sexta-feira, março 07, 2008

PRIMEIRA REUNIÃO



Imagem: Lake McDonald - Glacier, Montana, do fotógrafo norte-americano Ansel Adams (1902-1984).

AMULETO

Luiz Alberto Machado

Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna.
Ontem na idéia presente. A imatura utopia, a gula da adolescência.
Hoje o vidro se quebrou e o neófito perdeu a surpresa.
Nunca sagrar a covardia nem tutelar a servidão.
Nunca engolir o sol, nunca impor preços
- os preços só vendem, aviltam!
E se a fera rugir lá de longe, lá que fique. Posso espreitar o seu eco.
Tomara nunca precise de contenda.

Piso forte o meu chão.
Hoje a esperança na tez do meu pai.
Hoje a esperança estornada pela lei da injustiça.
Hoje eu ergo o mundo e enfrento deus.

Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna.
Nos meus músculos os estigmas de todas as batalhas.
Na minha língua a lâmina da loucura.
Nos meus olhos, oh nos meus olhos o horizonte.

Piso forte o meu chão. E a minha dor é eterna.
Depositei no meu filho morto o parto do meu sonho.
E não deixei morrer o último ânimo.
E estou só, nada em troco.
Tudo para valer a poesia nossa de cada dia.

Piso forte o meu chão. Amanhã eu não sei.
Com a minha morte tudo passará.
E deixarei meu coração na primeira esquina.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira Reunião. Recife: Bageço, 1992.

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quinta-feira, março 06, 2008

DESENHO NO PLURAL



DESENHO NO PLURAL A Galeria de Arte do Dmae | Porto Alegre/RS convida para a exposição DESENHO NO PLURAL - mostra coletiva de arte contemporânea. Artistas participantes: Nathália Garcia James Zortéa Letícia Costa Gomes Gerson Reichert Nina Moraes Carlos Asp Tchello D'Barros - Abertura dia 4 de março de 2008 (terça-feira), às 19h
- Visitação de 5 a 26 de março de 2008 (seg. à sexta, das 8h às 17h30
- Galeria de Arte do Dmae, Rua 24 de outubro, 200
- Moinhos de Ventos - Porto Alegre/RS/Brasil



TCHELLO D´BARROS - O artista visual Tchello d'Barros, que recém retornou a Maceió depois de mais um périplo em território nacional, desta vez visitando 12 Estados, atendeu o convite da curadora Juliana Lima - leia-se Galeria Dmae, em Porto Alegre/RS - para participar com três obras na exposição coletiva de arte contemporânea Desenho no Plural, onde sete criadores apresentam na capital gaúcha suas produções relacionadas ao tema. A curadoria do projeto escolheu três fotografias P&B da série "E O Verso Se Fez Carne", realizada por Tchello em Maceió, uma série que lança um olhar sobre o tema da intimidade/feminilidade, onde o erotismo das imagens é também um comentário sobre a banalização do corpo feminino em nossa idade-mídia, em contraposição ao olhar que o mesmo tema sempre recebeu dos artistas na história da arte. As três imagens serão expostas no formato de um tríptico justaposto. As quarenta imagens da série permanecem inéditas como exposição individual, embora já tenham sido apresentadas em um evento do IAB-AL, projetadas no Projeto Terça-Foto, da Galeria Arte Plural em Recife, e tb também participam como Livro-objeto na mostra coletiva itinerante Afetos Roubados no Tempo, que transita por várias capitais brasileiras. O próximo passo é desenvolver uma série de posters com fotografias desta e de outras séries do autor. Algumas das imagens podem ser conferidas no blog www.tchellodbarros-fotografia.blogspot.com Mais informações: Tchello d'Barros www.tchello.art.br (0..82) 8857-1967
Luliana Lima POA/RS julianalimalimao@hotmail.com

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quarta-feira, março 05, 2008

CRÔNICA DE AMOR



Imagem: Mulheres musicais, de Ana Kaminski.

QUANDO QUEM MANDA É O AMOR

Luiz Alberto Machado

Vai a vida e nem aí. Tudo vai meio insosso, meia boca, tudo bem. Tudo sem sobressaltos, sem atropelos, até à toa e nos conformes, escorrendo na calha do racional, nem insinuando qualquer saída dos trilhos das metas ao alvo determinado. E é nessa hora que a gente se acha seguro, na certeza de que nunca mais definhará ou se submeterá ao estrupício de qualquer paixão. Ledo engano. Nada como uma noite entre um dia e outro para provar que, do inopinado, tudo se vira de pernas pro ar. Aí, segurar o tranco é que são elas, força redobrada no braço, pulso firme, punho determinado.
De nada adianta quando quem manda é o amor, nada mesmo. Basta rolar um clima que ninguém, mas ninguém mesmo, sabe de onde vem, onde se escondia ou de que raio de lugar chega a eclodir. E rola mesmo assim, do nada. Só se sente o flagra quando toca uma daquelas canções na pele da alma, como a do João Bosco, que diz "(...) o amor quando acontece a gente logo esquece que sofreu um dia...". Isso apenas só um olhar nada pretensioso que cruza sorrateiro na exaltação do flerte e traz o arrepio no corpo atravessando toda espinha dorsal. Chega com um frio no plexo solar minando o coração e acedendo a libido. Nessa hora as idéias dão um nó e seja lá o que deus quiser.
Mesmo assim, tudo é percebido como nada demais, levando a crer que vai se sair ileso: é só para ficar, mais nada. Nada o quê? Compelido pela imantação dos seres, vem surgindo devagar àquela revolução no peito que de tão estrondosa não se sabe bem o que é, mas que desarruma tudo a ponto de se desejar ardentemente estar ao lado daquela pessoa que vira tudo dos pés à cabeça.
Na maior desorganização o desgoverno reina na convergência dos olhares, na timidez insinuada, no encontro agradável aonde cada um vai se surpreendendo mais com o outro, uma gentileza infinita, uma identificação exaltada. E quando dar fé, nossa, um talqualzinho o outro, quanta coincidência, hem?
Pois é, mesmo nem sendo tão parecidos assim, tudo se inclina pro estreitamento no conluio dos afetos. É que no terreno do amor um passa a ser o outro e vice-e-versa, a viver pelo outro, a fazer tudo pelo outro, desmedidamente. Os dois passam a ser um: a unidade dos sentimentos. Isso sem contar com o febril perfume que vai incentivando aquele desejo desenfreado no mel da paixão avassaladora, acendendo a volúpia possante que desemboca num sim pro namoro das almas desgarradas. É aí que se perde a noção de si em mil ternuras que explodem demonstradas, milhões de carinhos dedicados, zis encantações afloradas, tudo em nome da entrega absoluta dos quereres mais arraigados. É o amor e quando ele reina não há espaço para mais nada. Ah é o amor na vez do seu domínio e com ele vem a febre do desejo ardendo, o fogo da paixão atiçando, os corpos pelando na combustão amorosa, tudo levando a saciar carências sedentas para satisfação do prazer de todas alucinações. Por causa dele, o sol brilha mais veemente, a vida é mais espetacular, o mundo passa a merecer a razão de se estar vivo, o universo é uma mera distância que exalta a infinitude do idílio, a natureza é o palco para a real felicidade.
Amar, por isso, é o sentimento mais sublime de comunhão humana. É nele que tudo é vivo, tudo é verdadeiro, tudo é a mais real manifestação verdadeira de vida.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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terça-feira, março 04, 2008

CONTENÇÃO DO SOBRESSALTO



EXPOSIÇÃO: "Contenção do Sobressalto", uma releitura focada em sentimentos. "Câmera na mão, o dedo úmido no disparador: a contenção do sobressalto". A frase é do conto "Azul Turquesa", da autora Lis Paim, que a partir do dia 8 de março assume a forma da exposição fotográfica intitulada "Contenção do Sobressalto – Uma releitura fotográfica do conto Azul Turquesa, de Lis Paim", de Amanda Nascimento, na Casa da Arte, em Garça Torta. A exposição é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Comunicação Social - habilitação Jornalismo, da estudante Amanda Nascimento, na Universidade Federal de Alagoas (UFAL). O trabalho foca sua atenção na subjetividade presente no enredo, propondo um registro dos sentimentos contidos no conto. Na história, uma fotógrafa anda pelo centro de uma cidade, cheio de pessoas que se esbarram mas não se vêem, em busca de imagens e de uma fotografia perfeita. Ela acaba encontrando a si mesma e enxergando uma realidade além do que a lente de sua câmera pode captar. O conto tem um forte teor emocional e retrata bem o perfil psicológico das personagens femininas. Azul Turquesa conquistou o primeiro lugar do concurso literário organizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 19a Região – Alagoas, em 2006, com o tema "Trabalho e Condição Humana" e foi adaptado para um curta-metragem homônimo. Amanda Nascimento – Tem 21 anos, é formanda de Comunicação Social, habilitação Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL. O interesse por fotografia surgiu cedo por causa de seu pai, também fotógrafo, mas apenas aos 18 anos começou a se dedicar seriamente à fotografia. Esta é a sua primeira exposição individual. Antes dela, participou das exposições coletivas: "Afetos Roubados no Tempo" (2006); "Alagoas, um pedacinho do Nordeste" (2006); Fotogarça (2007); HUM (2007); Ser em Seis (2007). Lis Paim – Tem 24 anos, é formanda de Comunicação Social, habilitação Jornalismo pela Universidade Federal de Alagoas – UFAL e escreve desde os 12 anos. Azul Turquesa foi escrito em 2005 e foi seu primeiro conto a ganhar um prêmio literário. Estuda cinema. Assina o roteiro e a direção do curta-metragem de ficção, "Azul Turquesa" e produziu os vídeos "Original Bruto" e "VII". Publica seus textos no blog "Azul Sólido" www.azulsolido.blogspot.com . Casa da Arte – Tendo à frente Edna Constant, a casa, situada em Garça Torta, desenvolve um trabalho social através da arte há mais de 20 anos, com grupos pobres de periferia e grupos empobrecidos de classe média. Sua principal meta é formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, promovendo a participação das crianças como agentes responsáveis pelas mudanças que garantirão a sustentabilidade local. A casa conta com uma biblioteca e um espaço para exposições artísticas. Serviço: O quê? Exposição fotográfica "Contenção do Sobressalto" Onde? Casa da Arte – Rua São Pedro, Garça Torta Abertura... 8 de março de 2008, às 17 horas Até... 22 de março Contato: Amanda Nascimento 3350-3204 / 9307-3062 amanda.adsn@gmail.com

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segunda-feira, março 03, 2008

FERNANDO AGUIAR – POÉTICAS & EX-POÉTICAS



FERNANDO AGUIAR – o poeta visual português Fernando Aguiar nasceu em Lisboa e é licenciado em Design de Comunicação pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa. Desde 1972 que se dedica à poesia experimental e visual utilizando os mais diversos suportes. É autor de livros de poesia, 3 livros infantis e organizou 6 antologias de poesia visual, colaborando com 48 antologias e livros coletivos de literatura contemporânea, e em mais de 500 jornais e revistas de arte e literatura em vários países. Já realizou exposições individuais em Portugal, Hungria, México, Polônia, Itália, Espanha e nos Emirados Árabes Unidos, e participou em centenas de exposições coletivas. Agora ele está com a exposição Poéticas & Ex-Poéticas com poemas visuais apresentados em uma série de cerca de 60 colagens realizadas em 1996 e 1997, que têm como principal característica o fato de utilizarem gravuras do Séc. XIX e letras de vinil desenhadas e recortadas com o recurso a meios informáticos, assim como letraset do final do Séc. XX, resultando na conjunção de linguagens (visual e alfabética) de dois séculos diferentes e com mais de 100 anos de distância entre si. Trabalhos desta série foram já apresentados na Biblioteca Municipal das Caldas da Rainha (1998), na Biblioteca Municipal da Tapada das Mercês (1998) e no Museu Nacional do Traje, em Lisboa (2004).Dos poemas visuais agora patenteados na Biblioteca Municipal D. Dinis, cerca de metade são inéditos. No entanto já foram quase todos publicados em revistas e jornais culturais em Portugal, Espanha, Itália, França, Canadá, Brasil, U.S.A., Índia e na Hungria, e em antologias literárias na Rússia, Brasil, Canadá, Hungria e em Portugal. Inauguração: 6 de Março, 18h00 Exposição 6 a 29 Março | 3ª a Sáb 10h30 ás 18h30 Encontro com Fernando Aguiar sobre Poesia Visual: 11 de Março, 17h00 Biblioteca Municipal D. Dinis Rua Guilherme Gomes Fernandes (fim) - 2675 Odivelas Tel: 21 934 57 85 | Email: bmdd@cm-odivelas.pt http://www.cm-odivelas.pt/Extras/BMDD/index.asp

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