TUNGA – O escultor,
desenhista e artista performático Tunga (Antônio José de Barros Carvalho
e Mello Mourão – 1952-2016), é um dos artistas mais emblemáticos da arte
contemporânea. Filho do escritor Gerardo Mello Mourão e da ativista social Léa
de Barros Carvalho e Mello Mourão, nasceu em Palmares (PE) e trabalhou no Rio
de Janeiro, onde concluiu o curso de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade
Santa Úrsula. Iniciou sua carreira na década de 1960, produzindo desenhos e
pequenas esculturas e traçando imagens figurativas com temas ousados, como nas
séries O Perverso, Pensamentos, Máquinas, Charles Fourier (1772/1887) e Paisagens
do Desejo. Foi co-editor da Revista Nove (1969-1971), uma publicação
de poesia moderna, e colaborou com a revista Malasartes (1976), e com o
jornal A Parte do Fogo (1980).
Em 1975, ele apresentou objetos tridimensionais na
exposição individual intitulada Tunga - Ar do Corpo, no Museu de Arte
Moderna do Rio de Janeiro.
Na década de 1980, passou a criar instalações, nas quais
utilizou grande variedade de materiais para explorar a ideia de conjunção,
magnetismo, transmissão e isolamento de energia e forças invisíveis, sempre
justapondo-os com rigor formal. Neste período criou obras icônicas como Trança
[1983]; ÃO [1981]; Xifópagas Capilares entre Nós [1984], Vanguarda
Viperina [1985]; Eixos Exógenos [1986-2000]; e, Semeando Sereias
[1987-1998]. E ainda deu início aos trabalhos com formas e signos que marcariam
sua carreira.
Nos anos 1990, ele intensificou a pesquisa sobre as
relações energéticas entre diferentes metais em suas instalações, passando a
usar conjuntos de ímãs em diversos trabalhos, elaborando suas instaurações -
nome dado pelo artista às ações que ativavam seus trabalhos tridimensionais ou
imersivos. Diferente da performance, que implica uma noção relacionada ao
desempenho, a instauração trata-se de "fazer acontecer algo que você
testemunha, que não estava ali, com uma luz nova.” Além disso, ele promove uma
série de ações com terracota, argila e maquiagem, publicando, em 1997, o
icônico Barroco de Lírios, primeiro livro editado pela Cosac &
Naify, que faz um retrospecto das principais obras de Tunga realizadas entre
1981 e 1996.
Entre os anos 2000/2016, realiza uma reprodução
Morfogenética, ocupando três andares do Centro Cultural Banco do Brasil e
preenche a rotunda da instituição com uma luz vermelha e voz de Arnaldo
Antunes, atores e bailarinos, dirigidos pela coreógrafa Lia Rodrigues,
aplicavam maquiagem à instalação. Também idealizou a instalação Tríade
Trindade [2001]; as performances Encarnações Miméticas e Experiência
com Ynaiê [2003]; a série Quase Auroras [2005]; os filmes Quimera
[2004], que concorreu à Palma de Ouro, na categoria curta-metragem, em Cannes,
em 2004, e Medula [2005], ambos em parceria com Eryk Rocha; e, as obras Psicopompos
e Vers La Voie Humide, no Château La Coste, na França [2008-2015]. Em
2004, inaugurou a Galeria True Rouge - primeira instalação permanente do
Instituto Inhotim, um desdobramento da série de performances True Rouge,
apresentadas desde 1997 em diversas ocasiões e cuja inspiração parte de uma
poesia algébrica do escritor Simon Lane. E, em 2012, inaugura a Galeria
Psicoativa Tunga, também em Inhotim, que abriga uma exposição permanente
apresentando mais de 20 obras do artista sendo muitas icônicas como Ão (1981);
Vanguarda Viperina (1985); Palíndromo Incesto (1990-1992); Tereza (1998); Prole
do Bebê (2000); À la Lumière des Deux Mondes (2005); X-estudo (2009);
Psicopompo Cooking Crystal (2010); e, Toro Condensed (1983) and Toro Expanded
(2012).
Tunga recebeu a condecoração Chevalier des Arts et des
Lettres (Cavaleiro das Artes e das Letras) pelo embaixador da França, Alain
Rouquié. E, em 2005, foi o primeiro artista contemporâneo a exibir sua obra, À
la Lumière des Deux Mondes, na pirâmide do Louvre.
Sua erudição e formação filosófica se refletiu em uma
produção artística que envolve o cruzamento de pesquisas em diferentes áreas do
conhecimento, apresentando interfaces com a literatura, filosofia, psicanálise,
teatro, ciências exatas e biológicas, tratando-se de uma obra potente, profunda
e autorreferente que nega o tempo linear e se apoia fortemente na
materialidade, topologia, simbologias e processos de transformação e
metamorfoses.
Atualmente, a equipe do Instituto Tunga trabalha na
elaboração do Catálogo Raisonné que irá mapear todas as obras
bidimensionais do artista em uma única publicação bilingue, em português e
inglês, online e gratuita. Confira.
TUNGANDO A VIDA
A ARTE DE TUNGA
ART’UNGA



