DUO SETIGONISTA (por Luiz Alberto Machado) - Estimadas
poetas, minha saudação da plateia: tataritaritatá! Aceitei o convite José Paulo
Paes de vocês: vamos brincar de poesia? E, como ousado Beatles,
prontamente respondi: Vamos juntos agora mesmo! Come together! Louvo as
setigonistas façanhudas na peleja de glosar o mote de Patativa: cante lá que eu
canto cá! E assim jaque monteiro e noi soul subiram neste palco,
afinaram a caixa dos peitos num poetar alternado e o que parecia ser uma
quebra-de-braço, na verdade, era um pugilato diferente, livre para todos os
públicos: cada qual o seu ponteio, cada uma com seu recado e numa toada
própria, coisa mais bonita de se ver. Pois, repinicaram sílabas feito goteira,
palavras como foguetes e, a cada poema, a tenção levou tudo, refrão e
estribilho, na prodigiosa verve dum mote de duas linhas pruma obra de sete pés.
E botaram da boca pra fora e de goela adentro: acredite, Andorinha, quem canta
renasce e hoje é um dia como outro qualquer. A cada um a sua lição. E se eu
disser não, poesia viva! Nisso foram: quem pariu a si mesmo, quem se fez o
próprio hino, quem decifrou ou devorou, quem poeira e o devir, criando momentos
fora do tempo, porque a água emana do fogo e a vida é dança e agora. Assim,
setilhas a fole e, sem pedir licença no trupé, desvelaram sentidos e jorraram a
fonte de suas modulações poéticas por lampejos avassaladores, como exercício de
amostras válidas: relevo surpreendente e que muito me apraz. Tudo no ponto: a
mútua cantoria desafiando o mundo inteiro pra versar nesta função. Viva! Salve
sacrossantíssima ginocracia! Mas, vamos aprumar a conversa: vou terminar meu
breve rojão. Botei a viola emborcada no saco e, em reverência, fiquei só
aplaudindo de pé. U-hu!
JAQUE
MONTEIRO
- Jaque Monteiro é escritora
brasiliense, arte-educadora, gestora e coordenadora de projetos. Participante
de antologias de poemas, haicais, contos e setígonos. Criadora dos estilos
poéticos Catadupa e Gradativa. Estações de humor - Em clima de haicai. Pilar
Tenoz - romance juvenil em fase de publicação. I Oficina de Catadupas do Brasil
– 2025 – Livro resultante da Oficina de apresentação da Catadupa, um novo
gênero poético brasileiro. As setigonistas ao quadrado - uma dança
poética, livro de poemas setígonos em coautoria com noi soul. Setígono: o
brasileirinho ousado – Ensaio: teoria, prática e poesia, livro com ensaio e
poemas setígonos. Vou contar até 100 – procure nas entrelinhas, livro de
microcontos. BorboLERtras – projeto de valorização e incentivo da mulher na
cena literária brasileira. Ela é amante da palavra, viaja alhures na
imaginação, flerta com a fotografia, adora contar e ouvir histórias-estórias. Ela
diz: Quem canta, seus males espanta. Quem dança, manda-os embora de vez Quem
embala poesia, transcende! Prazer em nos conhecermos!
NOI SOUL - noi soul: com os sentidos virados para o
fascínio, voo com a missão de passarinho: poetizar a existência. noi soul (nome
artístico de Noiane Souza) é natural de Vitória da Conquista/BA, formada em
Nutrição pela UFBA, poetisa, escritora, designer e criadora de conteúdos
digitais relacionados aos diversos temas pelos quais nutre interesse. É membro
efetivo da Academia Conquistense de Letras, cadeira 29. Idealizadora do Canal
Celéstyan Pulsão Poética; conduz o programa Poesia em Gota às segundas no Canal
Tertúlias com VC para divulgação de poetas nacionais atuais; é parceira de
Katiana Rigaud na gestão da Raiz Livraria. Participa de diversas Antologias de
poemas e contos. Autora de livros de poemas, dos quais destaca o seu primeiro
lançamento Ventre de mãe, Editora Versejar (2021) e o mais recente,
Descompassos, pela editora Manufatura das Letras (2024). Possui livro-dueto com
o escritor angolano Poeta Falso: Hematoma Social, disponível no Kindle e na
UICLAP (2024). Noi acredita que a arte é nosso melhor caminho para pensarmos
mudanças efetivas dentro e fora de nós.
SINOPSE: AS SETIGONISTAS ao
quadrado uma dança poética,
escrito por jaque monteiro e noi soul, é um livro de setígonos, um novo gênero
poético brasileiro criado em Pernambuco (2020) por Admmauro Gommes, Cícero
Felipe e José Durán y Durán.
O setígono possui sete versos, mas o
curioso está na maneira como eles dialogam e se comportam, surpreendendo quem
lê ao revelar, no mínimo, três poemetos que saltam de dentro de um único poema.
Lembram as bonecas matrioscas: ao abrir cada camada, deslinda-se uma nova
história
A forma como este projeto tomou corpo
foi, de certo modo, inusitada. Cada uma das autoras tinha um conjunto original
de setígonos. Surgiu então a ideia de se separar alguns poemas e reuni-los numa
única obra. Assim nasceram 35 setígonos de cada autora, escolhidos sem qualquer
combinação prévia. A organização dos pares as surpreenderam com a afinidade e a
ressonância entre eles. Mais ainda: perceberam que os versos polares de cada
dupla conversavam entre si — ora um lançava a pergunta, o outro oferecia a resposta;
um revelava a ferida, o outro, a cura. E, quando vistos em conjunto, os
quartetos se aproximavam, se tocavam e se completavam em sua totalidade.
O livro tem outros dedinhos especiais:
Ana Luísa, com a arte-final da capa, que o veste com beleza e delicadeza; Mari
Rima e Patuska, com prefácios que acolhem como um abraço e apresentam as
autoras ao leitor com generosidade; Admmauro Gommes, Luiz Alberto (Nito) e José
Durán y Durán, escrevem os posfácios que ressoam saber, afeto e companheirismo,
são uma parte essencial da história e da continuidade do setígono.
A leitura convida você a desvendar os
arcanos escondidos nos véus de cada linha e entrelinha dos poemas. Boa leitura!
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mais aqui, aqui, aqui, aqui & aqui.




