Mostrando postagens com marcador Instauração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Instauração. Mostrar todas as postagens

sábado, agosto 08, 2026

TUNGA, TUNGANDO A VIDA

 

 

TUNGA – O escultor, desenhista e artista performático Tunga (Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão – 1952-2016), é um dos artistas mais emblemáticos da arte contemporânea. Filho do escritor Gerardo Mello Mourão e da ativista social Léa de Barros Carvalho e Mello Mourão, nasceu em Palmares (PE) e trabalhou no Rio de Janeiro, onde concluiu o curso de Arquitetura e Urbanismo, na Universidade Santa Úrsula. Iniciou sua carreira na década de 1960, produzindo desenhos e pequenas esculturas e traçando imagens figurativas com temas ousados, como nas séries O Perverso, Pensamentos, Máquinas, Charles Fourier (1772/1887) e Paisagens do Desejo. Foi co-editor da Revista Nove (1969-1971), uma publicação de poesia moderna, e colaborou com a revista Malasartes (1976), e com o jornal A Parte do Fogo (1980).

Em 1975, ele apresentou objetos tridimensionais na exposição individual intitulada Tunga - Ar do Corpo, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Na década de 1980, passou a criar instalações, nas quais utilizou grande variedade de materiais para explorar a ideia de conjunção, magnetismo, transmissão e isolamento de energia e forças invisíveis, sempre justapondo-os com rigor formal. Neste período criou obras icônicas como Trança [1983]; ÃO [1981]; Xifópagas Capilares entre Nós [1984], Vanguarda Viperina [1985]; Eixos Exógenos [1986-2000]; e, Semeando Sereias [1987-1998]. E ainda deu início aos trabalhos com formas e signos que marcariam sua carreira.

Nos anos 1990, ele intensificou a pesquisa sobre as relações energéticas entre diferentes metais em suas instalações, passando a usar conjuntos de ímãs em diversos trabalhos, elaborando suas instaurações - nome dado pelo artista às ações que ativavam seus trabalhos tridimensionais ou imersivos. Diferente da performance, que implica uma noção relacionada ao desempenho, a instauração trata-se de "fazer acontecer algo que você testemunha, que não estava ali, com uma luz nova.” Além disso, ele promove uma série de ações com terracota, argila e maquiagem, publicando, em 1997, o icônico Barroco de Lírios, primeiro livro editado pela Cosac & Naify, que faz um retrospecto das principais obras de Tunga realizadas entre 1981 e 1996.

Entre os anos 2000/2016, realiza uma reprodução Morfogenética, ocupando três andares do Centro Cultural Banco do Brasil e preenche a rotunda da instituição com uma luz vermelha e voz de Arnaldo Antunes, atores e bailarinos, dirigidos pela coreógrafa Lia Rodrigues, aplicavam maquiagem à instalação. Também idealizou a instalação Tríade Trindade [2001]; as performances Encarnações Miméticas e Experiência com Ynaiê [2003]; a série Quase Auroras [2005]; os filmes Quimera [2004], que concorreu à Palma de Ouro, na categoria curta-metragem, em Cannes, em 2004, e Medula [2005], ambos em parceria com Eryk Rocha; e, as obras Psicopompos e Vers La Voie Humide, no Château La Coste, na França [2008-2015]. Em 2004, inaugurou a Galeria True Rouge - primeira instalação permanente do Instituto Inhotim, um desdobramento da série de performances True Rouge, apresentadas desde 1997 em diversas ocasiões e cuja inspiração parte de uma poesia algébrica do escritor Simon Lane. E, em 2012, inaugura a Galeria Psicoativa Tunga, também em Inhotim, que abriga uma exposição permanente apresentando mais de 20 obras do artista sendo muitas icônicas como Ão (1981); Vanguarda Viperina (1985); Palíndromo Incesto (1990-1992); Tereza (1998); Prole do Bebê (2000); À la Lumière des Deux Mondes (2005); X-estudo (2009); Psicopompo Cooking Crystal (2010); e, Toro Condensed (1983) and Toro Expanded (2012).

Tunga recebeu a condecoração Chevalier des Arts et des Lettres (Cavaleiro das Artes e das Letras) pelo embaixador da França, Alain Rouquié. E, em 2005, foi o primeiro artista contemporâneo a exibir sua obra, À la Lumière des Deux Mondes, na pirâmide do Louvre.

Sua erudição e formação filosófica se refletiu em uma produção artística que envolve o cruzamento de pesquisas em diferentes áreas do conhecimento, apresentando interfaces com a literatura, filosofia, psicanálise, teatro, ciências exatas e biológicas, tratando-se de uma obra potente, profunda e autorreferente que nega o tempo linear e se apoia fortemente na materialidade, topologia, simbologias e processos de transformação e metamorfoses.

Atualmente, a equipe do Instituto Tunga trabalha na elaboração do Catálogo Raisonné que irá mapear todas as obras bidimensionais do artista em uma única publicação bilingue, em português e inglês, online e gratuita. Confira.


TUNGA

TUNGANDO A VIDA

I

II

III

A ARTE DE TUNGA

I

II

ÃO

VÊ-NUS

ART’UNGA

I

II

SEMANA TUNGA