segunda-feira, abril 13, 2009

POETAS DE PALMARES



RAYMUNDO ALVES DE SOUZA

GLOSA PARA FAFÁ DE BELEM:
É LINDA, É LINDA DEMAIS
E O COLO É DE ENLOUQUECER

Arisca, meiga e sagaz
Com umas, tão lindas curvas.
Que a mente da gente turva
É linda, é linda demais;
Só pedindo a satanás
Para Deus não ofender,
Pra toda vida se ter:
Provocando nossos anseios
Aqueles tão lindos seios:
E o colo é de enlouquecer.

DESEJO

Quero fazer o meu ninho,
No colo dos meus anseios,
Dando o primeiro beijinho
Na cava destes teus seios;
E sentir no teu olhar,
Um desejo, igual ao meu,
E o resto da vida ficar
Unidinhos, você e eu.
Vendo pássaros voando,
Frutas amadurecendo
Flores desabrochando
Eu e você nos beijando
Fazendo o mundo sentir
A inveja do nosso amor
Numa ilusão meiga e sutil,
Como o vôo de um beija-flor;
Juntinhos tenho certeza,
Que findaremos a vida;
Sentindo a tua nobreza
Enquanto vivemos, querida.

CANTIGA POPULAR

Assobe, assobe ganjeiro,
Meu ganjeitinho real,
Avistas terras de França,
Areias de Portugal.

Já vejo terras de França,
Areias de Portugal,
Tambem vejo três donzelas
Debaixo de um parreiral.

Uma está levando ouro,
Outra lavando metal,
A mais pichitita delas, a mais linda,
Está procurando um dedal.

GLOSA: CEIANDO, OS TRES CARDEIAS
RECORDAVAM OS SEUS PASSADOS

Nos tempos medievais,
Nesta idade eu não vivi,
Foi com prazer que eu vi
Ceiando os três cardeais;
Sonhando os seus ideais
Que, na alma estava ocultados,
E na virtude consagrados,
Os três príncipes do Vaticano
Num sentimento profano
Recordavam os seus passados.

PALMARES

Palmares, eco da minha musa,
Perfume de todas as flores,
Do buquê que a imortalidade usa!
Berço dos poetas e dos amores,
Rincão da fé e da igualdade,
És o leito do Uma: com cascatas no teu colo!
Sepulcro dos vates, que enriquece as saudades
Gleba do amor, pedestal de Apolo,
Encruzilhada da gloria
És o trono das grandezas.
Em meu cérebro eu canto a tua história
De ciência e de luz, de paz e de nobrezas.

PASSOS DA VIDA

Quem não enfrenta o perigo,
E não sabe se defender,
No campo dos perseguidos,
Vê sua gloria morrer.

A dor também dá saudades,
Caminho do sofrimento,
Nunca vi felicidade
Sem um pouquinho de tormento.

Se a vida só fosse gozar,
Vivendo sem se sofrer,
Todos viviam a cantar,
Sentindo grande prazer.

PEITICA

Uma peitica cantando
Simboliza piedade
É um beijo triste voando
Indo beijar a saudade.

Peitica chora cantando
O amor que nela encerra
Parece que é a dor rezando
Na penha verde da serra.

VIDA

A vida não é sorrir,
E também não é chorar,
A vida não é sentir,
A vida é saber amar.

AMOR DE MÃE

Vi uma mãe, soluçando no altar da esperança,
De ver o filho, que partiu sem lhe avisar,
O amor sagrado de mãe, nunca cansa,
Tem a dor e a saudade e vive sempre a esperar.

É uma gloria que consolida a aliança,
Sorriso na boca, de quem só vive a rezar,
Felicidade que a alma sempre alcança,
Amor profundo, que faz lagrimas rolar.

O amor, que faz sentir, a fé de sempre viver,
O sentimento mesclado de piedade e razão,
A mais santa gloria, a do sublime dever.

É ordem da vontade e o dever da paixão,
Fraternidade que lhe manda obedecer,
Pra ter sempre o filho amado, abraçado ao coração.

SUPLICA DE LOBO

Na selva um lobo devorava a sua rês,
Num vasto prado, de flores enfeitado,
Um abutre também, a sua presa fez,
Num que outras rezes havia devorado.

No repasto, a fera temendo talvez,
Bradou: oh, Deus! Oh, Cristo! Jesus amado!
Será que matando a fome eu pequei?
Não vês? É o nosso único pecado.

Vê o homem na dupla iniqüidade,
Desintegrando os átomos, a cuidar,
Num professo de lesa caridade.

Louco, tentando tudo exterminar,
Monstro da ciência, sem fé e sem piedade,
Voraz na sua gula, cruel no próprio lar.

CONSTRUÇÃO

Um pequeno dinheiro
Que ti guardas todo dia,
Será grande celeiro,
A imagem da economia.

O beijo que dás sorrindo,
Na boca da tua amada,
É um lar se construindo,
Tua futura morada.

O romeiro que faz a prece,
Na catedral da crença
No peito nunca fenece
Aquela ilusão imensa.

Rancho parca vivenda,
Vivenda agora mansão,
Contos das grandes lendas,
A catedral da ilusão.

FLORBELA

Chuva, sereno e frio,
Sento esperando ela,
Para ver o clarão do estio,
Versejando por Florbela.

Gosto das trovas singelas,
Da poetisa apaixonada.
Com as rimas de Florbela,
Dos seus versos enamorados.

Poetisa decantada,
Pelos vates nos seus poemas,
Deusa e musa consagrada,
Nas suas trovas supremas.

É ladainha rezada,
Quando se pede clemência,
Florbela a for encantada
No jardim da existência.

VELHICE

Quando o meu derradeiro amor sucumbiu,
Num grito eu perguntei,
Atento, procurando,
O derradeiro afeto que fugiu:
Onde estão as mulheres que eu amei?
Senti a alma chorando,
E na ironia do silencio, o meu grito se extinguiu.
Ocultas vivem talvez,
Nas decepções do meu passado,
Não sei.
Apesar de as ter procurado,
Com ressonâncias sutis de românticas baladas.
Sinfonias de amores, de cor e de pecado,
E nas meigas recordações
De uma voz, um beijo, um sorriso
Três poemas abraçados,
Que nos momentos engraçados,
Levavam-me ao paraíso.
Perdi a plástica, a fé e os afetos,
Trôpegos passos incertos,
Descendo as cordilheiras da velhice,
Ladeiras acidentadas,
Antítese, fatal da meninice.
Agonia do ocaso, o crepúsculo da vida,
Esperanças estranguladas,
Rugidos de pantera sufocam-me o peito sem alento.
O sepulcro das ânsias saciadas.
Foram-se as quimeras no turbilhão dos ventos,
Ficando somente as saudades de outras eras,
Envoltas na dor dos desenganos,
E chagas na alma, a rubrica dos tempos,
Os carrascos eternos, longevos tiranos,
Mercadores supremos, dos reveses e desilusões
Que nos trazem os anos.
Destino ou fatalidade,
Foram os túmulos das minhas vaidades
E de tudo que sonhei:
Amores e crueldades,
E das tragédias que me deixaram saudades.
Adeus....
Adeus...
Mulheres que tanto amei.

ULTIMO POEMA

Não sei se deixo saudades
Quando a morte me levar
Mas sei que levo lembranças
Que faz minha alma chorar.

RAYMUNDO ALVES DE SOUZA – Nascido em Panelas, em 1884, viveu em Palmares onde morava sua avó e onde se formou artisticamente, destacando-se entre os poetas, escritores e artistas locais do passado. Foi aluno da mãe do poeta Ascenso Ferreira, foi pro seminário desistindo depois da ordenação, passando a trabalhar no barracão do Engenho Japaranduba, quando se torna mestre alfaite. Daí, colaborou com jornais e revistas pernambucanos e de outros estados. Tornou-se ator, casou-se, estreitou amizade com Ascenso Ferreira, casa-se de novo quando vai pro Recife, re-casou-se e vai se casando infinitamente, tornou-se vereador palmarense pelo PSD, fundando a Academia Palmarense de Letras. Em 1979, foi publicado o primeiro e único número do caderno cultural Nova Caiana, em Palmares, “Vida & Poesia de Raimundo Alves de Souza”, sob a coordenação editorial de Juhareiz Correya. Posteriormente seus poemas foram incluídos na antologia “Poetas dos Palmares”, edição de 1987. Em 1988 foi publicado pelas Edições Bagaço o livro “Celeiros d´alma – antologia poética”.

POLÊMICA: RAIMUNDO, O PAI BIOLÓGICO DE VINICIUS DE MORAIS – Desde menino que eu via aquele cidadão de idade avançada, apoiando os cotovelos na janela e jogando pilhérias e cantadas para as mulheres que passassem pela Rua Nova.
Perguntei pro meu pai quem era aquele, quando tomei ciência tratar-se do poeta Raimundo, que já fora anos atrás alfaiate, ator e Don Juan.
Em Palmares, eu morava na Rua Visconde de Rio Branco, mais conhecida como Rua Nova, onde também morava o insigne poeta: bem em frente a uma escola ao lado da Loja Maçônica.
Muitas vezes ouvi de muitas mulheres e até de algumas paqueras de namoricos efêmeros que tive, os reclamos acerca do comportamento do ancião, tido por elas como um licencioso e depravado – sem eufemismos mesmo, elas chamavam-no mesmo de velho safado. É que ele costumava soltar pilhérias e cantadas às rebucolosas passantes, fossem elas moçoilas esvoaçantes, meninotas à flor da vida ou senhoritas saltitantes, ou senhoras comportadas ou damas da sociedade, ninguém lhe escapava ao flerte contundente.
Eu mesmo o vi às gargalhadas berrando:
- Já fui muito bom nisso! Venha que ainda dou um caldo.
Foi quando soube dum mote que foi glosado pelo poeta e teatrólogo palmarense, Lelé Correia, que chegou assim:

Mote:
Tres coisas boas no mundo:
Jogo, mulher e cachaça.

Glosa do Lelé Correia:
Ao velho amigo Raymundo,
Pedi para que citasse,
Ou melhor, que indicasse
Três coisas boas no mundo.
Inteligente e fecundo,
Sem preconceito de raça,
Bom sujeito, boa praça,
Mas um tanto irreverente,
Disse imediatamente:
Jogo, mulher e cachaça.

Certo dia, tinha eu lá uns 16 ou 17 anos de idade, um passarinho cochichou um zunzunzum cabeludo que eu depositei ao conhecimento dos meus amigos Luiz Gulu de França, Célio Carneirinho e Mauricinho Melo Junior. Corria o boato solto de que o pai de Vinicius de Morais era palmarense.
Eita! Isso coincidiu exatamente com a edição duma entrevista do Vinicius na cama a uma jornalista da revista Playboy, onde ele dizia: sou o filho único de um pai de muitos filhos.
Investigamos de forma aprofundada e fomos bater na casa de Raimundo com gravador, maquina fotográfica e uma foto do Vinicius.
Quando a gente chegou lá, o homem recebeu a gente segurando uma sonda que lhe vinha da bexiga, versos de cor e a certidão de que ele já contava com uns 93 anos de idade, por aí.
Ficamos embasbacados. Primeiro, porque a voz do homem era talqualzinha a de Vinicius. Segundo, o homem recitava poemas e mais poemas de cor e salteado, deixando agente arrepiado e de cabelo em pé.
A gente ainda era adolescente, mas pela inexperiência fomos direto ao assunto. Resultado: a gente ficou sabendo que ele tinha 23 filhos de mães diferentes. A esposa atual que se encontrava na sala, quando ele começou a falar disso, recolheu-se barulhentamente na cozinha, sinal de que não estava gostando nada daquilo.
Pois foi, ele contou, nome por nome, um a um dos seus filhos, exceto dois que ele não conhecia. Detalhou amigações, prostituição, safadeza e muita libidinagem. Não perdia tempo para rasgar elogios com forte teor erótico acerca da geografia feminina, sua grandiosidade de recipiente do amor e outras tantas ladainhas de punhetagem, fudelança e sapecamentos risiveis.
Entre os dois filhos que não conhecia, um era engenheiro pras bandas de Brasilia e que ele soubera muito pouco.
O outro, aí vem a história.
Contou ele de anos passados – a entrevista que fizemos com ele foi mais ou menos em 76 ou 77, não lembro bem o ano. Nem sei se Gulu, ou Mauricinho ou Célio Carneirinho lembram o ano, mas foi por aí mesmo.
Pois bem, ele fazia referências, então, às décadas em que ele era o alfaiate e galã número 1 das famílias de Palmares e Recife.
Contou ele que uma distinta senhorita filha de usineiros alagoanos, piscou e se apaixonou pelo dito cujo. Paixão avassaladora. A mulher uma ricaça que quando soube que ele era casado, apossou-se de uma espingarda e, ao encontrá-lo numa das ruas do Recife – ele falou o nome da rua, da mulher e de tudo, mas não lembro os tais nomes -, ela meteu-lhe bala. Apenas um tiro feriu-lhe o braço, fazendo-se de morto. Depois do atentado, ela zarpou num jipe, esculhambando o poeta com infamantes impropérios do injuriamento popular.
Aí ele contou que anos depois, um distinto cidadão se dizendo industrial ou fazendeiro mineiro, ou coisa assim, ofereceu-lhe um vultoso montante financeiro daqueles bem raçudo e indispensáveis para que ele desse por encerrado a questão com a distinta usineira e esquecesse da gravidez dela, porque ele, o industrial ou fazendeiro, sei lá, a partir dali, assumiria a paternidade da criança nascida no Rio de Janeiro daquele desagradável enlace, sem esquecer, ainda, de deixar educadamente uma ameaça no pé do maluvido dele para que tomasse juízo e não desse com a língua nos dentes acerca do fato.
Depois disso, ele contou amiudadamente um contato tido entre o Zezinho Quaresma, um conterrâneo que morava no Rio de Janeiro e filho do Tabelião do Primeiro Oficio de Palmares, com o Vinicius de Morais, acertando um encontro entre Raymundo e Vinicius. Era o Zezinho Quaresma que, toda vez que visitava Palmares, trazia noticias de Vinicius. A coisa andava nesse pé.
Ainda cheguei a mostrar-lhe uma foto de Vinicius. Vimos quando ele encheu os olhos d´água. E começou a recitar poemas e mais poemas de viva memória e de sua autoria, mostrando-nos a inconfundível similaridade.
A gente saiu encantado e sem saber o que fazer com aquela entrevista. A gente só podia sair boatando mesmo. Resultado: a gente inventou de checar a história com a filharada dele em Palmares. Não deu outra, só porta na cara. As filhas que a gente conhecia e que era amiga nossa desde infância, quando começamos a falar de Raimundo, bateram a porta na cara da gente e nunca mais falaram conosco. A gente não sabia que cada um dos filhos era de mães diferentes.
Aí foi quando numa reunião das Noites da Cultura Palmarense, a gente delatou o fato para os presentes. Aí o Juarez Correia, juntamente com o Givanilton Mendes, deram de checar aquilo. Resultado: o único número do caderno Cana Caiana com os poemas de Raimundo.
Depois o próprio Juarez, em 1980, editando a revista Poesia – para viver a vida, destacou a entrevista que fez com Raimundo assinalando que Vinicius de Morais era pernambucano.
Eu ainda estava na Bagaço quando foi publicado o livro “Celeiros d´alma – antologia poética”, apresentado por Maria Lucia Alves Paiva, uma das filhas do Raimundo e, à época, diretora da Faculdade de Palmares e, também, apresentado pelo filho dela, neto de Raimundo, Aluisio Afonso Ferreira Paiva Filho.
O prefácio foi do professor e pastor Elias Sabino de Oliveira, que já dizia: “(...) Raymundo Alves de Souza foi um homem cheio de amor e de amores, e perdido de amor. Quando sentiu haver perdido a plástica e o contato de fora de casa com os amigos, achou-se desprovido de fé e de afetos. Mas não se ira nem se revolta, não blasfema nem se mostra deseducado. Despede-se com elegância, bradando comovido: Adeus... adeus....mulheres que tanto amei. (...) parece, na verdade, que é destino de todo idoso não viver o seu presente, mas só viver o passado, donde se conclui que aonde vai o homem, vai com ele seu passado”.
Destaco aqui as palavras do amigo conterrâneo e jornalista Mauricinho Melo Junior nas orelhas do livro: “Palmares, a exemplo de Paris, era uma festa. Fervilhava cultura por todos os lados. Tempo pródigo. Tudo era grande arrebatador, as paixões, os sonhos de glorias, as ambições literárias. Pelas páginas de A Noticia corria solta a lira de poetas e cronistas. Fenelon Barreto, Arthur Griz, João Costa. Um Ascenso Ferreira rimado e metrificado, e lá se ia um mundão de gente. Nos bailes do Gremio Literario a sociedade desfilava os ouros e os feitiços arrancados do açúcar da cana. Do mundão de livros da biblioteca do Gremio nasciam as luzes que faiscavam em versos e prosas. No Cine e Theatro Apolo, entre uma fita em série e uma apresentação, o paraíso era das dondocas e almofadinhas. A Arcadia Dramatica, o orgulho e a grande esperança do pequeno burgo encravado a margem esquerda do rio Una, podria singrar as terras, trespassar as fronteiras do estado e talvez do país. A festa e a alegria era tal que sequer se prestou atenção em um rapazote de dezessete anos que rabiscou uns versos à sua bem amada Joventina. Raymundo Alves de Souza foi parte ativa de todo clima. Nascido em Panelas do Mirador, no dia 25 de setembro de 1884, galã da Atcadia Dramatica, divisou sua longa existência entre amores às mulheres e às letras. Era homem de mil paixões. Autodidata, lia tudo que caia nas mãos. Tinha esquecido temporariamente a poesia. Parece que o palco atraia mais mulheres. Maior era o encanto e a magia das cenas. Poucos eram os galãs, imenso o batalhão de poetas e beletristas. No entanto, usava do veio poético para atirar suas quase sempre maliciosas ferpas. Certo dia abriu as páginas de A Noticia e lá estava em letras de imprensa um soneto do Doutor Promotor, amancebado que era com a teúda e manteúda Dona Cota, dizendo que para povoar o universo, bastava usar e abusar dos dotes de Raymundo. Mais por deboche que propriamente por estar melindrado, o poeta não deixou por menos, e lhe deu o troco com o verso a seguir: Bacharel inteligente / não joga jogo de sota / nunca arranhou donativo / mas entre sempre na cota. Sua vida de mil amores deixou que fosse passado nos braços das mulheres amadas. Por elas renunciou ao seminário, ao oficio de poeta, às luzes da ribalta. Vida longa, folgazã, doce, ativa. Entretanto, a poesia, resguardada nas mais profundas entranhas da alma, ressurge. (...) Aos setenta anos retoma a função de poeta (...) A partir daí, já com idade avançada, quando a maioria dos homens estão renunciando sua condição de gente, começa a construir uma obra poética amadurecida e vigorosa. Sem ambição de publicar sua produção, vai botando no papel todas as emoções de sua existência. Tudo para Raymundo teve a prudência de quem deixa que as frutas amadureçam por si mesmas, sem temor do descuido da queda, sem o risco do apodrecimento prematuro. Sua obra começou a ser escrita na velhice e seu ineditismo só agora, após cento e quatro anos de nascimento, é definitivamente quebrado. Reunidos ainda pelo próprio poeta, guardados com afeto por seus filhos e netos estes versos são o resgate pleno de um dos maiores literatos de uma Palmares guardada para sempre na ostentação do titulo de Atenas Pernambucana (...)”.
O livro é dividido em Cantigas populares, Livro das glosas, Livro dos Poemas, Livro dos Poemetos, Livro dos Sonetos, Livro das Trovas, fotos e cronologia.

FONTES:
CORREYA, Juhareiz (Coord). Poetas dos Palmares. Recife/Palmares: FUNDARPE/Fundação Casa da Cultura Hermilo Borba Filho, 1987.
SOUZA, Raymundo Alves. Celeiros d´alma – antologia poética. Palmares: Bagaço, 1988.

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POETAS DE PALMARES
RAYMUNDO ALVES DE SOUZA

quinta-feira, abril 09, 2009

O TRÂMITE DA SOLIDÃO



Imagem recolhida do blog de Adelaide Coelho.


CAPÉI, A DEUSA SELENE

Luiz Alberto Machado

A noite saiu do coco de Tucumã
E a moça das águas da cachoeira
Sozinha no fundo dos bosques
Acendeu os vaga-lumes

E à beira do lago
Sua imagem
Influenciou a natureza
E regulou as marés
A germinação das sementes
O fluxo das mulheres
O nascimento das crianças e dos bichos
E o brilho de certas pedras de cor

E a moça branca das águas da cachoeira
Vive sozinha no fundo dos bosques
O meu amor proibido

Sua lágrima se fez Amazonas
E alumia meus versos de ermitão

E eu
Sigo até o terminadouro navegante solitário

Quando ela se envolve no breu
E parece não mais raiar o dia
Eu varo tetéu, eterno guardião,
Cantando quero-quero
Prá vigiar a volta do sol

Ouço o seu canto
E sou Selenito
Andejo da noite

Coruja segura o ponta do céu
Que o meu amor já se foi
O meu amor já se foi
Já foi
Foi

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TRÂMITE DA SOLIDÃO
PRIMEIRA REUNIÃO
GUIA DE POESIA

DICAS TATARITARITATÁ

FESTEATRO - A Viva Cultura!Divulgação e Eventos Culturais de Minas Gerais comunica que abriu inscrições de três Festivais em Varginha: Os Editais + fichas de Inscrições estão no site: www.vivaculturavga.com.br O Festival de Teatro de Varginha 6ª Edição Informações: festteatro@yahoo.com.br Abertas até dia 26/06/2009. Festival de Poesia Falada de Varginha 3ª Edição informações: festivaldepoesia@yahoo.com.br Abertas até: 22/05/2009 Varginha In Dance Festival 4ª Edição Informações: varginhadance@yahoo.com.br Abertas até 10/05/2009 Fale Conosco: (35)3222-9016 Viva Cultura! Lindon Lopes Marcos Misael FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE VARGINHA - 6ª EDIÇÃO Info:www.vivaculturavga.com.br

XXI POETAS DE HOJE EM DIA(NTE) – lançamento da antologia organizada por Priscila Lopes e Aline Gallina. Dia 18 de abril na Barca dos Livros em Floripa – SC e dia 23 de maio no Bar do Batata em São Paulo, às 19h30.

CONCURSO DE POESIA - A revista cultural Oca das Letras está lançando o I Prêmio Sepé Tiaraju de Poesia Ibero-Americana – 2009. As inscrições são gratuitas e estão abertas até 31 de agosto, por meio da página www.ocadasletras.com.br/ . O prêmio contempla poesias concebidas nas línguas portuguesa, espanhola e Guarani. Os trabalhos contemplados farão parte de uma antologia poética contendo três poemas de cada um dos 20 primeiros colocados. Também será publicado um livro do autor vencedor. Os concorrentes poderão participar com três poesias, cada uma limitada a 25 linhas de 60 caracteres. As obras inscritas deverão ser inéditas e não podem ter sido premiadas em outro concurso de poesia. Outras informações na página da revista: www.ocdasletras.com.br/ .

ARTES VISUAIS - Estão abertas as inscrições até o dia 14 deste mês, para o 4º Curso de Capacitação para Estagiários e Monitores de Museus alagoanos. A capacitação, realizada pela Secretaria de Estado da Cultura (secult), por meio do Museu Palácio Floriano Peixoto (Mupa) acontece nos dias 16 e 17 e tem o apoio do Sistema Alagoano de Museus. O objetivo do curso é tratar dos novos paradigmas das artes visuais e das atuais possibilidades de sua abordagem nos museus. O evento disponibiliza 30 vagas e tem como público alvo as pessoas que trabalham com museus, artes plásticas, visuais e sacras. As inscrições podem ser feitas no Mupa, Praça Marechal Floriano Peixoto, 517, Centro, das 8h às 17h, durante toda semana. Outras informações: (82)3315-7874 e no email: mupa.alagoas@gmail.com/ .

UNIÃO BRASILEIRA DE TROVADORES - 8ª Reunião da UBT de Tremembé, que realizar-se-á no dia 18/Abr/2009, às 18 horas, no Plenário da Câmara Municipal de Tremembé, sendo o primeiro encontro após a elevação de Delegacia à Seção. Na ocasião será anunciada a premiação do 7º Concurso Interno de Trovas da UBT Tremembé. Info: CLÁUDIO DE MORAIS Vice-Presidente de Administração da Seção de Tremembé-SP da UBT - da União Brasileira de Trovadores LUIZ ANTONIO CARDOSO Presidente da Seção de Tremembé-SP
UBT - da União Brasileira deTrovadores

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GUIA DE POESIA

terça-feira, abril 07, 2009

DICAS TATARITARITATÁ



WILLIAM SHAKESPEARE – Dois anos depois de lançar "44 Sonetos escolhidos", Thereza Christina Rocque da Motta publica "154 Sonetos", em homenagem à primeira edição dos "Sonetos" de Wiliam Shakespeare publicados em 20 de maio de 1609. Em 23 de abril, comemora-se o 445o. aniversário do Bardo, quando Thereza Christina lança a sua nova edição em São Paulo. Antes, no dia 16, lança "154 Sonetos" no Rio. WILLIAM SHAKESPEARE nasceu em Stratford-upon-Avon em 23 de abril de 1564 e ali mesmo morreu em 23 de abril de 1616 - poeta, ator e dramaturgo inglês, seu nome figura entre os maiores autores de todos os tempos. Filho de John Shakespeare, luveiro e comerciante de lã, e Mary Arden, Shakespeare teve uma sólida formação escolar na Grammar School de sua cidade natal, onde aprendeu latim e teve contato com os clássicos. Acredita-se que por volta dos 16 anos começou a trabalhar para o pai, como notário e amanuense. Em 1582, então com 18 anos, casa-se com Anne Hathaway. O casal logo teve uma filha, Susanna e, dois anos depois, os gêmeos Hamnet e Judith. Em 1585, uma forte crise econômica se abateu sobre Stratford, e é possível que este tenha sido o motivo para que Shakespeare partisse para Londres, a .m de tentar a sorte no teatro, atividade em forte expansão durante o reinado de Elizabeth I. Entre os anos de 1585 e 1592 nada se sabe sobre Shakespeare e os estudiosos da sua vida os classificam como Os anos perdidos de Shakespeare. Supõe-se que tenha entrado para o serviço da Lord Chamberlain's Men, companhia teatral ligada ao The Rose, uma das mais importantes casas de espetáculos de Londres, tendo começado como o equivalente ao cargo de contra-regra e tendo chegado ao de ator. de peças teatrais (Titus Andronicus). Também é no início da década de 90 que Shakespeare começa a escrever seus Sonetos. De um modo geral, a vida de Shakespeare é povoada de mistérios e muitas suposições, inclusive sobre sua sexualidade, isto sem falar das piadas que foram criadas em torno de inúmeros fatos de sua vida, a maioria fantasiosa. Em 1599, Shakespeare já era um dramaturgo renomado e foi nesse ano que, em parceria com o ator James Burbage, e outros, tornou-se co-proprietário do The Globe, fato este que teria contribuído enormemente para seu enriquecimento. Em 1606, adquiriu uma excelente casa em Stratford, a New Place, e logo teria abandonado Londres para viver novamente em sua cidade natal, onde veio a falecer na mesma data em que nasceu. Em 1609, talvez motivado por interesses financeiros, Shakespeare publicou pela primeira vez seus 154 Sonetos, seguidos do poema narrativo A Lover's Complaint (Lamentos de uma Amorosa). Shakespeare tornou-se mundialmente reconhecido mais por suas peças teatrais do que por sua poesia. Contudo, os Sonetos são considerados como o que de melhor se escreveu em poesia de língua inglesa no seu período e são uma profunda meditação sobre a natureza do amor, a paixão sexual, a procriação, a morte e o tempo. LANÇAMENTO NO RIO: QUINTA-FEIRA, 16/04/2009, NA LIVRARIA MUSEU DA REPÚBLICA, RUA DO CATETE, 153, CATETE, DAS 18H30 ÀS 22H. LANÇAMENTO EM SÃO PAULO: QUINTA-FEIRA, 23/04/2009, na Livraria Cultura - Conjunto Nacional, Piso Térreo, das 19h às 21h30. Thereza Christina Rocque da Motta, nascida em São Paulo, em 10 de julho de 1957, é poeta, advogada, editora e tradutora. Publicou Relógio de Sol (1980), Papel Arroz (1981), Joio & trigo (1982, 1983, 2004), Areal (1995), Sabbath (1998), Alba (2001), Chiaroscuro – Poems in the dark (2002), Lilacs/Lilases (2003), Rios (2003) e o pôster-poema “Décima lua” (1983), além de participar de diversas antologias, como Carne Viva, organizada por Olga Savary (1984) e Ponte de Versos: 8 anos (Ibis Libris, 2008). Traduziu romances de Thomas H. Cook e Sue Monk Kidd, crônicas de Charles Dickens e Oscar Wilde, e também poemas de Anne Morrow Lindbergh (O Unicórnio e outros poemas, Ibis Libris, a sair), Sylvia Plath, Byron, Shelley, Keats, Yeats e Shakespeare (44 Sonetos escolhidos, Ibis Libris, 2006), livros de não-ficção de John Grogan (Marley & Eu), de Greg Mortenson e David O. Relin (A terceira xícara de chá) e romance juvenil de Nina Bernstein (Um livro mágico). Organiza a Ponte de Versos desde setembro de 2000. Fundou a Ibis Libris em 2000. http://www.libre.org.br/titulo_view.asp?ID=8344

PRÊMIO: FREI JOÃO DE SANTA ÂNGELA ALAGOAS - realização do folheto Notas Literárias do poeta Ari Lins Pedrosa (apperjiano). Tema livre. Há taxa de inscrição; inscrições até 30 de agosto de 2009. Prêmios em dinheiro. Os poemas e o envelope de identificação deverão ser entregues pelo correio, para o Folheto Notas Literárias, A/C de Ari Lins Pedrosa, Caixa Postal n° 339, Maceió/AL, CEP 57020-370. O resultado será no dia 19 de novembro de 2009, através carta, e-mail. Mais informações pelo e-mail: ari.pedrosa@ceal.com.br ou tel: (82) 8859-4216

SINTEPE - Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Pernambuco – vai lançar no dia 23 de abril, a partir das 19h no Teatro Santa Isabel, a Coletânea Poética do 1° Concurso de Poesia em homenagem a Solano Trindade. Na ocasião será realizado um recital com os poemas da coletânea com o Grupo Vozes Femininas e um show com a Banda Fim de Feira que contará com uma participação especial do poeta popular Chico Pedrosa. O evento é aberto ao público. LANÇAMENTO DA COLETÂNEA POÉTICA DO PRIMEIRO CONCURSO DE POESIA DO SINTEPE Dia: 23/04/2009 Local: Teatro de Santa Isabel Horário: das 19h às 23h Info: INTERPOÉTICA - Cida Pedrosa e Sennor Ramos - o maior acervo da poesia pernambucana na internet

SARAU - I Sarau das Poéticas Indígenas Dias 19 de abril, das 15 às 21 horas Casa das Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura Av. Paulista, 37 - Bela Vista Tel.: (11) 3285-6986 www.casadasrosas-sp.org.br

PONTE DE VERSOS - Ponte de Versos com Maria Rezende, Igor Fagundes e Cyana Leahy, 13/04/2009,20h30, DaConde, Leblon Ponte de Versos e Livraria DaConde convidam para a leitura de poemas de MARIA REZENDE IGOR FAGUNDES CYANA LEAHY
lançando (RE)CONFESSO POESIA (7Letras, 2009), prefácio de Flávia Savary, apresentações de Roberto Kahlmeyer-Mertens e Fabrício Carpinejar. Segunda-feira, 13/04/2009 das 20h30 às 23h30 Livraria da DaConde Rua Conde de Bernadotte, 26 lj. 125 Leblon | Rio de Janeiro | RJ Maria Rezende é poeta e dizedora. Acaba de lançar Bendita Palavra, seu segundo livro (editora 7letras) e também cd, com os poemas falados. Já teve poemas publicados na revista Playboy, na coletânea Imagining Ourselves, do Museu Internacional da Mulher de São Francisco, e na revista Poesia Sempre, da Biblioteca Nacional. Seu primeiro livro, substantivo feminino, foi lançado em edição independente em 2003 (esgotado). Igor Fagundes, carioca, 27 anos, é poeta, jornalista, ensaísta, crítico literário, ator, mestre e doutorando em Poética pela UFRJ, onde leciona Teoria Literária. Autor dos livros de poemas por uma gênese do horizonte (IV Prêmio Literário Livraria Asabeça), Sete mil tijolos e uma parede inacabada, Transversais (Prêmio Estudantes do Brasil) e do livro de ensaios Os poetas estão vivos - pensamento poético e poesia brasileira no século XXI (Prêmio Literário Cidade de Manaus 2007). Co-autor da coleção Roteiro da poesia brasileira - poetas da década de 2000 e da coletânea ensaística Quem conta um conto - escritos sobre contistas brasileiras estreantes nas décadas de 1990 e 2000. É colaborador da Academia Brasileira de Letras e do Jornal Literário Rascunho. Possui cerca de 60 premiações em concursos literários. Cyana Leahy-Dios escreve (06 livros de poesia, 05 de prosa literária e 06 de pesquisa acadêmica publicados, com prêmios no Brasil e no exterior), pesquisa (Escritoras Invisíveis; Educação Literária), estuda (piano, ENM/UB; Letras, UFF; Mestrado em Educação, UFF; Estudos Doutorais em Literatura Brasileira, USP; PhD em Educação Literária, Universidade de Londres), dialoga (professora da UFF, palestrante convidada para congressos e eventos acadêmico-literários no Brasil e no exterior), traduz (livros, capítulos e artigos publicados dentro e fora do Brasil). Entre suas obras publicadas estão Todos os Sentidos (melhor livro de contos de 2004, pela U.B.E.), Contos Tradicionais Irlandeses (prêmio ILE, do governo irlandês, em 2005), História de Criança e de Futuro (leitura indicada para a Campanha da Fraternidade 2008 - CNBB), Educação Literária como Metáfora Social (tese premiada com o Overseas Research Award, Inglaterra, 1996). Ainda em 2009 sairão Carteira de Identidade (para público juvenil, prefaciado por Gustavo Bernardo) e Perplexidades e Similitudes (prefaciado por Moacyr Scliar). Thereza Christina Motta coordenadora

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GUIA DE POESIA

segunda-feira, abril 06, 2009

POETAS DE ALAGOAS



EMANUEL GALVÃO

CANA-DE-AÇÚCAR

A foice que decepa a cana
Deixa em mim as cicatrizes.
O meu patrão deitado em berço esplêndido
Quando pisa o chão com botina,
Pisa onde deitei raízes,
Onde forrei minha esteira,
Pra descansar o corpo moído
Da minha dura rotina.
Que tal qual a cana ficou um bagaço.
Pro meu patrão o mel,
Mas, pra mim, melaço.
Meu trabalho,
A vida do meu patrão adoçou
Enquanto a minha, amargou.
No escorrer dos dias
Pra esquecer da dor
E viver umas alegrias,
Eu bebi cachaça
E acabei em cana.
E fui amassado pelas autoridades
Enquadrado na marginalidade
Em que já vivia.
Eu fui remoído
Já no meu bagaço
De cana.
Fim de semana,
Meu patrão descansa seu cansaço
Feito de pensar exaustivo.
Pensa logo existe e está vivo.
E no meu cansaço de viver sem reclamar,
Penso o meu existir
Lamentando o meu pensar.
Acho mesmo que essa vida
É um engenho
Em que uns são duros como aço,
Outros duros feito a cana,
Uns nasceram pra ser bacana,
Outros pra ser bagaço.
Mas seja qual for a peleja,
Essa vida tem beleza
E se necessário for
Redobrar o desempenho,
Castigar no meu labor
E fazer mais mel de engenho,
Cachaça e rapadura,
Pois vida assim tão dura
Necessita mais de amor,
Mais carinho,
Mais cuidado,
Então pelo meu caminho
Mesmo que amassado
Quero dar mais sabor
A quem labuta ao meu lado.

DOS EXCLUIDOS

Ó Pátria minha! Mãe gentil
Teu filho pede esmola,
Pede escola,
Pede pão,
Que voz horrível é essa?
Será vossa?
A voz que me diz...
Não.
Ó Patria minha! Mãe gentil... pariste.
Pra quê?
Te filho que não foge à luta!
Porque não ouves meu brado retumbante?
Acaso sou eu filho da.... outra?
Ò Patria minha e tão distante dos meus sonhos
Mãe que me pariste.
Pra quê?
Para deixar-me só e triste?
Não é a ti que me oponho...
Teus donos, teus amantes
Vindo de terras distantes
Deitar em teu berço esplêndido
Sugar com força tuas tetas
- palavras doces, frases belas, mutretas –
Ó Pátria minha, mãe! Comeste?
Pois que teu filho passa fome.
Mas, se ergue da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Mesmo que entregue à própria sorte
é feito teu... e não da.... outra.
Ó Pátria amada idolatrada.
Salve, salve...
Enquanto há tempo.
Porque a paz ta no futuro
E tua gloria no passado.
E o discursos dos que finge que te amam...
Ultrapassado.
Se o teu futuro espelha esta grandeza
Volta tua face à pobreza
Terra adorada
Não vês que mascarada é a face da nobreza
Que gasta tua riqueza com prostituta
Mandando para fora teu bem mais precioso...
Deixando à margem os sonhos do teu povo.
Se o teu futuro espelha essa grandeza
E o teu presente é duvida e incerteza
Olha pra quem trabalha e não foge à luta
A quem é filho teu e não da... outra.
Embriagado eternamente em beco esplendido
Ao som da barriga a reclamar
E o sono profundo...
Da inercia.
Fulguras ó mãe gentil
Temporão da América
Iludindo sem piedade a todo mundo.
O meu amor por ti, me faz seguir adiante.
E é por amor que o coração diz: cante
É por saber-me vencedor, mesmo vencido.
Que ergo da injustiça com voz forte
Falando pelos meus pares excluídos
Um brado que ecoe retumbante.

GEOGRAFIA

Porque sempre me acho perdido no teu corpo?
- Latitude, longitude e atitude... cínica.

EM PESSOA

Revesti minha poesia
De verbetes reluzentes
Que brilhem fundo n´almas
E as iluminem inteiramente.
Mas a canção que acalma
É a mesma da dor contundente
Às vezes, métrica e rima
Às vezes, apenas repente
Às vezes, verdade e razão
Outras tantas, transcendente
Realidade que mente
Por vezes, pura ilusão
Coração que se ressente
Mas o poeta fingidor,
Na dor que deveras sente,
Sentimento e reflexão,
Quer ser mente e coração
E ai que apenas mente.

IRRESPONSAVEL CORAÇÃO

Preso por vontade
Pode o coração querer liberdade
Mas, por ser irresponsável coração
Bate lento na saudade
Pois que avesso à solidão
Acelera por maldade
Quando da tua aproximação.
Esse mesmo coração que vai parar
Um dia
Bate com força e alegria
Cadenciando essa estonteante emoção
E não adianta querer explicar
Se o coração foi feito para amar
Ou para a volúpia da paixão
Este irresponsável um dia vai parar
Para seu alivio, e nosso desespero e dor.
Por isso, se haveremos de morrer
Que seja como um vingar
Essa loucura que é amar
Ceder ao desejo e num torpor
Fender seu peito e se dar
Alma, corpo, coração
E, no êxtase dessa desorientação
Morrer enfim, de tanto amar.

SEIO

Um descuido
E teu seio sensualmente
Mostra-se mais belo
Que sob tua blusa transparente
E por sabê-los
São mais belos que em meus sonhos
Sei-o mais belo, pois o vejo.
Escondes de meu devaneio
O teu seio com pudor
Ocultas bem mais dentro, no seio,
Teu segredo adolescente, teu desejo
- Um carinho, uma caricia, um amor –
Ajeitas a blusa com receio
Que saiba mais que o seio.

MATEMÁTICA

Um
Dois
Três
Quatro...
O numero é infinito
O meu amor por você também
Pena que não saiba contar
Medo de ser reprovado na tabuada
Amor que não se revela
Não vale...
Noves fora nada.

A PRIMEIRA MULHER

Os olhos nos olhos e a boca molhada
Quanto tempo separa os lábios do beijo?
Pensava eu, no frenesi do desejo
Tu vendo-me amigo, eu vendo-te amada.
No disfarce, meus olhos correram tua coxa
E teu decote: janela indiscreta dos seios.
Meus tímidos olhos, cheios de anseios,
Tu vendo-me menino, eu vendo-te moça.
Eu que nunca havia namorado.
Devagarinho abria, tão maravilhado
Como a um tesouro, teu fecho éclair.
Nossos corpos nus e bem unidos.
Nunca fomos mais do que amigos.
Mas, fostes, para mim: a primeira mulher.

EMANUEL LOPES FERREIRA GALVÃO – o poeta alagoano de União dos Palmares, Emanuel Galvão, é formado em Educação Artistica pelo CESMAC e fez pos-graduação em Artes plásticas. Ele é professor, pintor e escultor. Publicou em 2007 seu primeiro livro de poemas “Flor atrevida”.

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