-2010, no Japão, gravada pela cantora Sonia Mello. Está em cartaz com seu espetáculo infantil Nitolino no Reino Encantado de Todas as Coisas e com temporada do show poético musical Tataritaritatá – Vamos aprumar a conversa -, com a sua banda e apresentações solo. Seu trabalho está reunido na sua home page www.luizalbertomachado.com.br.

FATIMA MAIA – A escritora, compositora e poeta Fátima Maia, é autora da música tema do programa infantil Caralâmpia (TV e Rádio Educativa local), dos livros e CDs: Criar e Recrear, gravado pelo Quinteto Violado, indicado ao premio Sharp de música, e da História de Tatibitati, gravado pelo SESC/AL. Ela foi finalista dos festivais, Canta Nordeste e MPB SESC/PB com as músicas Colibris, Lua Luana e Passarinhos. Fátima Maia se apresenta agora trazendo seus poemas para o público do Projeto Palavra Mínima.

SERVIÇO: PROJETO PALAVRA MÍNIMA – LUIZ ALBERTO MACHADO & FATIMA MAIA
Quando: dia 02 de dezembro, a partir das 20hs
Onde: Espaço Cultural Linda Mascarenhas – Av. Fernandes Lima – Maceió - AL.
Realização: Comusa & IZP.
Informações: 82 8845.4611 / 9606.4436 e www.luizalbertomachado.com.br

PS: No dia 16/12, o estarei com o Tataritaritatá no Sopa de Letrinhas (o sarau do Caiubi), no Bagaça Boutequim, em São Paulo.

E veja mais o meu Portfólio Arte Cidadã, mais novidades na Agenda da HomeLAM e os clipes do show Tataritaritatá no YouTube ou baixe todas as músicas gratuitamente na Trama.

domingo, janeiro 30, 2011

CAMPANHA TODO DIA É DIA DA MULHER: DÉBORA MORENO



DÉBORA MORENO: SAPATOS DO TEMPO E ENTREVISTA

ASSIM NASCE A SAUDADE

Numa viagem de amor,
Num abraço,
Num perfume,
No toque de lábios
No carinho,
Num presente feito a mão e entregue de repente.
Numa carona em pleno dia de chuva
Numa promessa,
Num beijo inesquecível,
Numa oportunidade,
No jeito de olhar,
Na forma de refletir,
No ajudar,
Na transparência,
Num texto deletado sem querer,
Num dia azul de verão,
Numa tarde chuvosa,
Na forma de procurar entender...
Na forma de reclamar a falta sem perceber,
Num sorriso correspondido só para você,
Enquanto a saudade é o fruto maduro da semente que soube sobreviver.

É VOCÊ MAR

Meu coração acelera,
Bate tão apressado,
Parece bongo,
Lembra pandeiro,
Chega a imitar uma bateria de Escola de samba... É só você chegar.
Quando lhe abraço tudo fica mais tranquilo,
O bongo se cala,
O pandeiro se isola,
A bateria apenas nos obedece esquece até da escola
Só para desfilar-mos numa avenida diferente do jeitinho da gente.

ALMA NUA

Sou uma poesia encontrada na vida,
Sou um grito,
Sou um silêncio,
Sou um calafrio,
Sou um rio,
Sou abrigo,
Sou tudo o que digo,
Sou alarme,
Sou delicada,
Sou frágil,
Sou coragem,
Sou forte,
Sou a canção da vida,
Sou decidida,
Sou a força do pensamento refletida no tempo,
Sou gratidão,
Sou o revelado,
Sou o escondido,
Sou o motivo de elogios nunca ouvidos,
Sou um concerto navegando num mar de acordes despertados.
Eu conserto corações partidos

MINHA SIMETRIA

Eu me encontro neste abraço,
Sigo as linhas que talvez sejam laços,
Nós desatados.
Eu me encontro,
Eu me amparo,
Sigo seus passos, seus traços, traço linhas,
Decifro frases,
Fases e fases da lua nua que ilumina a rua;
Onde encontro, perco... Traço linhas,
Desenho formas de vida e dou de presente o que é atraente.
O reflexo no espelho é apenas outra vez,
De tudo de bom que se faz
Ou que se fez,
O reflexo no espelho é a simetria do desejo outra vez.

HIPERBOLE DE POETA

Eu apenas pinto palavras para vestir a poesia que existe dentro de você.
Eu morro de amor para despertar o seu desejo
Atiro-me na luz do teu suor e consigo lhe acertar...
Mas você simplesmente não morre dentro da minha hipérbole de poeta.

A COR

A cor do sangue é vermelha de amor.
É vemelha de esperança,
É vermelha de vontade,
É vermeha de saciedade,
É vermelha de igualdade,
É vermelha de liberdade dentro da minha cor negra.

MALLAKHANB

Subo e desço no vertical pensamento de nós dois,
Faço uma circunferência no seu corpo nu.
Onde me entrego a uma utopia sem destinatário.
Peço, agradeço, mando e ainda sou submisso desse amor,
Vou à lona,
Vou a nocaute e sou e não consigo vencer a liberdade,
O medo,
A dor,
A saudade e ainda sou anfitrião dos sonhos sonhados de sonhos longínquos.
Subir e descer me fortalece,
Mostra o quanto quero...
Ser livre, ser forte, ser discreto, ser visto...
Visto a camisa de uma cultura, de uma arte tão preciosa: Mallakhamb.



DÉBORA MORENO – A poeta Débora Moreno tem 36 anos de idade, já foi catadora de latinhas, faxineira e empregada doméstica, hoje trabalha num Call Center e vive da poesia com 18 livros inéditos. Depoimento - Débora por ela mesmo: “A poesia vive dentro de mim. Sempre gostei de fazer redações, na época de escola sempre fui "fera" nas redações. Notei que um dia fiz uma professora sorrir, que antes era muito séria, do tipo que não ria pra aluno. Ela foi corrigir a redação que eu fiz e quando teminou a correção me chamou à mesa sorriu e disse que tinha se lembrado de uma antiga música e a minha redação estava engraçada. Eu fiquei feliz com o sorriso dela. Era uma época que tinha-se mais respeito aos educadores e vice e versa [...] Lancei o meu Primeiro livro de poesias (Sapatos do tempo) no dia 2 de outubro de 2010. Vou lançar mais um livro, sapatos do tempo em maio de 2011”. Veja a entrevista que ela concedeu pro Varejo Sortido.



LAM - Débora, você já foi catadora de latinhas, faxineira e empregada doméstica. Como e quando foi que você encontrou a poesia?

Encontrei a poesia e a arte de declamar aos 27 anos de idade, escrevi alguns pensamentos e decorei e percebi: rimas, sentimentos...

LAM - Quais as influências da infância e adolescência que contribuíram na formação da poeta?

Cresci lendo Daniel Azulay e ouvindo rádio, amo ler e assistir reportagem de histórias de vida, ler biografias.



LAM - Você vive em Niterói. O que a cidade que você nasceu tem contribuido para sua formação poética?

As paisagens, principalmente o mar me inspira, o jeito do povo Niteroiense.

LAM - Você já publicou o livro "Sapatos do Tempo". Fala pra gente dessa experiência e da receptividade do público.

Sapatos do tempo é composto de Gente em forma de poesia. Trabalhei por quase 3 anos para juntar dinheiro e poder publicar o meu livro, saiu do jeito que sempre sonhei. A receptividade foi e é boa, pois renderam-me de entrevista a Record ao topo do morro.



LAM – Você já escreveu 18 livros de poesias que estão inéditos. Como você a oportunidade da poesia num mercado tão competitivo como é o atual?

Comecei a escrever o meu 18° livro de poesia, escrevo por que o Dom e a inspiração estão dentro da minha alma. Vejo o mercado da poesia competitivo, mas percebo que cada um tem um estilo, “uma forma de provocar tesão”, e por isso acho e acredito que temos força na poesia.

LAM - Você é declamadora e vive de poesia. Fala pra gente como é viver da própria arte?

Ganho dinheiro, faço alguns shows declamando poesias, casamentos, festas... Nunca pensei em viver da própria arte, encaro como um trabalho, vou lá deixo saudades, provoco emoções.

LAM - Você trabalha num call center, como você concilia essa atividade com a poesia?

Até lá no Call Center tenho espaço, lá tem um espaço para que mostremos nossos dons e o meu eu mostro, sou conhecida como: a escritora. Trabalho 6:20 mim, tenho tempo para compor.



LAM - Você participa do Mural de Escritores. Qual a sua expectativa na participação nessa comunidade?

A expectativa é essa aí: conhecer outros poetas, outras artes, fazer amigos, poder dar entrevista como esta agora. A propósito vi os seus trabalhos e tiro o meu chapéu. Parabéns.

LAM - A internet tem contribuído para difusão do seu trabalho?

Sim a internet é a melhor maneira para divulgação, tem muita vida e força.

LAM - Quais os projetos que a poeta tem por perspectiva de realizar?

Continuar vestindo esta camisa da literatura, estou prestes a lançar o meu próximo livro, e quero fazer um curso de fotografia, pois amo tirar fotos de paisagens, objetos, pessoas distraídas. Obrigada. Beijos Debora Moreno - Niterói 29/01/2011



Veja mais Débora Moreno, a Campanha Todo Dia é Dia da Mulher e as manifestações no Fórum do Guia de Poesia.

Confira mais:
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 150 mil visitas ,
Também comemorando pelas mais de 160 mil exibições e acessos no canal LAM do YouTube ,
ARTE CIDADÃ ,
As previsões do Doro para 2011 ,
PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
CRENÇA: PELO DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER,
CANTARAU: CANÇÕES DE AMOR POR ELA,
MINHAS ENTREVISTAS.