sábado, janeiro 03, 2026

ENTREVISTA, POEMAS & LIVROS DE JAQUE MONTEIRO

 

 

JAQUE MONTEIROJaque Monteiro é escritora, mãe livre atípica, arte-educadora e que nasceu e mora no cerrado do Planalto Central, Brasília, capital jovem senhora. É filha da diversidade da mãe mineira com pai baiano. Ela já participou de antologias de poemas, haicais, contos e setígonos. É autora de Estações de humor – Em clima de haicai; Pilar Tenoz – romance juvenil em fase de publicação, do I Oficina de Catadupas do Brasil (2025), que é um livro resultante da Oficina de apresentação da Catadupa, um novo gênero poético brasileiro; AS SETIGONISTAS ao quadrado, uma dança poética que se fez livro de poemas setígonos em coautoria com noi soul, a ser lançado muito em breve; SETÍGONO: o brasileirinho ousado – Ensaio: teoria, prática e poesia, um livro com ensaio e poemas setígonos; BorboLERtras, que é um projeto de valorização e incentivo da mulher na cena literária brasileira.

Ela diz logo que é amante da palavra, viaja alhures na imaginação, flerta com a fotografia, adora contar e ouvir histórias-estórias. E mais: que transita pelas possibilidades artísticas, experimentando-as, vivenciando-as, pintando o sete e fazendo arte.

Possui perfil no Instagram: @jaquemonteiroescritora e no Youtube: @aarielamall1

E já começa aqui poetando:

 

“Quem canta, seus males espanta”

Quem dança, manda-os embora de vez

Quem embala poesia, transcende!

“Prazer em nos conhecermos!”

“Deixo um taquinho de mim, dá-me um tiquinho d’ocê.”

 

Agora vamos conhecê-la um pouco mais.

 

LAM – Como e quando se deu seu encontro com a arte e, consequentemente, a poesia?

 

Gente, desde cedo eu amo tanto brincar com as palavras, enveredar-me por novos aprendizados e inventar! Nesses momentos, minha alma pueril siligristida junta e separa letrinhas, inventa jeitos e trejeitos. O rebuliço mágico da imaginação a diverte, a alquimia da descoberta ao se deparar com um novo vocábulo a faz dar piruetas de regozijo, acordar uma palavra dorminhoca lhe tira suspiros ou gargalhadas!

Para além da escrita, sou arteira desde criança. Pintava o sete e o lemniscata: infinitas possibilidades. Descobri que o céu não é o limite! Escova de cabelo virava microfone, lata de tinta, palco, toalhas e lençóis, figurino... pura inteligência orgânica superativa, as realidades na minha cachola borbulhavam! A inteligência artificial não ousou bater à minha porta, e se vier encontrará o seguinte aviso: “estamos lotados”. Até acho que a danada não vai muito com minha cara, vez ou outra, olha-me de soslaio e me torce o nariz.

Retomando o tema sobre a escrita, a minha morada até os dias hodiernos, quiçá sou-lhe íncola pelo tempo vindouro indeterminado, tudo começa assim: era uma vez... em casa, com a minha mãe, aprendi a ler e a escrever muito cedo. À época, meus pais tinham uma banca de revistas. Eu ganhava gibis da turma da Mônica, livros e figurinhas autocolantes; lembro-me de um caderninho de arame onde, em cada página, eu colava uma delas e escrevia uma história atinente à imagem pregada (idade de uns quatro anos); eu me deleitava com aquilo. Dizia que seria escritora e cientista. Como eu gostaria de ler aquele caderno hoje! Infelizmente ele se perdeu em algum momento. Continuei a escrever na adolescência e, até então.

Tenho gosto pela experimentação. Transito lá e cá, ali e acolá. Os poemas e eu flertamos sobremaneira, temos uma conversa descontraída, um Tataritaritatá acolhedor, entretanto a prosa me arrebata desta dimensão, e, com naturalidade, meus textos acabam se inclinando para a prosa poética.

Aqui, uma confissão: cometi o terrível crime de deixar meus escritos aprisionados em gavetas (entenda-se por gavetas: disquetes, pen drives, computadores, celulares, cadernos, pedaços de papéis diversos e gavetas mesmo). Gente do céu e da terra, isso não se faz! Há pouco tempo foi que entendi o quão terrível, para eles, isso deve ter sido! Por fim, atualmente, decidi fazer a publicação deles, de forma tranquila e gradual.

 

LAM – Quais influências marcantes da infância e adolescência prevaleceram na sua formação artística?

 

Na infância, como dito anteriormente, influenciaram-me as histórias dos gibis da Turma da Mônica, figurinhas autocolantes, o livro A fada que tinha ideias, da Fernanda Lopes, Flicts, do Ziraldo, a Fada Estrela Azul, quadro do programa Carrossel, TV Brasília, décadas de 70 e 80, onde a escritora Stella Maris Rezende cantava e contava histórias de livros infantojuvenis de autores brasileiros. Eu continuo admirando o trabalho dela. Seus livros são muito bem escritos, não é por acaso que já ganhou inúmeros prêmios, o Prêmio Jabuti figura entre eles. Encantam-me seus projetos, com os jovens, de incentivo à leitura.

Na adolescência, malgrado eu ser uma leitora ativa, eu me interessei pela leitura das histórias embaladas pelo movimento corporal, foi quando passei a frequentar aulas de ginástica rítmica de dança, dança aeróbica e street dance.

Na fase adulta, fiz aulas de dança do ventre e aprendi tocar alguns instrumentos musicais, sem muita técnica, só “de ouvido”, como dizem, para brincar com meu pai, que toca sanfona, e com minha mãe, que toca viola caipira, eu os acompanho com o contrabaixo ou pandeiro, mas não somos profissionais, só amantes da música e de fazermos boas bagunças musicais em aniversário de amigos.

 

LAM – Você é arte-educadora. Fala pra gente como se desenvolve esta sua atividade?

 

Seria um pecado guardar esse entusiasmo artístico só para mim. Como arte-educadora, tenho imensa alegria de compartilhar dinâmicas de propagação do fazer artístico, com o compromisso de tornar a arte e a cultura acessível ao máximo de pessoas possível.

Antes de me tornar arte-educadora, integrei um grupo de teatro sob direção de Rosi Rosa.

No passado, coordenei alguns projetos de inclusão social, saúde e qualidade de vida através de oficinas de música, de teatro e de leitura para adolescentes moradores da área rural, a exemplo do projeto Chá da tarde, com escritoras e escritores, onde os jovens liam as obras de autoras e autores convidados, depois tinham a oportunidade de conversar com elas e com eles.

Atualmente estou implantando o projeto BorboLERtras – oficinas para Elas, uma proposta referente ao incentivo da presença das mulheres na cena literária, seja como leitoras, seja como escritoras, por intermédio de várias oficinas. Cito algumas delas: a Oficina de aprendizado e prática dos gêneros poéticos brasileiros: Poetrix, Aldravia, Spina, Setígono, Catadupa e Gradativa; a Oficina de escrita espontânea poética sensorial; a Oficina de dinâmicas e confecção de objetos lúdicos (guarda-chuva poético, janelas poéticas, tarô poético, sussurros poéticos...) para interação poética com o público nas ruas, eventos, escolas etc.; e, a Oficina Elas contam, de criação de contos.

 


LAM – Em 2024 você publicou Estações de humor: em clima de haicai. Fala pra gente como se deu a incursão por esta modalidade poética e a receptividade da experiência.

 

Estações de humor: em clima de haicai integra prosa poética com haicai, ou seja, é um haibun, e surgiu após eu me encantar pela leitura dos haicais de Bashô, quanta profundidade poética, em três linhas, sobre cenas comuns! E pela irreverência nos haicais de Leminski.

A modalidade poética supracitada tem boa receptividade no Brasil, e a comunidade de haijin brasileiros vem aumentando e se consolidando como grupo de divulgação desse estilo de poema japonês.

 

LAM – Você tem um projeto de publicação de um romance juvenil, Pilar Tenoz. Conta pra gente o que é este seu empreendimento literário e de quando será lançado para o público.

 

Esta pergunta eu começo respondendo de trás para frente, para justificar o não aprofundamento da minha resposta a ela.

O contrato com a editora prevê a publicação para 2026, portanto eu não posso entrar em muitos detalhes, mas posso adiantar que, Pilar Tenoz é um romance juvenil com referências que funcionarão como pontes entre os jovens da atualidade e o contexto social, político e cultural dos anos 80. O livro proporciona o contato com algumas obras e canções do período.

 


LAM – Você está lançando agora um novo livro: I Oficina de Catadupas do Brasil -2025!!! O que trata o livro e o que significa Catadupar?

 

O livro I Oficina de Catadupas do Brasil – 2025 se trata da apresentação da Catadupa, um novo estilo poético que eu criei há mais ou menos dez anos, juntamente com outro estilo, a Gradativa, entretanto só saíram da gaveta em 2025.

A Catadupa recebe esse nome, porque sua configuração lembra uma cascata ou uma escadaria de versos, isso se deve à quantidade e à disposição específicas de palavras em cada verso.

Além da apresentação das características e da estrutura da Catadupa, a obra traz o resultado e o registro do trabalho realizado pelas poetas e pelos poetas na oficina durante os dois meses de imersão teórico-prática nessa forma poética.

Eu mostrei o estilo para noi soul, poeta da Bahia, ela gostou e levou a proposta ao grupo Pulsão Poética. Outras pessoas aderiram à propositura. O interesse aumentou e movimentou o grupo. Foi nesse momento que criamos um ambiente acolhedor só para trabalharmos com a Catadupa, assim surgiu a I Oficina de Catadupas do Brasil – 2025.

A princípio, termo catadupar tem sido usado para designar a ação de ler ou escrever catadupas.

 


LAM – Você participa do grupo Setigonando a vida. Como se deu a descoberta do Setígono e quais são as propostas do grupo?

 

Conheci o Setígono através do projeto Pulsão Poética, onde noi soul me convidou para participar do grupo Setigonando a vida, no WhatsApp, com o propósito de trabalharmos o novo gênero poético.

Dentre os objetivos do grupo posso elencar: aprender sobre o Setígono, praticar e difundir o novo gênero para além da comunidade do WhatsApp. Por fim, publicar uma antologia de Setígonos.

 

LAM – Você participa da antologia Setigonando a vida: um novo estilo poético. Como tem sido setigonar?

 

Setigonar tem sido uma instigante experiência de descobrir, combinar e espalhar as infindáveis fragrâncias que exalam dessa flor aromática de sete pétalas.


 

LAM – Você tem um outro projeto também prestes a lançar, As setigonistas ao quadrado – uma dança poética. Explica pra gente como é essa dança?

 

Este livro é uma dança em harmonia sincrônica de duas mentes bailarinas e luminosas de alegria, como uma dupla que se encontra no salão, cada qual com movimentos a contribuir para a performance, onde a coreografia vai surgindo durante a música setigonal. Dança e canção se fundem em melodia de compassos compostos por enarmonia de notas e relativos, passos diferentes que se comunicam; notas iguais com significados diferentes e, notas diferentes que ressoam parecença, pois foi assim que o projeto foi concebido, cada uma reuniu 35 setígonos próprios, sem interferência da outra e, o resultado: a dança poética em compassos enarmônicos e relativos integrando diferenças, semelhanças e completude.

A cada dupla de páginas, o setígono de uma poeta conversa com o setígono da outra poeta, e cantam, e dançam.

Foi um mimo realizar este projeto em parceria com noi soul, de quem eu admiro o trabalho artístico e que tenho em alta conta, a amizade, consolidada durante nossos encontros artísticos

 

LAM – Que outros projetos você tem por perspectiva realizar?

 

Para 2026 tenho intenção de concretizar alguns projetos, dentre eles, estes:

SETIGONO, o brasileirinho ousado – Ensaio: teoria, prática e poesia. Vou roubar um pouquinho aqui, pois este primeiro já está publicado, só não foi divulgado ainda. É um ensaio sobre o meu queridinho gênero poético, o setígono. A primeira parte da obra é constituída pelo ensaio e, a segunda, por poemas setígonos.

Do Brasil ao Japão – uma volta poética. Um livro de poemas autorais passeando pelos gêneros: Poetrix, Aldravia, Spina, Setígono, Catadupa e Gradativa (os estilos brasileiros), e, Haicai, Tanka e Haibun (os estilos japoneses).

I Oficina de Gradativas do Brasil – 2026. Projeto semelhante ao das Catadupas, todavia o gênero trabalhado será a Gradativa.

Vou contar até 100. Um livro com 100 microcontos, os quais possuem até 100 caracteres.

Miniminhas Florais. Este trabalho nasceu em 2025. É a integração entre desenho e escrita.

Buzi e outros dois projetos de livros infantis, os quais escrevi para minha filha, quando ela era criança (hoje ela tem 22) e, atualmente, ela me pediu para os publicar. Buzi, inclusive, eu já o ilustrei.

Romances engavetados. Pretendo trabalhar na revisão de dois romances engavetados, Axis mundi e Orgulho, preconceito, razão sem sensibilidade (título provisório) e continuar a escrever o Pé-de-bode, com os capítulos iniciais já escritos.

Bom, espero que 2026 tenha um pouco mais de 365 dias (risos). Parece muita coisa, e é, há outras misturadas entre elas, porém meu ritmo é meu amigo. A gente projeta, faz o que dá conta e tudo bem.

Não me pediram, mas se eu pudesse dar um conselho eu diria: escreva! Mesmo uma lista de compras. Deixem que as palavras brinquem com vocês, e quem sabe a lista de compras vira um lindo poema! De novo: o céu não é o limite!

Gostaria de agradecer ao Luiz Alberto pela oportunidade de falar sobre o que amo e que me movimenta! E pelas perguntas maravilhosas que me fizeram viajar alhures no tempo, instigando a vontade de abrir velhas gavetas empoeiradas, dos armários e da mente. E mais, pelo seu trabalho de “espraiarte” pelo mundo! Gratidão!

 

Agora ela nos premia com diversos de seus poemas, vamos conferir, primeiro, as Catadupas, depois, as Gradativas, Setígonos e um Soneto.

 

PATRIARCAICO

 

vento

voa lento

versa muda, alento

 

arrepia

assopra, expia

acorda essa utopia

 

urge

uivante, surge

urgente vem, insurge

 

irradia

instiga rebeldia

irrompe arcaica voivodia

 

(jaque monteiro – Catadupa terceta)

 

LETRA ALUMIADA

 

lucivéu

listrado dossel

lusco-fusco véu

lumia palavras no papel

 

paridas

plurais, floridas

partenogênese de vidas

placebo das minhas feridas

 

flechas

furam brechas

fomentam fomes ventrechas

fiapos contorcidos em mechas

 

metaverso

militante verso

moldado e controverso

moldura de avesso inverso

 

ilumina

inócua lamparina

invoca letra menina

irrompe o casulo, agripina

 

(jaque monteiro – Catadupa quarteta)

 

CASAMENTO ARRANJADO

 

atos

acordos insensatos

amores tépidos, caricatos

 

coisificados

contratos firmados

corações gélidos, desinteressados

 

(jaque monteiro – Catadupinha terceta)

 

DOÇURAS DA PAIXÃO ESTREADA NO CAMPO

 

bananeira

beldade roceira

brota na ribanceira

balança ao vento, faceira

beija sorrateira, galhos de amoreira

 

amora

adocicada aurora

acalenta sem demora

amores agridoces estreados agora

assanhados, emergentes, urgentes toda hora

 

hesitantes

hígidos visitantes

húbris chamas militantes

herege fogueira dos amantes

hirta os pelos, explosões delirantes

 

delícia

doce blandícia

desejo saciado, carícia

delicados afagos sem malícia

dentes-de-leão, paisagem propícia

 

(jaque monteiro – Catadupa quinteta)

 

ALQUIMIA

 

lua

letra nua

legitimo-me sua

 

silencio

sozinha balbucio

sigiloso ritual luzidio

sorvo verbo carnal, arrepio

 

atravesso

arredio reverso

arvoro além-universo

absorvendo magia de verso

aldrava áurea anuncia meu regresso

 

(jaque monteiro – Catadupa mista)

 

RAÍZES

 

não sei se consigo...

 

largar o meu lar

vai me machucar

 

árdua tentativa

arrancar do abrigo

a essência nativa

 

o coração dói

rasg’alma, corrói

eful-lo pra trás

serei eu, capaz?

 

Não há outro jeito

eu levo e respeito

lembranças comigo

serei a morada

da história guardada

 

(Jaque Monteiro – Gradativa em redondilha menor)

 

PACHORRA VESPERTINA

 

balança a palmeira ao vento

 

da rosa, a pétala cai

a cena gesta um haicai

 

na areia, brinca a esperança

a vó ri c’olhar atento

lembra o tempo criança

 

a vida, às vezes, doída

hoje está siligristida

peço licença, tristeza

agora aqui, só leveza

 

o lápis tatua verso

devaneia, entoa imerso

cantiga suave, alento

enche a mente de harmonia

e o papel de poesia

 

(Jaque Monteiro – Gradativa em redondilha maior)

 

SETÍGONOS

Um setígono sobre a criança siligristida. Jaque Monteiro

 

há uma criança siligristida

morando dentro de mim

a menina curiosa e atrevida

descobriu que broto de letra

vira palavra florida

que versa poesia colorida

tornando a vida mais divertida

 

Um setígono sobre a Caliandra, Jaque Monteiro

 

ergue-te, coralina alegria de renovação!

Rubra Caliandra, flor-do-pôr-do-sol

desperta-te no auge da seca estação

e reflete, vibrante, em minhas meninas

a tortuosa beleza das vidas retorcidas

na pálida farfalheira ruidosa do cerrado

... e me arrebata em suspiros carmesim!

 

Um setígono sobre os apaixonados, Jaque Monteiro

 

os grilos orquestram a serenata

eis um casal apaixonado!

A cabeça mora nas nuvens

vagalumes são estrelas que voam

a lua é lustre, no céu pendurada

a noite abraça os enamorados

diante da janela dos sonhadores

 

SONETO

 

Astro-Rainha

Jaque Monteiro

 

Já amanheceu e o Febo dorme tácito

Depois da Lua, vem a grande azáfama

Brilho escondido nessa dura amálgama

Acobertado pelo alvor estrépito

 

Ter que dar conta dessa agrura, o plácito

Estrela alvíssara, servil achádego

Destruição, ele explodindo trôpego

Queimando tudo, derramando vômito

 

Força lunar, traz seu poder esplêndido

Aquele escrito com papiro e efulgi

As testemunhas de um passado lépido

 

Com gravidade, reivindica os efulgido

Astro-Rainha, coração efulgido

Sem seu suporte, o Sol ruir, veríamos

 

 

Agora veja detalhes do livro da I Oficina de Catadupas do Brasil -2025 aqui & mais sobre Setígonos aqui, aqui, aqui & aqui.

 

Veja mais aqui.