segunda-feira, abril 20, 2009

MAITÊ PROENÇA & TATARITARITATÁ!!!!



MAITÊ PROENÇA – A atriz e escritora paulista Maitê Proença, depois de uma bem sucedida carreira no teatro, cinema e televisão, fez incursão na literatura, inicialmente escrevendo crônicas para a revista Época, publicando seu primeiro livro “Entre ossos e escrita”, em 2005. Depois escreveu a peça “Achadas e perdidas”, em 2006, seguindo-se “As meninas”, um texto teatral em parceria com Luiz Carlos Goes. Em 2008, ela lançou “Uma vida inventada: Memórias trocadas e outras histórias” e, no próximo dia 24, às 19:30hs, em Maceió, ela estará realizando uma palestra e o lançamento deste livro. Serviço: Maitê Proença em Maceió. Endereço da Esmal: Rua Cônego Machado, 1061. Farol, Maceió – referência: no final da rua do CESMAC. No sitio dela o visitante encontrará a biografia, carreira, retratos, entrevista, estrada, crônicas e muito mais. É só acessar: http://www.maite.com.br/



TCHELLO D´BARROS: SEMBLANTERIA POP – Para comemorar seus 20 anos de atuação no mercado alagoano, celebrado no dia 11 de abril, o Iguatemi realiza a partir do próximo dia 23, em parceria com a revista S.Mag, a exposição “Fashion 20Vinte”. O nome faz uma referência ao famoso evento de moda “fashion Week” e um trocadilho com os vinte anos do maior centro de compras da capital alagoana. O evento acontece na praça central e apresentará os principais destaques da moda durante essas duas décadas e os modelos que inspiram as tendências do outono-inverno 2009. Para cada ano de existência do shopping, o jornalista James Silver, que assina a curadoria da mostra, identificou um hit ou um acontecimento com repercussão na moda, traduzindo-os em produções registradas pelos fotógrafos Andrea Moreira, Gustavo Boroni, Leninha Omena, Silvio Eugênio, Luis Eduardo Vaz e Dressa Mello. O ano de fundação do Iguatemi, 1989, foi interpretado pelas jornalistas Gilka Mafra, Michelle Barros e Aline Angeli numa releitura do fim dos anos 80: com direito a muitas cores e ombreiras. 1990 marcou a força do jeans como coringa da moda. O ano seguinte relembrou o auge de Xuxa numa divertida foto de Andrea Moreira com algumas ‘xuxetes’. 1992 foi a vez das t-shirts com palavras de ordem grafadas – bem ao estilo ‘caras pintadas’.Já em 1993, ano em que Mandela ganhou o Nobel da Paz, a temática foi o ‘black is beautiful’. No ano seguinte, A Lista de Schindler ganhava o Oscar, inspirando uma foto singela toda em P&B, com o vestido da garotinha em vermelho, como no filme. 1995 marcou o auge da vinda de grifes internacionais ao Brasil. E Gustavo Boroni congelou numa imagem as socialites Gabriela Cabus, Sâmea Lins, Rosa Gaia e Luciana Lima com um arsenal de Louis Vuiton, Prada e Gucci. No verão de 1996 o tubinho preto ganhou um frescor fashion. Por isso a peça vestiu a artista plástica Verinha Gamma numa cena do tipo ‘bonequinha de luxo’. A cintura baixa explodiu no verão de 1997 e foi reinterpretada numa foto ao estilo ‘angels’ – com três modelos usando exclusivamente jeans com esse shape. Como o japonismo influenciou muito a moda em 1998, o ano foi representado na exposição com uma foto, com styling de Flavius Lessa, onde a artista gráfica Ana Glafira se travestiu de uma cosmopolita garota japonesa. Como em 1999 o esporte teve muita influência sobre a moda, o foco central da foto que representa esse ano é o movimento. O ano de 2000 foi o auge da tendência hippie chic, por isso, a foto não poderia ter sido mais explícita quanto ao tema. E como 2001 foi a época da opulência do brilho, um baú faiscante foi preenchido por uma modelo coberta por mais de R$ 50 mil em jóias e bijuterias. As listras voltaram com tudo em 2002 e foram interpretadas numa foto cheia de grafismo. O ano seguinte marcou o retorno do shape helenístico à moda, por isso a fotógrafa Dressa Mello convocou a veterana modelo Juliana Tenório para emprestar sua beleza clássica à mostra. 2004 foi o ano da androginia. E 2005 marcou um mergulho de volta aos anos 50, numa foto retrô de Luis Eduardo Vaz com a chef Ana Paula Oliveira vivendo uma ‘submissa’ dona de casa da época. A top Bruna Tenório também faz parte da exposição, numa foto que fala do retorno dos maxi óculos vintage: febre em 2006. O inverno de 2007 ressuscitou – mais uma vez! – o xadrez. Por isso, James Silver editou um look onde o DJ Bacana incorporou um kilt irlandês com a famosa padronagem. E 2008 foi relembrado pela força insubstituível do preto: uma cor eterna na moda. A exposição ainda contempla duas outras vertentes. Serão exibidas, em retrospectiva, 20 capas de moda da revista S.Mag – algumas históricas, estreladas por Gisele Bündchen, Yasmin Brunet e Bruna Tenório. A mostra ainda conta com a interpretação de 20 formadores de opinião sobre a peça-chave desse inverno: a calça cenoura. Entre os convidados para a “empreitada” fashion, arquitetos, designers, estilistas, produtores de moda, fotógrafos e artistas gráficos, a exemplo de Rodrigo Fagá [que assinou também o projeto arquitetônico da exposição], Juliana Tenório, Flavius Lessa, Aline Rijo, Ana Waleska Bulhões, Henrique Gomes, Katinha Tenório, Jean Gadotti, Vivi Barbosa, Tatiana Malé, DJ Bacana, Suel, Felipe Camelo, Caza, Cláudia Calheiros, Juliana Buarque, Lúcio Moura, Ana Cláudia Lyra, Ana Glafira e Tchello d’Barros. Esse último, inclusive, criou a série "Semblanteria Pop", retratando as cabeças criativas deste projeto. Desenvolvida na linguagem da Pop Art, rendendo assim um tributo a Andy Warhol, precursor mundial do gênero, a série de ‘carinhas’ aparece na exposição identificando o espaço de cada um dos formadores de opinião especialmente convidados. O editorial de moda produzido para a exposição será destaque na edição fashion da S.Mag, com veiculação no próximo mês de junho. Serviço Mostra Iguatemi Fashion 20Vinte Dia: 23/4/09 Local: praça central shopping Iguatemi Maceió Horário: 19h Maiores informações sobre a Série SEMBLANTERIA POP no FASHION20 IGUATEMI com o artista Tchello d’Barros – 82-8857.1967 / tchello@tchello.art.br iNFO: Ana Glafira 82-8856.5030 www.anaglafira.art.br anaglafira@anaglafira.art.br



UNICORDEL – Agenda da Unicordel para os próximos dias 24-abril - 16 h - Recital na biblioteca do metrô (Leitura nos Trilhos), localizada na estação central (próximo à Casa da Cultura, Recife) 25-abril - 21 h - Recital na Ilha de Itamaracá, na abertura da Ciranda de Lia. Info: José Honório da Silva-União dos Cordelistas de Pernambuco-UNICORDEL

LUIZ OTAVIO OLIANI – Luiz Otávio Oliani está lançando no próximo dia 08 de junho, o seu livro “Espiral”, pela Editora Palavra. O evento ocorrerá a partir das 17 até as 20 hs, na Livraria Berinjela Av. Rio Branco, 185 Sobreloja - loja 10 Centro Rio de Janeiro. Luiz Otávio Oliani é natural do Rio de Janeiro, graduado em Letras e Direito. Participou de diversas antologias e tem poemas publicados em jornais do País e do exterior. Com incursões no teatro e no jornalismo, frequentou oficinas e atua no movimento literário da cidade carioca desde 1990, período em que obteve mais de 50 premiações. Publicou "Fora de órbita", Editora da Palavra, poesia, 2007, orelhas de Teresa Drummond e prefácio de Igor Fagundes; livro recomendado à leitura pelo Jornal de Letras, editoria dos acadêmicos Arnaldo Niskier e Antonio Olinto, em outubro de 2007. Em 2008, teve o poema "Teresa" musicado por Ma ury Santana no CD Música em Poesia, volume 1. No prelo, "Espiral", com prefácio de Reynaldo Valinho Alvarez e orelhas de Astrid Cabral, publicação da Editora da Palavra, 2009.

A CADEIRA – Uma revista superinteressante está disponível na rede. Trata-se de A Cadeira, revista virtual da Academia Niteroiense de Letras, já se encontra no site www.academianiteroiense.org.br. Confira, imperdível.



VALDECK ALMEIDA – O escritor baiano Valdeck Almeida de Jesus está lançando 8 livros no seu estande exclusivo na Bienal da Bahia. É que dos 88 expositores que participam do evento, o estande Valdeck Jesus é exclusivo do poeta baiano. Além disso, desde 2005 que o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia lança novos poetas no mercado editorial. Este projeto foi um sonho que seu idealizador acalentou desde os doze anos de idade, que pretendia dar oportunidade a escritores emergentes. A última edição foi lançada na 20ª Bienal do Livro de São Paulo, com 182 poetas do país inteiro, bem como de Portugal, Angola e Moçambique. As inscrições já estão abertas no site Galinha Pulando. OUTRAS OBRAS QUE SERÃO LANÇADAS NA BIENAL: Feitiço contra o feiticeiro” (poesias), “Jamais esquecerei do Brother Jean Wyllys” (poemas e crônicas), “Poemas que falam” (poesias), “Valdeck é Prosa, Vanise é Poesia” (prosa e poesia), “30 Anos de Poesia” (poesia), “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus” (poesia), “2ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus” (poesia) e “3ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus” (poesia). Estande “Valdeck Almeida de Jesus” 9ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DA BAHIA 2009 17 a 26 de Abril de 2009, das 10 às 22 horas Centro de Convenções da Bahia Avenida Otávio Mangabeira, s/n° Boca do Rio – Salvador – BA www.bienaldolivrobahia.com.br Veja mais: www.galinhapulando.com

ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL – MARIANA – MG – Ocorrerá a solenidade de posse dos membros da Academia de Letras do Brasil –Mariana. Info no blog da Academia de Letras do Brasil - Mariana-MG http://academialetrasbrasilmariana.blogspot.com/ e na http://www.academialetrasbrasil.org.br. ACADEMIA DE LETRAS DO BRASIL - MARIANA – MG ALB – DATA: 30 DE MAIO DE 2009. HORÁRIO: 19:30. LOCAL: Auditório do Instituto de Ciências Humanas e Sociais – UFOP Rua Cônego Amando, Chácara - ao lado do Palácio dos Bispos. Info: Andréia Aparecida Silva Donadon Leal - Déia Leal (31) 8893-3779 (31) 8431-4648 http://www.jornalaldrava.com.br/pag_deia_leal_plan.htm

CONCURSOS/LANÇAMENTOS - Estão abertas as inscrições para Antologia POETRIX EM CENA e CADERNO INTERNACIONAL DE POETRIX II organizada pela Revista Poetrix com o apoio do MIP – Movimento Internacional de Poetrix, para Lançamento na XIV Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro – 2009. Inscrições até o dia 03 de Julho de 2009. O tema é livre e não haverá qualquer tipo de censura, sobre o conteúdo publicado pelos autores na antologia. A Antologia Poetrix em Cena e Caderno Internacional de Poetrix II será lançada no Rio de Janeiro, Capital, em Setembro de 2009, na XIV Bienal do Internacional do Livro do Rio de Janeiro 2009 com data a ser definida. Os autores inscritos poderão ou não participar do evento. Mais informações pelo e-mail: antologia@antologiapoetrix.net Telefone: (21) 8139-3520 com Jandeilson Bezerra Mais informações: www.antologiapoetrix.net & jandeilson@antologiapoetrix.net

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CIDADANIA & MEIO AMBIENTE: UMA PALESTRA

sexta-feira, abril 17, 2009

O TRÂMITE DA SOLIDÃO



Imagem: Mulher, de Arnaldo Garcez.

QUARTA-FEIRA

Luiz Alberto Machado

A festa acabou
E não houve nenhum barulho na madrugada

A rua está pesunhada em honra de Pã
Homenagem a Baco

A festa do povo passou

Neste dia
Eu te ofereço minha carne em holocausto
Neste luar que azula a escuridão

As ruas do pretérito caboclinho do Rabeca
O reluzente estandarte da Virgem Guadalupe
E a extinção de Tupác Amaru
Até sua descendência em quarto grau

Tudo apaixonadamente vivo
Tudo delirantemente sentido
Tudo escandalosamente passado a limpo

Contaminados se foram os cultores do pecado original
Do hedonismo
E do rig-veda

Hoje o morto carrega o vivo
E ontem de noite correu bicho em Matriz de Camaragibe
E anteontem o bufo inspirou Zé da Justa pra afinar a orquestra
E a Fubana dos artistas, varrida de sonhos,
Impetrava um calor nas reentrâncias das senhoras

E a folia fez-se noite
E a folia fez-se dia

Permita Deus
Este mês seja só carnaval

Dentro de mim passou a folia do planeta
Com seus trogloditas modernos
E o assoalho é só excrementos da festa

Da casa vazia
O reino dos fantasmas

Saia do sereno,
Saia do sereno,
Saia do sereno que esta frieza faz mal

Então o silêncio
E o meu sacrifício de Odin:
Apenas água para beber
E braços solidários

Tudo cinzas

E não fiz abstinência da carne
Nem interdição dos sentidos

A minha impulsividade e o suntuoso e o inexprimível
Um dia tão grande no desvario do frevo

Não quero penitência
Estou debilitado pelo incenso inebriante de mulher
Que dorme oculta no deleite do meu travesseiro

Tudo viverá enquanto meu verso existir
O bar, a noite, o cigarro e a solidão

O poeta morreu terça-feira
E eu sigo inquieto
O amor assim que deveria ser: a vida!

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VAREJO SORTIDO
PRIMEIRA REUNIÃO
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quinta-feira, abril 16, 2009

POETAS DE HOJE EM DIA(NTE) & TATARITARITATÁ!!!



CLÉRIO JOSÉ BORGES: HISTÓRIA DA SERRA – Lançamento do livro História da Serra, do escritor, historiador e acadêmico Clério José Borges de Sant´Anna, na Casa de Congo Mestre Antonio Rosa, na praça João Miguel, na Serra sede, dia 30 de abril. Às 19 hs. O Livro com quase 300 páginas conta a história da fundação da Cidade da Serra, no Estado do Espírito Santo apresentando aspectos da Cultura, do Folclore e do Turismo. Info: Clério José Borges Tel.: xx 27 - 9257 8253 - Presidente do CTC WWW.CLERIOBORGES.COM.BR

POETAS DE HOJE EM DIA(NTE) - O coquetel de lançamento da coletânea nacional XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE) que acontecerá neste sábado, dia 18 de abril de 2009, a partir das 20h, na Barca dos Livros, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Organizada por Aline Gallina e Priscila Lopes com patrocínio do FUNCULTURAL de Santa Catarina, e publicada pela editora Letras Contemporâneas. A coletânea reúne 21 poetas (incluindo as organizadoras) que possuem trabalhos divulgados através da internet. Também participam do livro Jayro Schmidt (introdução) e Eduardo Jorge (prefácio). Outro lançamento já marcado, em São Paulo, será no dia 23 de maio, às 19h30min, no Bar do Batata. Os eventos serão abertos ao público e aquele que comparecer terá direito a um exemplar.Mais informações: Rita de Cássia (assessora de imprensa) Ou acesse: http://www.xxipoetasdehjemdiante.blogspot.com/

MOSTRA DE ARTES VISUAIS - Estão abertas as inscrições da Mostra de Artes Visuais do 2º. Colóquio do Grupo de Pesquisa em Imagem, Espaço, Memória e Ensino - IMAGO da Universidade Regional do Cariri – URCA que acontecerá no período de 17 a 19 de junho, no campus Pimenta. A Mostra contemplará as categorias de desenho, pintura, fotografia, gravura, colagem, escultura, intervenção e instalação. Poderão se inscrever artistas do Ceará e de outros estados brasileiros. A temática do Colóquio e da Mostra será “CaririCaturas – imagens e representações da cultura no tempo e no espaço”. Informações adicionais poderão ser obtidas pelo e-mail: coloquioimagomav@gmail.com ou pelo telefone: (88) 3102-1212 ramal 2424. Sala do IMAGO, Bloco de Geografia. Rua Cel.Antônio Luiz 1161 – Pimenta – Crato – Ceará. Info: COLETIVO CAMARADAS: www.coletivocamaradas.blogspot.com Poesia da Luz Fotografia Nívia Uchôa (88) 96127485 / 35114787
http://www.poesiadaluz.blogspot.com

GUILHERME DE ALMEIDA E O HAIKAI NO BRASIL –O poeta e tradutor Marcelo Tápia, atual diretor da Casa Guilherme de Almeida, trata do modelo criado por Guilherme para o poema tradicional japonês em língua portuguesa e de sua produção de haikais, abordando, também, a influência do modelo na obra de outros haikaístas brasileiros. A palestra incluirá uma breve apresentação das origens e características do haikai e se valerá, ainda, do estudo dos modos de transposição do poema japonês a outro contexto lingüístico-cultural, para tratar de questões fundamentais relativas à tradução poética. DIA 18 DE ABRIL, SÁBADO, ÀS 15H. SALA 1 Serviço: Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 São Paulo –SP CEP: 01311-902 Tel: 3285-6986 / 3288-9447 www.poiesis.org.br

VERBO 21 – a revista Verbo 21 traz nesta atualização entrevista com o escritor LUIZ BRAS, retratos japoneses - crônicas da vida pública e privada por Alex Cojorian, O evangelho segundo Godard por Ademir Luiz, o vestido de dançar por Wladimir Cazé, o sobrenatural de Kipling: talento e colonialismo por Chico Lopes, Sandman e as convenções literárias por Marcelo Lima, um poema de Washington Benavides e mais colunas sobre meio-ambiente, política, cinema comportamento e muito mais. Acesse e confira: www.verbo21.com.br

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quarta-feira, abril 15, 2009

MANUEL BANDEIRA & TATARITARITATÁ



JOÃO WERNER – O artista plástico paranaense, João Werner, acaba de lançar o livro “Pinturas de João Werner 2002-2008”, reunindo 34 reproduções de pinturas à óleo, acrílica e digitais das séries "Terra e o trabalho com a Terra" e "Cidade e vida urbana", realizadas entre 2002 e 2008. O livro tem edição de luxo, capa dura, dimensões: 20x25 cm com 40 páginas, e é vendido ao preço de R$ 108,00. Os interessados em adquirir esta excelente obra, poderá fazê-lo por meio de depósito bancário: João Cesar Werner Banco Bradesco Agência 3482-7 Conta Corrente: 0009040-9 Prazo de remessa: 30 dias da data do depósito. Contatos pelo email werner.joao@gmail.com Confira mais no http://www.joaowerner.com.br

MANUEL BANDEIRA - POETA ETERNO - O poeta pernambucano Manuel Bandeira ganha uma semana em sua homenagem, no mês em que completaria 123 anos. Até sexta-feira (17) a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) realiza, no Espaço Pasárgada, a Semana Manuel Bandeira, com palestras, debates, saraus e espetáculos abertos ao público. Dando seqüência ao ciclo de mesas redondas, na quinta-feira (15), o professor de Literatura da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anco Márcio Tenório Vieira, discutirá sobre a relação de Manuel Bandeira com o Regionalismo de 1926. Outras informações: http://www.fundarpe.pe.gov.br/ .



FÁTIMA VIEIRA – Belíssimo sítio da aquariana paraibana Fátima Vieira que é formada em Relações Públicas pela UNICAP e, também, em Secretariado Executivo pela UFPE, reunindo seus escritos, fotos, seleção de poemas e músicas, entre outras coisas. Para conferir é só acessar: http://www.geocities.com/fatimavieira/index.html

EXPOSIÇÃO FOTOGRÁFICA - De 14 a 30 de abril, acontece a exposição fotográfica Ilha de Encantos, do fotógrafo Carlos Brasileiro. A mostra segue por quinze dias, no Espaço Cultural MIX Mateus, Avenida João Pessoa, n°224, João Paulo. A exibição é composta por 30 fotografias do Centro Histórico de São Luís. O artista produziu o álbum fotográfico do Mapa Multimídia do projeto O Real e o Virtual do Centro Histórico de São Luís, com o patrocínio da Petrobrás, Fundação Nacional de Artes – Funarte e Ministério da Cultura – MinC. Outras informações: (98) 3245-8514 / 8892-3113 ou papitonetiar@hotmail.com/.

QUASE AMOR - Grupo Coletivo - Quase amor lançamento_ 17/04/2009, sexta-feira, 19h exposição_ 18/04/2009 a 19/05/2009 A dupla, composta por F. Rafael e Mozart Santos, selecionou 12 peças com elementos/ações criados por cada um deles procurando gerar diálogos com o meio e modificando artisticamente o espaço no qual a exposição está inserida. Enquanto Mozart tem uma percepção romântica e esperançosa dando margens ao imaginário do amante, F. Rafael parte do cotidiano, e lança questionamentos como também aposta nas mensagens subliminares, brincando com frases populares e idéias profanas. segmento_ objeto, desenho, ação local_ SESC Casa Amarela Av. Professor José dos Anjos 1109 1109 Recife / Pernambuco / Brasil 81-3267-4400 horários_ Segunda a sexta, 14-19h Info: http://www.canalcontemporaneo.art.br/

I CONCURSO LITERÁRIO GUEMANISSE DE CRONICAS E TEXTOS HUMORISTICOS – 2009 – Com o objetivo de incentivar a literatura no país, dando ênfase na publicação de textos, a Guemanisse Editora e Eventos Ltda. promove o 1º Concurso Literário Guemanisse de Crônicas e de Textos Humorísticos, composto por duas categorias distintas: CRÔNICAS – narrativa que descreve um flagrante da vida, sério ou pitoresco, atual ou histórico, real ou imaginário, com temática livre. E TEXTOS HUMORÍSTICOS – narrativa cômica de situações, piadas, com temática livre. Regulamento e informações: www.guemanisse.org & editora@guemanisse.com.br

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terça-feira, abril 14, 2009

POETAS PERNAMBUCANOS - ENTREVISTA: GERUSA LEAL



GERUSA LEAL

ESCREVEDOR

Não escrevo o que não sinto
Amadora que sou
Sinto o que não escrevo
Jeito de amar a dor
Escrevo o que não sinto
Salvo a vida
Não sinto o que não escrevo
Nem percebo que vivi

ARRIMO

Caminho que dá na venda
Senda que faz estrada
Mesmo partindo do nada
Fruto da intuição
Ergue-se, pedra por pedra
Muro que dá arrimo
Seja com rima ou sem ela
Seja prosa ou barco a vela
Poesia ou falação
Pois enquanto houver pena
E sentimento no peito
Precisa haver algum jeito
De alguém botar no papel
O que outro alguém lá recolhe
E com seus muros e barcos
Refaz a sena do nada
E zomba da solidão.

CONTEMPLAÇÃO

De dentro da imensidão poente
À beira do precipício de mim
Contemplo carneiros de algodão
Na face impassível de Deus.

ETERNO

Mais que sorriso silente
Mais que ruidosa mudez
Mais que paleta de tintas
Ressecada, quebradiça
Que o pincel endurecido
No ateliê deserto
Mais que partir outra vez
Dói a terrível certeza
Do retorno sempre certo.

SOBRIEDADE

Sobriedade
Sóbria idade
Sobre a idade
Sobra idade
Sobriedade

PROVISÓRIA DANAÇÃO

Que tudo que eu diga
Soe a desalento, desencanto
Que à meia-noite sombria
Me visite
O fantasma espectral
Que hoje, amanhã
Sábado ou domingo
Os bondes saiam dos trilhos
E a morte na cruz não me salve
Que agora, neste momento,
Não me livre o senhor de todo o mal
Os bares estejam vazios de homens plenos
E as mãos dos namorados não se toquem
Porque hoje eu não sei
Não quero
Não sou.

MULHERES DE PRETO

Respirando a loucura
Bebendo a morte
Num só enorme dia
Feito de séculos
Milênios
Eternamente o combate no coração
Suportando o insuportável ao relento
Contra o muro
Lamento mudo
Rogo sem esperança
Sem urgências
Sem sentido
Inexplicavelmente
Durando no tempo
As mulheres de preto.

SABER SECRETO

De serpentes o coito perturbei
Matando a fêmea numa transformado
Fui mulher, fui prostituta
Os segredos femininos desvendei
Outras vez tendo o coito perturbado
Dum casal de ofídios outro acasalado
Desta feita em homem fui mudado
Do sagrado segredo macho-femea me apossei
Ao invés de serpentes eram deuses
Que então desta vez me convocaram
Como arbitro em disputa equivocada
Sobre quem mais prazeres desfrutava
Sabendo-me por certo em mortal perigo
Quer a um quer a outro desagradasse
Mesmo assim o que vi manifestei
Tive os olhos furados, por vingança
Da fêmea que se sentiu na disputa derrotada
Mas o segredo andrógino era meu
E o macho, com certeza por piedade
Mas também, não duvidem, desafio
Compensou-me com o dom da profecia
Cego e profeta então prossigo
Mas perdão não peço pela insolência
De saber que prazer não se mede nem se pesa
Macho-femea-serpente me tornei.

NÃO-FALO

Falo de mãos e de dedos
Falo de figos
E de seus segredos
Falo de lábios e línguas
Falo de peixes e serpentes
E maçãs
Falo de pele e de arrepio
Falo de velas, espadas e
Bastões
Falo de cheiros e de sabores
Falo de flores
Falo de romãs
Falo de cálices, de sinos
E de torres
Falo de calores e de convulsões
Falo e a noite se vai
E eu não durmo
Não-falo

SOU?

Caminhando vou –
Fumaça, vôo, nuvem
Chuvisco azul
Nuvem de chuva
Sabe-se La porquê
Dia de lua.



GERUSA LEAL – a poeta e escritora pernambucana Gerusa Leal, é autora de contos e poemas publicados nas coletâneas Contos de Oficina, organizadas pelo escritor Raimundo Carrero e também as organizadas pela Fundação de Cultura Cidade do Recife. Conquistou premiação nos concursos Luís Jardim, Prefeitura de Cordeiro – RJ, Maximiano Campos, Fliporto e mais recentemente o prêmio Edmir Domingues de Poesia 2007 da Academia Pernambucana de Letras, com o livro de poemas “Versilêncios”, livro ainda com lançamento previsto para final de março/2009. É integrante da Rede de Escritoras Brasileiras – REBRA. Ela edita o blog Flor de Gelo.
Ela gentilmente concedeu uma entrevista exclusiva pra gente, confira.



LAM - Primeiro, Gerusa, vamos pra pergunta de praxe: quando e como se deu seu encontro com a Literatura?

Luiz Alberto, eu sou filha de escritor autodidata que, infelizmente, por excesso de auto-crítica, publicou apenas um romance, que depois renegou e apesar da primeira edição haver se esgotado, nunca quis fazer uma segunda, e de contos premiados e alguns belos poemas que estão espalhados nas mãos de mãe e algumas irmãs.
Mas, antes que escritor, meu pai era um grande leitor. Eu sempre o vi com um livro nas mãos, e nossa casa sempre teve livros por estantes espremidas ao longo dos corredores. Eu tinha tal sede de aprender a ler que naquele tempo em que a gente só ia para a escola aos sete anos de idade, perturbei tanto minha mãe, primeiro para que ela me ensinasse os números na fita métrica que ela usava para costurar para a gente e para fora, como se dizia, e em seguida, ou ao mesmo tempo, vai saber, para que me ensinasse a ler, que já cheguei na escola alfabetizada. A primeira palavra aprendida a escrever, e a ler, foi GATO, que ela desenhava tracejada, eu ia ligando os tracinhos e lembro até hoje da alegria ao reconhecer a palavra.
Daí em diante, foi um tal de nunca mais parar de ler, um vício tão grande que quando não tinha nada para ler lia até dicionário.

LAM - Quais influências da infância e da adolescência foram marcantes para a formação da escritora?

Meu pai tinha uma excelente biblioteca, devorei todos os livros, e mais alguns que, no início da adolescência, ele me comprava para que eu lesse durante uma convalescença prolongada de uma artrite reumatóide, que me deixou muito tempo de cama. São dessa época as primeiras leituras de Moby Dick, Os três mosqueteiros, Dom Quixote, Ivanhoé, e por aí vai. Quanto mais volumoso o livro, mais eu me sentia presenteada, e sempre me entristecia quando acabava.
Havia, é claro, também, toda a coleção de Monteiro Lobato, que eu lia, e relia e relia.

LAM - Você tem formação em Psicologia. De que forma essa formação contribuiu para a formação da poeta e de como você concilia essas duas vertentes?

Luiz Alberto, acho que a formação em Psicologia veio do mesmo interesse que veio a paixão pela literatura e, hoje, pela criação literária, pela alma humana. Tudo que diz respeito à alma humana me interessa, e nada do que é humano me é estranho. Acho que a conciliação vem na medida em que a formação em Psicologia, hoje, é algo metabolizado, que faz parte do meu repertório de vida, e me aguça a capacidade de observação, acima de tudo. Mas fujo feito o diabo da cruz da psicologização em meus poemas, em minha prosa. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Portanto, a formação em Psicologia, se o escritor não tiver cuidado, pode ser uma faca de dois gumes, pendendo perigosamente para a auto-ajuda que, no meu entender, está distante do gênero de poesia e de prosa de ficção que me interessa criar e ler.

LAM - Você tem participado das Oficinas de Criação do mestre escritor Raimundo Carrero. Qual a contribuição dessas oficinas na maturidade da escritora?

Eu diria, Luiz Alberto, que sem as Oficinas de Criação Literária do amigo Raimundo Carrero, muito provavelmente não existiria, hoje, uma escritora, uma poetisa. Instigada por parentes e amigos que diziam que eu escrevia bem e que, por isso, devia escrever, e sabendo que escrever certo está longe de escrever boa poesia e boa ficção, ao descobrir a existência das oficinas, há pouco mais de seis anos, me inscrevi numa delas, com o propósito claro para mim, na ocasião, de provar aos que me instigavam e a mim mesma que eu não era escritora, e continuar com minhas aulas de dança ou ir atrás de aulas de canto, qualquer coisa apenas para o cultivo de uma atividade prazerosa. Acontece que já no primeiro encontro, Carrero me colocou no espírito a dúvida, e eu me encantei tanto em poder conviver, sem sequer a obrigação de escrever, com escritores e partilhar de perto de momentos do seu processo criativo, que para mim bastava. Mas com toda a habilidade que lhe é peculiar, respeitando o momento de cada um, Carrero acabou me levando a escrever, a partilhar o escrito, e fui me apaixonando pelo processo, e o resultado é que escrevo há pouco mais de seis anos, com poemas e contos premiados, alguns publicados em coletâneas, e agora a publicação de Versilêncios, premiado em 2007 pela Academia Pernambucana de Letras. Então, a escritora, sem as oficinas de Carrero, não existiria e, se por acaso existisse, com certeza não teria feito, em tão pouco tempo, o percurso que fêz, aparentemente pequeno para quem olha de fora, mas imenso para quem só está empenhada na criação literária há seis anos. As oficinas aceleram absurdamente o amadurecimento artístico de quem realmente se interessa, frequenta, estuda, exercita, lê. E as de Carrero são algo à parte, por conta da imensa generosidade do renomado escritor, que não nos sonega absolutamente nada da partilha de suas descobertas e invenções no campo da criação literária.

LAM - Você integra a REBRA, participa de várias antologias e tem marcado presença em vários cenários literários. De que forma isso tem contribuído tanto para o processo de realização e para a difusão de seu trabalho literário?

Olhe, há um autor, Gabriel Perissé, no seu excelente A Arte da Palavra, que diz que todo escritor deve criar, deve ter um "leitorado". Um grupo de mentes pensantes, a quem ele apresente, em primeira mão, sua produção, com a mente aberta a comentários, críticas, observações, e até elogios.
Há um outro autor, que agora não vou me lembrar o nome, que diz que hoje em dia não basta você escrever, não basta que sua produção literária tenha qualidade, você precisa se envolver numa rede por onde sua produção circule, para que possa ser lido. Acho que isso é tanto mais verdadeiro quanto mais iniciante, desconhecido e atuante fora do eixo das grandes editoras milita o escritor. Exemplo excelente disso é exatamente essa entrevista que você agora me faz e que, tão generosamente, se dispõe a publicar em sua página cultural. É esse tipo de rede que divulga o trabalho de um escritor de uma forma menos massiva mas talvez de mais qualidade.
A REBRA é um outro espaço excelente para divulgação, agora mesmo, por contatos feitos através da REBRA, minha produção poética está sendo estudada por aluna de módulo de literatura feminina brasileira na universidade de Miami, na Flórida. E quanto ao processo de realização, os blogs pessoais, as listas de criação, como o grupo comasuapermissão, de poetas daqui de Recife, do Rio de Janeiro e de São Paulo, de que participo, e onde foi gestado todo o Versilêncios, ou revistas eletrônicas, como a Histórias Possíveis, da qual sou colaboradora permanente, o que me cobra pelo menos um texto em prosa por mês, contribui de uma forma fabulosa para que a gente não se deixe cair na inércia, esteja sempre criando, inventando, se renovando literariamente.

LAM - Agora vamos falar de Versilêncios, um livro recheado de temas pessoais e afetivos com seu lirismo maduro. Ou como você mesma diz: "poemas blocados em sub-unidades mostradas como um percurso narrativo e existencial de um eu lírico". Fala, então, do processo de composição dos poemas para chegar na unidade do livro, até a premiação alcançada.

Meu contato com a criação poética é ainda mais recente que com a ficcional. Há uns quatro anos, numa bienal internacional do livro aqui em Recife, conheci a poetisa Márcia Maia que, a partir de contatos em outras atividades na bienal, sugeriu que eu participasse também da oficina de Fred Barbosa, por três ou quatro manhãs. Eu disse que não ia, que não era poeta, que não era minha praia. Desde então Márcia começou a insistir que eu era poeta, e o que custava eu fazer a oficina de Fred, do que eu tinha medo? Pensei e respondi que tinha medo de gostar, de enveredar pela poesia e deixar de mão minha outra paixão, a prosa de ficção. Mas fui fazer. Um exercício poético feito durante essa curta oficina, inscrevi no concurso literário da Fliporto, em 2006, e resultou num terceiro lugar. Nesse meio tempo, Márcia me convidou para participar dessa lista de criação, na internet, e fiquei por lá compondo meus poemas em resposta a provocações de imagens, de poemas dos colegas de lista, ou depositando nesse vaso alquímico poemas que vinham espontaneamente. Mas apenas arquivando o resultado dessa produção numa pasta que apelidei de "brincadeiras literárias". Ao cabo de algum tempo, Márcia me provoca outra vez, a inscrever um livro de poemas no concurso da Fundação Cultural de João Pessoa. Aleguei que não tinha livro, ela insistiu que eu tinha, que já tinha postado muita coisa na lista, que desse uma olhada. Imprimi os poemas, coloquei em cima da cama e (questiono sempre isso nos concursos) precisava de um número mínimo de páginas. Que representava praticamente toda minha produção até aquele momento. Desanimei. Como dar unidade a algo que não havia sido criado pensando em unidade? Então comecei a agrupar os poemas em blocos por afinidades quase que só intuídas, pois eles poderiam ser agrupados de diversas outras formas. E nesse processo, percebi que esses grupos, ou blocos, podiam ser montados segundo um percurso existencial, passando do questionamento do próprio ato de criação poética, pela infância, por diversos momentos do existir, até chegar à maturidade e envelhecimento do eu lírico. Decidi que ia ser essa a estrutura do livro, inscrevi em João Pessoa, e no mesmo dia se encerrava o prazo para a inscrição no concurso da Academia Pernambucana de Letras. Como concurso é concurso, em João Pessoa não obtive nem menção honrosa, e na Academia Pernambucana, fui o prêmio Edmir Domingues de Poesia 2007. E essa é a história da gestação e premiação desse livro.

LAM - Versilêncios tem recebido muitos elogios traduzindo a maturidade da poeta reconhecida na premiação. A partir disso, como se mostra e se realiza a poeta nesse mundo de barulhos e indiferenças?

Bom, Luiz Alberto, como diz Carrero, o amadurecimento de um escritor, de um poeta, é um processo que leva tempo. Talvez venha contribuindo para a percepção de maturidade em minha poesia, alguns aspectos. Primeiro, sou uma mulher madura, de 55 anos de idade. Depois, sou uma leitora madura, e que sempre foi apaixonada também pela leitura de poesia, sempre li bons poetas, sendo meus preferidos Fernando Pessoa, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Mário Quintana e outros. E por último, mas não menos importante, apesar de meu embasamento teórico em termos de criação poética ser mínimo, há toda essa base de vida e de leitura metabolizada e, mais uma vez, a oficina de Carrero acelerou meu amadurecimento como criadora também no gênero poesia, pois como não faço uma poesia de formas fixas, rimada, metrificada, uso no burilamento dos meus versos, os mesmos recursos e ferramentas que venho aprendendo e metabolizando ao longo dos anos de oficina com Carrero. Além disso, a convivência, pela internet, com poetas com os quais trocamos, num verdadeiro laboratório onde se dá e se recebe toques preciosos durante o processo de criação de um poema, é outro fator de aceleração do amadurecimento criativo.
A poeta convive de forma dialética com esse mundo de barulhos e indiferenças, pois só a convivência dialética fertiliza. Mas se mostra com certa dificuldade, devido a uma personalidade predominantemente introversiva, e um gosto nada disfarçado pelo silêncio e a solidão, não a solidão afetiva, mas a solidão onde a gente pode se exercer por inteiro, e de onde nascem nossos frutos literários.

LAM - Você transita por outras formas literárias. Fala a respeito dessa versatilidade.

Eu de fato comecei meu percurso criativo em literatura pelo conto, que é a forma que mais me fascina. De repente há um parentesco próximo entre o conto e o poema, dada a necessidade de se expressar o máximo com o mínimo de recursos, buscando levar ao leitor o efeito desejado. Há um livro de contos sendo gestado, alguns também premiados, mas no qual ainda estou trabalhando. E ando ensaiando também, desprentensiosamente, uma novela, ainda muito em embrião para que se saiba se vai vingar. Eu gosto de me concentrar, de não abrir muito o leque, mas uma certa diversidade é muito nutritiva para o ato criador. Alguém já disse, também não vou lembrar agora quem, que o bom poema é aquele que mais se aproxima da prosa. E que a boa prosa é aquela que mais se aproxima da poesia. Portanto, nem tão estranha assim essa busca pela diversificação. Um gênero alimenta o outro.

LAM - Você tem pronto um argumento para uma narrativa infanto-juvenil. Fala a respeito dessa empreitada.

Esse argumento está pronto há alguns anos, mas anda em compasso de espera. Há muita coisa acontecendo, muitas demandas, e de fato não tenho me dedicado a esse projeto. A idéia passa por uma releitura de um clássico de Kafka, já há um esboço de enredo, alguns personagens delineados, e alguns capítulos rascunhados. Mas também um projeto muito embrionário, não tenho previsão de conclusão para ele.

LAM - Quais os projetos e perspectivas da Gerusa Leal?

Projeto prioritário, no momento, meu livro de contos. Mas, até para alimentar a alma, paralelamente, a gente vai trabalhando em outras coisas.
Perspectivas? Não saberia te dizer, ainda engatinho pela seara da criação literária, tenho aproveitado os espaços que se me oferecem, e tenho tido retornos gratificantes. Acho que a única perspectiva de que posso falar com segurança é que a criação literária continua me apaixonando, e que continuarei buscando o aprimoramento na qualidade do que produzo, principalmente pelo prazer estético, que é diferente mas, para mim, tem sido tão nutritivo quanto uma boa leitura.



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